NABEP assumirá controle de campos de petróleo na Venezuela

Órgão terá o controle operacional do negócio e o governo dos EUA terá direito a uma participação de 35% na empresa; aquisição faz parte de acordo de Trump

01 set, 2026
A petrolífera americana NABEP assumirá o controle de campos de petróleo venezuelanos anteriormente operados por empresas chinesas e russas | Reprodução/Instagram/@thecitizentz
A petrolífera americana NABEP assumirá o controle de campos de petróleo venezuelanos anteriormente operados por empresas chinesas e russas | Reprodução/Instagram/@thecitizentz

A petrolífera americana North American Blue Energy Partners (NABEP) assumirá o controle de campos de petróleo na Venezuela que eram operados por empresas chinesas e uma companhia russa, disseram dois funcionários americanos à Reuters nesta segunda-feira (31). A transferência faz parte de um amplo acordo de produção de petróleo anunciado pelo presidente Donald Trump com o governo venezuelano, segundo as autoridades.

Contratos concedidos à NABEP

Os campos estão entre os 14 projetos recentemente concedidos à NABEP, empresa apoiada pelo governo dos Estados Unidos. A companhia pertencia anteriormente ao magnata do petróleo americano Harry Sargeant e agora é controlada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt.

A Venezuela é abençoada com abundância de recursos naturais, pessoas trabalhadoras e um potencial inexplorado”, disse Betancourt em comunicado, confirmando o acordo. “Esta transação liberará esse potencial para o grande benefício tanto dos venezuelanos quanto dos americanos.

A NABEP terá o controle operacional dos projetos. O governo americano terá direito a uma participação de 35% na empresa, além de “acesso preferencial” a 20% da produção a preço de custo. Segundo a Casa Branca, a NABEP também concedeu ao Departamento de Estado dos EUA direito de preferência na compra dos 80% restantes da produção.


 Betancourt construiu sua fortuna em contratos de energia durante o governo de Hugo Chávez (Foto: reprodução/Instagram/@bloomberglineabrasil)


EUA ampliam acesso ao petróleo venezuelano

Na semana passada, Trump anunciou que os Estados Unidos haviam garantido acesso a cerca de 64 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela por meio de uma parceria com empresas privadas.

O acordo dá às companhias americanas uma posição estratégica em alguns dos principais ativos petrolíferos venezuelanos e reduz a participação de empresas chinesas e russas no setor energético do país. A iniciativa também amplia o papel de Washington na definição de quem produz e comercializa o petróleo venezuelano.

A Casa Branca afirmou ainda que os EUA terão poder de veto sobre o conselho e os diretores da NABEP. A maioria dos integrantes do conselho deverá ser formada por cidadãos americanos.

Ao todo, a NABEP deverá controlar 17 projetos na Venezuela, que pretende desenvolver e, posteriormente, utilizar para fornecer petróleo aos Estados Unidos. Os 14 novos projetos foram concedidos pelo governo venezuelano, segundo as autoridades.

Empresas chinesas perdem espaço

Cinco dos 14 campos eram operados por empresas chinesas, segundo um modelo promovido durante o governo do então presidente Nicolás Maduro. Outro era administrado anteriormente por uma empresa russa, de acordo com as autoridades americanas.

Dois projetos eram operados pela China Concord Resources, sancionada pelos Estados Unidos em 2019 por atividades relacionadas ao Irã. Outros campos eram administrados pela Sinopec e pela China National Petroleum Corporation (CNPC).

“Não estamos apenas abrindo novas oportunidades para o governo dos EUA e para as empresas petrolíferas americanas, mas também estamos abrindo os Estados Unidos como mercado para esse petróleo que antes era enviado para a China”, disse um funcionário americano.

Outros dois projetos eram operados por empresas ligadas a Alex Saab, ex-colaborador próximo de Maduro que atualmente está sob custódia dos Estados Unidos. Outro campo foi associado a um sobrinho de Cilia Flores, mulher de Maduro, segundo as autoridades.

Trump afirmou na manhã de segunda-feira que os Estados Unidos estavam retirando “milhões e milhões de barris de petróleo” da Venezuela, destinados a refinarias no Texas, na Louisiana e em outros locais. O presidente deverá se reunir na terça-feira com varejistas e representantes de refinarias de petróleo e gás.


Objetivo de governo Trump é afastar empresas chinesas e russas de território venezuelano (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Annabelle Gordon)


Negociações para transição política

Paralelamente às mudanças no setor petrolífero, autoridades americanas afirmam que representantes do governo interino da Venezuela e da Assembleia Nacional eleita em 2015 negociam medidas para restaurar um mínimo de ordem constitucional e tratar de questões legais relacionadas à transição política.

O governo Trump considera a Assembleia Nacional de 2015 o último órgão legislativo venezuelano eleito e em funcionamento sob a Constituição do país, embora o grupo não tenha poder governamental formal.

Segundo um funcionário americano, um acordo com a Assembleia de 2015 poderia criar uma base constitucional e legal para uma transição mais ampla. O entendimento também serviria de respaldo para decisões econômicas, incluindo a reconstrução da indústria petrolífera venezuelana.

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