Dívida dos EUA passa de 40 trilhões de dólares

Embora Donald Trump tenha prometido reduzir gastos e impulsionar a economia, o déficit continua elevado e a dívida segue aumentando

07 set, 2026
Em 19 meses de seu segundo mandato, governo Trump viu dívida aumentar em US$ 4 trilhões | Reprodução/White House/whitehouse.gov
Em 19 meses de seu segundo mandato, governo Trump viu dívida aumentar em US$ 4 trilhões | Reprodução/White House/whitehouse.gov

Em 18 de agosto de 2026, a dívida nacional bruta dos Estados Unidos atingiu a marca de 40 trilhões de dólares, segundo noticiado pela mídia americana. Quando Donald Trump assumiu o governo dos Estados Unidos em janeiro de 2025, a dívida dos EUA era de 36 trilhões de dólares. Em um período de 19 meses, o governo Trump acumulou cerca de US$ 4 trilhões em dívidas. Gastos maiores do que arrecadações, guerras e diminuição de impostos contribuem para a situação. O custo para financiar a dívida também aumentou.

Entenda a dívida dos EUA

Embora Trump sempre prometesse diminuir a dívida dos EUA, seus dois mandatos têm feito o oposto. Em seu primeiro mandato, políticas aprovadas por Trump foram associadas a um aumento da dívida dos Estados Unidos em cerca de US$ 8,4 trilhões em um novo endividamento projetado para 10 anos. Em 19 meses de seu atual mandato, a dívida dos EUA passou de 40 trilhões, impulsionada pela lei tributária, diversas medidas de redução da imigração e pelas tarifas mais altas. A guerra no Irã, que já dura 6 meses, também pode influenciar negativamente a dívida.


 

 

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Renata Ribeiro explica o que é o déficit (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)

 


Os conservadores americanos têm defendido que impostos mais baixos e menor supervisão governamental iriam impulsionar a economia americana. Segundo os defensores dessa teoria, essas ações poderiam resultar em mais investimentos, mais receita tributária e alívio dos custos de programas de combate à pobreza. No entanto, o contrário tem acontecido.

Trump havia dado para Elon Musk a missão de reduzir gastos do governo, criando o agora extinto DOGE. Na época, Musk afirmou que cortaria até US$ 2 trilhões do orçamento do governo. A agência afirmou que o governo economizou US$ 110 bilhões. No entanto, o Escritório de Responsabilidade Governamental questionou os números, chamando-os de “alegações exageradas”.

De acordo com o CBO, órgão orçamentário não partidário do Congresso americano, em linhas gerais, o governo de Trump diminuiu os impostos para investidores e grandes empresas. No entanto, políticas como as tarifas aumentaram os custos de consumo para os cidadãos comuns.

Estados Unidos enfrentam dívida há anos

Trump e os republicanos aumentaram a dívida dos Estados Unidos, mas não foram os responsáveis por criá-la. Governos anteriores, incluindo os democratas, foram responsáveis por aumentar significativamente a dívida do país. Ronald Reagan e George W. Bush também cortaram impostos, além das guerras do governo de Bush. Barack Obama aumentou a dívida com estímulos após a crise financeira de 2008, enquanto Joe Biden deu estímulos após a pandemia de COVID-19.

De acordo com Maya MacGuineas, presidente do grupo Comitê para um Orçamento Federal Responsável, Trump é culpado por não ter feito nada para melhorar a situação, embora não seja o único responsável pelo déficit dos EUA:

A maneira como chegamos a este ponto não foi culpa dele, mas o fato de estarmos nesta situação e de os parlamentares não terem feito nada para melhorá-la é culpa de todos eles, com o presidente claramente ocupando um papel central e definindo a agenda.” — disse MacGuineas.

Maya também explicou que o grande problema da questão é que os gastos do governo dos Estados Unidos não foram reduzidos: “Não é que não se possa cortar impostos. É possível, mas é preciso combinar isso com cortes de gastos, e eles não têm sido feitos.

Possíveis consequências para os americanos

Se a dívida dos Estados Unidos continuar aumentando, uma crise fiscal poderá ocorrer. Sendo assim, futuros governos podem ter que tomar atitudes impopulares. Aumentar impostos e diminuir a rede de proteção social, incluindo os aposentados e demais beneficiários do Social Security. “Não existe cenário possível em que se possa analisar o histórico do presidente Trump, tanto neste mandato quanto no anterior, e declará-lo um sucesso fiscal”, disse MacGuineas.

Essa situação ocorre pouco tempo antes das eleições de meio de mandato de novembro. Essas eleições são importantes para o governo Trump, pois irão determinar se os republicanos irão continuar sendo maioria no Congresso na metade final do governo do magnata. No entanto, é possível que os eleitores não levem a questão a sério até o momento em que a crise desencadear o aumento de impostos e cortes de programas sociais. Entretanto, as polêmicas acumuladas da primeira metade do segundo mandato de Trump, como a guerra no Irã e as tarifas sobre produtos importados, podem influenciar parte dos eleitores a votar nos democratas.

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