Papa Leão critica guerra e rebate falas de Trump

Após críticas e imagem polêmica divulgada por Trump, papa Leão XIV adota tom mais firme e reforça discurso contra guerra e tensões globais

14 abr, 2026
Papa Leão XIV | Reprodução/Instagram/@vaticannewspt
Papa Leão XIV | Reprodução/Instagram/@vaticannewspt

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o papa Leão XIV nesta terça-feira (14), durante entrevista à imprensa. Ele afirmou que o pontífice está errado ao comentar conflitos internacionais, como a guerra no Oriente Médio. Além disso, disse que não pretende entrar em contato com ele após a repercussão dessas declarações.

Na Truth Social, Trump chamou Leão XIV de “fraco” e afirmou que o pontífice tenta agradar à “esquerda radical”. “Eu não quero um papa que considere aceitável que o Irã tenha uma arma nuclear.” Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos”, escreveu. 

Imagem com estética religiosa gera repercussão 

O presidente disse ainda que Leão só foi eleito porque ele é o atual presidente dos EUA e que o papa deveria ser grato por isso. “Leão deveria se recompor como papa, usar o bom senso, parar de agradar à esquerda radical e focar em ser um grande papa não um político. Isso está prejudicando muito ele e, mais importante, está prejudicando a Igreja Católica”, completou.

Trump também postou uma imagem feita por inteligência artificial em que aparecia usando uma túnica com estética semelhante à de Jesus. A imagem foi excluída após críticas.


Trump faz montagem sendo Jesus (Foto: Reprodução/TruthSocial/@realDonaldTrump)


Em entrevista, o presidente negou qualquer comparação religiosa e disse que a ideia era representar um médico ajudando pessoas, com a Cruz Vermelha e profissionais de saúde. Sobre a exclusão, afirmou que as pessoas estavam confusas.

Papa responde e mantém posição

Leão XIV reagiu às críticas afirmando que não tem medo do governo Trump. Disse ainda que não fez nenhum ataque direto ao presidente ao apelar pela paz. “Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho. Lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje”, disse.

O papa garantiu ainda que não hesitou em anunciar a mensagem do Evangelho e em convidar todas as pessoas a procurarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação.

O atrito entre os dois cresceu após o papa classificar como inaceitáveis as ameaças contra o povo do Irã, no dia 7 de abril. “A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas, mais do que isso, é uma questão moral”, afirmou.

Antes disso, no Domingo de Ramos, o papa já havia dito que Jesus não pode ser usado para justificar guerras e que ele rejeita as orações daqueles cujas mãos estão cheias de sangue, citando uma passagem bíblica.

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