Metadados indicam que Moraes editou contrato de R$ 131 milhões entre escritório da esposa e Vorcaro

Escritório Barci de Moraes afirma ter consultado ministro sobre impedimentos legais antes de assinar contrato de prestação de serviços advocatícios

01 set, 2026
Alexandre de Moraes | Reprodução/X/@gazetadopovo
Alexandre de Moraes | Reprodução/X/@gazetadopovo

Metadados de arquivo digital extraído durante investigações apontam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, editou um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro. A informação foi publicada por O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo.

Os registros digitais foram extraídos do celular de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. O arquivo foi compartilhado via WhatsApp pela esposa do ministro para o empresário, e seus metadados revelam a sequência de edições realizadas no documento.

Como os registros foram obtidos

Viviane enviou a minuta inicial do contrato em 11 de janeiro de 2024, às 17h30. Vorcaro devolveu o documento com revisões em 15 de janeiro do mesmo ano, às 21h22. A última modificação ocorreu no mesmo dia, às 23h04, cerca de uma hora e quarenta minutos depois.

Segundo relatório da Polícia Federal, o arquivo aponta em seus metadados a sequência de autores. A análise das propriedades do documento no Microsoft Office 365 identificou quem realizou cada alteração. Guilherme Benazzi aparece como administrador do escritório Barci de Moraes na versão inicial.

“O arquivo compartilhado (‘MINUTA DE CONTRATO’) aponta em seus metadados como autor usuário denominado Guilherme Benazzi e a última modificação realizada por usuário denominado ‘Ministro Alexandre de Moraes’, às 16h30 – 03:00 do dia 11/01/2024”

O contrato previa atuação jurídica e consultoria estratégica do escritório Barci de Moraes ao Banco Master. Os honorários globais alcançam cifra de cerca de R$ 130 milhões.

Resposta do escritório

O escritório Barci de Moraes confirmou que Moraes acessou e editou o documento. Conforme a defesa, antes de assinar o contrato, o setor de compliance da banca consultou o ministro sobre possíveis impedimentos legais para a prestação de serviços ao Banco Master.

A consulta foi feita na condição de marido da sócia diretora do escritório. Segundo o comunicado, a compliance solicitou informações sobre ações em tramitação no STF ou participações em julgamentos que pudessem criar conflito. A abrangência do pedido de contratação motivou a busca por clareza.

Após a análise, o escritório concluiu que não havia impedimentos. Moraes nunca julgou causas envolvendo o Banco Master, segundo as informações da defesa. Com essa conclusão, o contrato foi assinado e os serviços foram devidamente prestados.

“Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”


Alexandre de Moraes e sua esposa Viviane (Foto: reprodução/Getty Images Embed/EVARISTO SA)


Contexto da investigação

Os metadados foram apreendidos na Operação Compliance Zero, desencadeada pela Polícia Federal em novembro de 2025. A análise técnica do documento no ambiente do Microsoft Office 365 permitiu a extração das informações sobre modificações e seus autores, incluindo horários precisos.

A troca de mensagens iniciada em 11 de janeiro de 2024 culminou com a versão final enviada por Viviane após a edição de Moraes. Os registros digitais comprovam a participação do ministro no processo de elaboração do instrumento.

A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre o assunto até o momento. O documento foi extraído do celular do empresário durante as buscas executadas no âmbito da operação.

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