Papa Leão volta a criticar líderes que investem em guerra
Pontífice ainda criticou os líderes que usam a religião para propagar discurso a favor da guerra durante discurso em evento realizado em Camarões
Na manhã desta quinta-feira (16), o Santo Padre, o Papa Leão XIV, fez mais críticas a líderes que investem em guerras em evento de sua viagem apostólica na África, realizado em Camarões, segundo país do continente a recebê-lo.
O Papa tem intensificado os discursos a favor da paz e se colocado à disposição para ajudar nas negociações entre os países em guerra. A paz, inclusive, tem sido destaque de seus discursos desde o início de seu pontificado e foi o principal ponto de partida de discursos nas celebrações da Semana Santa.
Leão chama líderes de tiranos
Em Camarões, o Santo Padre endureceu ainda mais as suas falas, que já têm sido duras sobre os líderes que financiam as guerras. Para ele, o mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos.
O Papa ainda continuou afirmando que basta um instante para destruir. Mas que, na maioria dos casos, muitas gerações são necessárias para reconstruir o legado de devastação deixado pela guerra. Isso causa a miséria e degradação humana, algo que já era combatido pelo seu antecessor, o Papa Francisco.
Papa Leão critica líderes que investem em guerras (Vídeo: Reprodução/YouTube/APT)
Leão ainda completou, afirmando que os bilhões de dólares atualmente gastos em assassinatos e devastação deveriam ser redirecionados para áreas mais necessárias, como saúde, pesquisa científica para encontrar curas de doenças e educação.
Além disso, afirmou que os “mestres da guerra” fecham os olhos para essa realidade de forma deliberada, fingindo que não sabem disso.
As falas sobre os líderes que investem em guerras têm se tornado cada vez mais duras desde a homilia da missa de Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor realizada no dia 29 de março. Nessa ocasião, o Papa Leão afirmou que Deus rejeita as orações de líderes com as mãos cheias de sangue.
Papa critica uso da religião como propaganda de guerra
Além das críticas diretas ao investimento em guerras, o Papa também criticou os líderes que usam as religiões para justificar e promover as guerras, pedindo que os líderes religiosos rejeitem e denunciem o que chamou de exploração da criação de Deus e deturpação da consciência humana.
No discurso, o Santo Padre afirmou que aqueles que usam o nome de Deus para ganho militar, econômico e político arrastam o que é sagrado para as trevas e imundície.
A crítica é o primeiro pronunciamento de Leão sobre a resposta de Donald Trump à sua fala, criticando abertamente o país por promover várias das guerras em curso pelo mundo, principalmente a do Irã, em que participa diretamente. Trump gerou uma imagem por meio de uma Inteligência Artificial em que ele era o próprio Jesus Cristo e aparecia curando uma pessoa.
Após duras críticas de diversos líderes religiosos, chefes de Estado e do mundo inteiro por essa que é considerada uma blasfêmia pela Igreja, o presidente dos Estados Unidos apagou a imagem e negou que se autorretrata como Jesus.
Papa Leão segue sua viagem pela África
A visita a Camarões, que começou na tarde desta quarta-feira (15), segue com evento ao longo dos próximos dias, em que terá visitas a Nunciatura Apostólica e a Conferência Episcopal do país, além de uma Santa Missa que acontece no Aeroporto de Bamenda.
Papa visita região marcada por guerra em Camarões (Vídeo: Reprodução/YouTube/Euro News)
Antes disso, o Papa esteve na Argélia, onde se reuniu com chefes de Estado do país e líderes muçulmanos, onde a população católica é minoria.
Além disso, visitou a histórica cidade de Hipona, terra de Santo Agostinho, onde presidiu missa na Catedral da cidade vizinha, tornando-se o primeiro Papa a visitar o local.
Além de Argélia e Camarões, o Papa ainda irá visitar a Guiné Equatorial e a Angola completando, junto com Camarões, os três países com maiores populações católicas na África Subsaariana, sendo mais da metade da população em uma viagem considerada muito desafiadora para o Papa nos últimos anos.
