Xi Jinping prioriza encontro com Trump durante visita aos EUA

Presidente chinês concentra agenda em Washington enquanto Han Zheng representa a China na Assembleia Geral; encontro abordou temas como comércio e IA

25 set, 2026
Donald Trump e Xi Jinping | Reprodução/Instagram/@peoples_daily
Donald Trump e Xi Jinping | Reprodução/Instagram/@peoples_daily

O presidente da China, Xi Jinping, decidiu não discursar na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas enquanto visita os Estados Unidos e mantém reuniões com Donald Trump em Washington. A delegação chinesa será comandada pelo vice-presidente Han Zheng no plenário da ONU neste sábado (26). Especialistas ouvidos pelo g1 acreditam que a decisão foi planejada e tem relação com a importância atribuída por Pequim ao encontro bilateral.

Xi desembarcou na capital americana na quarta-feira (23), e Trump saiu de Nova York depois de participar da abertura da Assembleia Geral e de comparecer em reuniões reservadas com outros chefes de Estado. Maurício Santoro, professor de relações internacionais da UERJ, afirma que a recepção oferecida ao líder chinês não está no padrão adotado com outras autoridades estrangeiras. O especialista acredita que o tratamento dado por Trump deixa claro que há uma relevância concedida à visita.

Xi concentra agenda bilateral

Durante a passagem pela Casa Branca, Xi e Trump conversaram no Salão Oval na manhã de quinta-feira (24), no horário local. O presidente chinês disse que os dois líderes fizeram visitas recíprocas em menos de seis meses, classificando os encontros como algo inédito na história das relações entre China e Estados Unidos.

Xi afirmou que quer manter canais de comunicação com Trump e lutar pela estabilidade das relações entre os dois países. Ele também mencionou uma nova rodada de consultas entre as delegações econômicas e comerciais, que resultou em um acordo conjunto. O líder chinês avalia que os entendimentos podem beneficiar os setores produtivos, a população e a economia global.


Discurso de  Xi Jinping em Washington (Vídeo: reprodução/X/@noFrontMilitar)


Outro tema abordado foi a inteligência artificial. Xi defendeu manter o diálogo sobre os riscos e benefícios da tecnologia, além de trabalhos conjuntos para evitar usos indevidos ou maliciosos. Também pediu que Washington mantenha sua posição contrária à independência de Taiwan e trate da questão com cautela.

ONU fica fora da agenda

A ausência de Xi no plenário da ONU trouxe um contraste com sua participação constante em outros encontros multilaterais. Desde que assumiu a Presidência chinesa, em 2013, ele discursou presencialmente na Assembleia Geral somente uma vez, em 2015, mas nos últimos meses, marcou presença em eventos como a Cúpula dos BRICS, na Índia, e a reunião da Organização para Cooperação de Xangai, no Quirguistão.

Para Santoro, a escolha de Han Zheng mostra a preferência chinesa por fóruns nos quais Pequim tem maior influência ou convergência política. Larissa Wachholz avalia que a decisão não significa abandono do multilateralismo. Ela argumenta que a prioridade dada à visita aos Estados Unidos tem o intuito de concentrar atenção no relacionamento bilateral.

Trump afirmou que a visita de Xi é um grande acontecimento e que tem expectativa para avanços nas relações entre os países. O presidente americano também defendeu manter as conversas econômicas e o diálogo sobre inteligência artificial.

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