Esposa de Lito Souza nega favorecimento para conseguir remédio experimental: “Foi tudo por conta própria”
Esposa do influenciador explicou em vídeos que a família seguiu trâmites legais e que qualquer cidadão pode pleitear acesso a medicamentos compassivos
Mila Seidl, mulher do influenciador Lito Sousa, negou neste sábado (5) que a autorização para o acesso do marido a um medicamento experimental tenha ocorrido por favorecimento. Em vídeos publicados nas redes sociais, ela explicou que a família buscou alternativas de tratamento por meio de procedimentos previstos na legislação e manteve contato direto com a farmacêutica responsável pelo desenvolvimento da substância.
Lito foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma enfermidade neurodegenerativa rara e progressiva para a qual não há, atualmente, tratamento capaz de interromper sua evolução. Diante da ausência de alternativas convencionais, a família passou a buscar possibilidades de acesso a medicamentos experimentais.
Mila explica como família buscou tratamento
Segundo Mila, o chamado uso compassivo não representa uma autorização criada especificamente para o caso de Lito. Ela afirmou que se trata de uma modalidade regulamentada e que outros pacientes em situações semelhantes também podem solicitar o acesso.
“Vi algumas pessoas falando que a Anvisa abriu uma exceção rara. Não foi, gente. Isso é um regulamento, tá previsto em lei. Tem um trâmite legal que precisa ser cumprido pra você fazer isso. Não é algo que foi feito excepcionalmente para o Lito, isso existe e qualquer cidadão numa situação como essa pode pleitear.”
A família inicialmente tentou incluir Lito em um estudo experimental. A possibilidade, porém, não avançou porque o estudo já estava fechado para novos participantes. De acordo com Mila, a negativa não ocorreu por falta de requisitos apresentados pelo paciente.
Diante disso, os familiares passaram a buscar outra alternativa e recorreram ao uso compassivo. A estratégia envolveu uma reunião com representantes da empresa responsável pelo medicamento e a preparação de documentos médicos e administrativos.
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Esposa de Lito Souza nega favorecimento para conseguir remédio (Vídeo: reprodução/@estadodeminas)
Processo envolveu farmacêutica e órgãos reguladores
Mila contou que se preparou com o médico que acompanha Lito e reuniu exames, documentos clínicos e informações fornecidas pela farmacêutica.
“Eu me preparei bastante, eu e o doutor Fugino. Então, a gente estava bem munido com os documentos que a farmacêutica passou, com os exames, com tudo.”
Segundo o relato, representantes da Regeneron Pharmaceuticals autorizaram o uso compassivo diante do interesse no caso. A partir daí, a família precisou cumprir as etapas administrativas necessárias.
A tramitação envolveu diferentes instituições. O processo passou pela farmacêutica, pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de depender de aprovação da FDA, nos Estados Unidos.
Mila afirmou que o procedimento mais rápido levou aproximadamente uma semana e descreveu o período como angustiante para a família.
“Mesmo assim, sendo muito sincera, foi muito angustiante, porque esse fluxo mais rápido levou, sei lá, uma semana. Em uma semana, a gente perdeu algumas coisas.”
Anvisa autoriza importação do medicamento
A Anvisa autorizou na sexta-feira (4) a importação do medicamento ALN-657 para Lito em caráter excepcional. Conforme as informações citadas pela InfoMoney, a decisão considerou a rápida progressão da doença e a ausência de patrocinador do medicamento no Brasil.
O ALN-657 é desenvolvido pela Regeneron Pharmaceuticals e, segundo informações divulgadas pela InfoMoney, ainda se encontra em fase pré-clínica. Isso significa que não havia, até as informações apresentadas, estudos clínicos formalmente iniciados em seres humanos especificamente para o tratamento da doença de Creutzfeldt-Jakob.
O uso compassivo é destinado a pacientes com doenças graves, debilitantes ou que representem risco à vida quando não existem alternativas terapêuticas satisfatórias disponíveis. A análise dos pedidos considera fatores como a gravidade e o estágio da doença e a ausência de outras opções de tratamento.
Família quer ajudar outros pacientes
De acordo com dados da Anvisa citados pela InfoMoney, 48 programas de uso compassivo foram autorizados em 2024, com tempo médio de autorização de 15 dias. O processo relacionado a Lito ocorreu em prazo inferior a essa média.
Após conseguir a autorização, Mila afirmou que pretende compartilhar informações sobre o caminho percorrido pela família. A intenção é orientar outras pessoas que enfrentam doenças raras e situações em que as opções convencionais de tratamento são limitadas.
Ela também destacou que a família conduziu o processo por conta própria, contando com o apoio dos profissionais envolvidos e da farmacêutica.
“De verdade, foi tudo assim por conta própria.”
O caso de Lito ocorre em meio à busca por alternativas experimentais diante da evolução da doença, enquanto a família tenta ampliar as possibilidades de tratamento dentro dos mecanismos regulatórios disponíveis.
