Queda de braços entre Donald Trump e Imprensa é levada para os tribunais

O presidente norte-americano afirma que está combatendo veículos que propagam fake news e conta com o apoio do Departamento de Justiça nacional

23 set, 2026
Donald Trump é acusado de censura jornalística | Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump
Donald Trump é acusado de censura jornalística | Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump

O desentendimento público entre Donald Trump e a imprensa norte-americana parece estar longe de terminar. Nesta quarta-feira (23) uma audiência judicial foi convocada para analisar o caso que repercutiu de maneira negativa entre os veículos que cobrem assuntos relacionados à Casa Branca nos Estados Unidos. A situação ganhou um novo capítulo após o Departamento de Justiça ficar do lado do presidente e afirmar que o mandatário tem autoridade para “controlar o acesso de repórteres a áreas presidenciais restritas, como o Salão Oval”.

Empresas de comunicação banidas

O embate teve início na sexta-feira (18) após Donald Trump proibir jornalistas dos veículos CNN, MS NOW e Político acessarem a Casa Branca para a cobertura do assuntos relacionados governo norte-americano. Os três veículos banidos são consolidados e respeitados na imprensa americana e fazem uma cobertura com tom mais crítico ao governo atual do que os outros veículos.

Alegando que os conteúdos produzidos pelas empresas são tendeciosos e induzem a fake news, o presidente determinou que as credenciais de acesso de todos os funcionários dos três veículos fossem retidas, conforme relataram alguns profissionais. “O agente me pediu para entregar meu crachá. Ele disse que estava desativado. Perguntei por que eu não podia entrar. Ele disse que isso estava acima da autoridade dele”, disse a repórter Akayla Gardner, do MS NOW. Outros profissionais, como a repórter Betsy Klein, da CNN e Cheyenne Haslett, do Político, informaram que passaram por situações semelhantes no sábado (19).


Trump fala sobre as emissoras e afirma que produzem fake news (Foto: reprodução/Truth/@realDonaldTrump)


Departamento de Justiça se pronuncia

As três empresas logo se manifestaram contra a decisão e afirmaram que o governo está ferindo a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que data de 1791, e versa sobre a liberdade de expressão da imprensa, impedindo abusos vindos de autoridades estatais. Trump chegou a rebater e disse que a “imprensa é inimiga do povo”. Coincidentemente, a popularidade do presidente, que está em seu segundo mandato, está em queda, em decorrência de decisões classificadas como arbitrárias tanto internamente, com a política imigratória e a guerra contra o Irã e disputa pelo Estreito de Ormuz.

Nessa queda de braços, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos se pronunciou mostrando estar do lado do presidente, tanto na decisão de banir os veículos de comunicação. “O acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito”, enfatizou. Mesmo sem provas que comprovem que os veículos produzem fake news, Trump manteve sua decisão. Com o pedido encaminhado à justiça por um juiz distrital, as empresas envolvidas terão até esta sexta-feira (25) para entregar suas justificativas que comprovem a arbitrariedade do governo norte-americano contra a imprensa.


Inauguração do heliponto na Casa Branca sem cobertura jornalística (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)


União dos veículos de comunicação

Enquanto isso, todas as empresas de mídia se uniram em um boicote ao presidente e a cobertura de assuntos relacionados à Casa Branca. O incidente que gerou mais repercussão até o momento aconteceu na segunda-feira (21), quando o presidente Donald Trump inaugurou um novo heliponto na Casa Branca e não haviam repórteres para a cobertura do evento. Neste episódio, o presidente se viu obrigado a discursar sem microfones, como é o padrão em cerimônias do tipo, e sua voz quase não foi ouvida por conta do barulho vindo das aeronaves estacionadas logo atrás.

O movimento também chamado de “pool” na imprensa, reúne as cinco emissoras mais importantes dos Estados Unidos que fazem uma cobertura conjunta sobre os acontecimentos relacionados ao governo, desde atos, inaugurações e pronunciamentos. Com o banimento dos três veículos por Trump, outras empresas também optaram por boicotar o presidente e assuntos relacionados. São elas: ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC.

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