Augusto Cury dispara nas redes sociais e incomoda rivais na busca por espaço

Psiquiatra ganhou 2,5 milhões de seguidores em uma semana e seu índice de popularidade saltou de 37,8 para 54,5 pontos

01 set, 2026
Augusto Cury | Reprodução/Instagram/@augustocury
Augusto Cury | Reprodução/Instagram/@augustocury

O candidato à presidência Augusto Cury (Avante) ganhou quase 2,5 milhões de seguidores nas redes sociais em uma semana e passou da sétima para a quarta posição no ranking de popularidade digital medido pela Quaest. Seu Índice de Popularidade Digital (IPD) saltou de 37,8 para 54,5 pontos em uma escala de 0 a 100, segundo dados da instituição.

Cury agora fica atrás apenas de Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT) e Renan Santos (Missão). O crescimento acentuado acirra a disputa entre candidatos que tentam ocupar espaço fora da polarização entre o petista e o bolsonarista, e transforma o psiquiatra em alvo de críticas de seus principais rivais.

O boom nas redes

O crescimento de Cury nas plataformas digitais foi impulsionado pela sua participação no debate realizado pela Band. Um corte dessa apresentação acumulou 21,2 milhões de visualizações e 1,3 milhão de curtidas no Instagram, segundo dados do portal. O jingle da campanha do psiquiatra atingiu 12 milhões de visualizações e 584 mil curtidas em apenas quatro dias.

O movimento ganhou força com vídeos favoráveis publicados por influenciadores. Pablo Marçal, um dos nomes mais influentes nas redes, se aproximou de Cury. A relação entre os dois, porém, antecede a atual campanha presidencial. Influenciadores como Caio Coppolla, Nego do Borel, Manoel Gomes, Yuri Meirelles e Raphael Soares também manifestaram apoio público ao candidato. Os vídeos geralmente mencionam algum livro de Cury seguido de análise sobre o voto.


 

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Augusto Cury (Vídeo: reprodução/Instagram/@augustocury)


Questionamentos sobre organicidade

Campanhas adversárias levantam a possibilidade de robôs inflarem artificialmente os números de Cury nas redes sociais. A Quaest, responsável pelo índice de popularidade digital, afirma que seu IPD identifica e exclui perfis de robôs do cálculo. Institutos com entrevistas por telefone e internet mostraram crescimento acentuado para o psiquiatra, mas as pesquisas presenciais trarão dimensionamento mais preciso. A Quaest divulga novo levantamento na quarta-feira e o Datafolha na quinta-feira.

Nas últimas pesquisas, Cury marcou 2% tanto na Quaest quanto no Datafolha. Ficava atrás dos demais candidatos que tentam ser alternativas a Lula e Flávio. O crescimento dos últimos dias coloca o psiquiatra em posição relevante após sua participação em debate de TV e entrevista à TV Globo.

Júlio Delgado, candidato a vice de Cury na chapa do Avante, afirmou que o movimento aponta para terceiro lugar nas próximas pesquisas. “Nossa leitura é que as pesquisas da semana vão trazer o doutor Augusto em terceiro. Estamos consolidando essa posição de tentar encontrar um buraquinho na bolha da polarização”, declarou o ex-deputado federal.

Antes da candidatura

Nos primeiros meses do ano, Cury procurou diversos partidos, conforme documentado pela newsletter Jogo Político do portal O Globo. O psiquiatra esteve com representantes de Republicanos, PSD, MDB, PSB, PSDB e Podemos. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, testou internamente a possibilidade de filiação de Cury, mas lideranças do partido refutaram a ideia.

A chegada de Cury ao Avante foi vista como estratégica para ambos os lados. O psiquiatra, com milhões de seguidores, conseguiu legenda para disputar o Planalto. O partido ganhou um nome forte para impulsionar a votação de deputados federais, o que determina se a legenda alcança a cláusula de barreira. O Avante, porém, faz observações internas para corrigir lacunas identificadas no candidato, entre elas o que chamam de “tom professoral” que precisaria ser trocado por linguajar mais palatável ao eleitorado.

A agenda de Cury na favela da Rocinha, no sábado, exemplificou a adaptação buscada pela campanha. O candidato usou jingle que é uma adaptação do “Rap da felicidade” e estampou a letra do refrão em camiseta durante a visita à comunidade. A campanha entende que a associação entre o escritor e o candidato se fortaleceu com a exposição em televisão.

Quem é Augusto Cury

Cury apresenta-se como “o psiquiatra mais lido do mundo”. Tem mais de 40 milhões de livros vendidos em cerca de 70 países. Sua obra inclui ficção, como “O vendedor de sonhos”, e livros com pegada de autoajuda. O psiquiatra participou de programas de TV como apresentador e comentarista antes de anunciar sua candidatura à presidência.

Propostas polêmicas

Propostas defendidas por Cury em entrevistas recentes viralizaram nas redes sociais. O candidato propôs contratar influenciadores para divulgar trabalhos de instituições brasileiras como o Itamaraty, afirmando que seria forma de ajudar a “vender o Brasil” ao mundo. Também sugeriu usar drones no combate ao feminicídio. “(O drone) se aciona na delegacia, ele sai da delegacia antes do policial e faz uma sirene de alerta. E isso pode evitar que o predador, que age rapidamente, possa matá-la ou agredi-la”, explicou o presidenciável na TV Globo.

Kim Kataguiri (Missão-SP), aliado de Renan Santos, criticou as propostas. “Eu nunca vi nem a Dilma (Rousseff) falar tantas bobagens quanto este senhor. O Brasil não aguenta mais tanta picaretagem”, escreveu Kataguiri no Instagram.

Renan Santos tentou minimizar o movimento de Cury. “Há um momento de forte despolitização no Brasil. É a eleição mais desengajada que eu vi desde 2010. Para as pessoas que estão cansadas da hiperpolitização nos últimos anos, talvez (Cury) seja um produto que faça sentido momentaneamente”, avaliou o candidato da Missão.

Ronaldo Caiado (PSD) comentou o movimento de Cury em tom mais moderado. “Isso mostra que a população brasileira não quer mais nem Lula e nem Flávio. A população brasileira começou a se movimentar agora para buscar um candidato do segundo pelotão”, disse Caiado em entrevista à Jovem Pan.

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