Mendonça consulta PGR sobre mensagens em que Vorcaro teria pedido proteção a Alexandre de Moraes

Ministro deu prazo de cinco dias para a Procuradoria se manifestar sobre relatório da Polícia Federal com conversas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes

01 set, 2026
André Mendonça | Reprodução/X/@eixopolitico
André Mendonça | Reprodução/X/@eixopolitico

O ministro do STF André Mendonça pediu à Procuradoria-Geral da República que se manifeste sobre um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mendonça deu prazo de cinco dias para a PGR responder. As mensagens mostram Vorcaro pedindo proteção de autoridades para evitar investigações sobre o banco, conforme informado pelo Metrópoles e confirmado por fontes ligadas à investigação.

O relatório foi produzido pela Polícia Federal a partir de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Nelas, o banqueiro pedia proteção a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e a Paulo Gonet, procurador-geral da República. As mensagens foram enviadas uma semana antes da primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro.

As mensagens de Vorcaro

Em uma das mensagens, Vorcaro pediu atraso na operação que investigava o Banco Master. “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu ao interlocutor.

“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”

Um dia antes desse pedido, Vorcaro fez um desabafo a Moraes sobre a situação. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, lamentou o banqueiro.

“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”

Inicialmente, as mensagens não identificavam o destinatário. Mendonça solicitou à Polícia Federal que identificasse o interlocutor. A PF concluiu que era Alexandre de Moraes.


mostra o retrato de um homem, Daniel Vorcaro, da cintura para cima, posicionado ligeiramente à esquerda do centro. Ele tem pele clara, cabelos castanhos curtos e levemente penteados para trás, olhos castanhos e uma barba bem aparada com bigode. Ele está vestindo uma camisa social de manga longa, na cor azul-clara, com os primeiros botões abertos na gola.

Daniel Vorcaro (Foto: reprodução/Instagram/@cartacapital)


Proximidade e vazamento

No dia 17 de novembro, Vorcaro foi preso às 22h no aeroporto de Guarulhos. Ele tentava embarcar em um jato particular para Dubai, com escala em Malta. Na manhã daquele dia, havia enviado mensagens a Moraes pelo WhatsApp. “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, perguntou.

“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”

Moraes respondeu com três mensagens de visualização única, que se apagam automaticamente após serem lidas. Conforme investigadores, há registros de telefonemas entre eles, documentados no material apreendido e periciado pela Polícia Federal. Quando questionado sobre as mensagens, Moraes negou sua existência.


Ministro Alexandre de Moraes (Foto: reprodução/Getty Images Embed/SERGIO LIMA)


A proximidade entre Vorcaro, Moraes e autoridades aparece também em outro contexto. Em abril de 2024, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues participaram de uma degustação de uísque promovida por Vorcaro em Londres, durante um fórum jurídico patrocinado pelo Banco Master. A operação que investigava o banco vazou para Vorcaro, e Moraes discutiu o assunto ativamente com ele nas mensagens. Não se sabe que movimentos Moraes fez em relação ao caso.

Segundo O Globo, há contrato de prestação de serviços entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher de Moraes. O acordo previa pagamento de R$ 3,6 milhões mensais pela defesa dos interesses do banco em Brasília, totalizando R$ 129 milhões. Foram pagos R$ 80 milhões antes da prisão de Vorcaro, que ocorreu em janeiro de 2024.

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