CVM condena Daniel Vorcaro e Banco Master por fraude em fundo imobiliário

Condenação foi unânime. Pai e primo também recebem multas; Banco Master pagará R$ 47,5 milhões no total

08 set, 2026
Ex-banqueiro, Daniel Vorcaro | Reprodução/X/@bcppolitica
Ex-banqueiro, Daniel Vorcaro | Reprodução/X/@bcppolitica

A Comissão de Valores Mobiliários condenou, em votação unânime nesta terça (8), Daniel Vorcaro a pagar R$ 20 milhões por participação em fraude imobiliária. O Banco Master e empresas relacionadas à família foram condenados a desembolsar R$ 47,5 milhões. O julgamento investigou negócios fraudulentos realizados desde 2018 envolvendo o fundo Brazil Realty com ativos artificialmente inflacionados.

Também receberam condenações neste mesmo julgamento o pai de Daniel, Henrique Vorcaro, com multa de R$ 20 milhões, e o primo Felipe Vorcaro, com R$ 5 milhões. A CVM condenou ao todo sete pessoas e nove empresas. Os três membros da família encontram-se em prisão preventiva desde maio por acusações criminais relacionadas aos mesmos fatos.

O processo administrativo começou em 2020 investigando irregularidades na emissão e distribuição de cotas do fundo. A fraude funcionava por meio da superavaliação de imóveis que posteriormente entravam no fundo. Um centro médico avaliado em R$ 7 milhões ingressou no Brazil Realty com valor de R$ 70 milhões, sustentado por laudo falsificado, conforme apurado pela CVM. Essa inflação artificial de preços permitia que as cotas fossem negociadas a valores distorcidos, causando prejuízos a quem as adquiria desconhecendo a real situação dos ativos.

A argumentação do relator

O diretor João Accioly, relator do caso perante o colegiado da CVM, rejeitou a defesa apresentada por Daniel Vorcaro. Seu argumento era que ele teria sofrido prejuízo pessoal de quase R$ 7 milhões. O relator considerou irrelevante essa perda diante dos ganhos auferidos pelo Banco Master, pelas demais empresas da família e por outros participantes do esquema.

Para demonstrar o ponto, Accioly recorreu a uma comparação:

“Então, alegar uma perda nominal na pessoa física, enquanto outros veículos auferiam ganho, seria como um assaltante de banco dizer que teve prejuízo porque teve que pagar o táxi para ir até o banco para assaltar. Então, voto assim pela condenação de Banco Master, Daniel Vorcaro e Viking Participações pela prática de operação fraudulenta.”


Dono do banco master, Daniel Vorcaro homem de cabelos castanhos claros aparece em pé diante de uma parede de pedra clara, usando camisa polo branca de mangas longas e calça marrom. Com as mãos unidas à frente do corpo, ele parece falar ou posar para uma fotografia em um ambiente interno sofisticado, com plantas ao fundo

Daniel Vorcaro (Foto: reprodução/X/@dcm_noticias)


Estrutura das punições

As condenações aplicadas pelo colegiado refletiram a avaliação sobre gravidade e alcance das operações ilícitas. Daniel Vorcaro recebeu multa de R$ 20 milhões. Seu pai, Henrique Vorcaro, também foi condenado a R$ 20 milhões. Felipe Vorcaro, primo de Daniel, recebeu multa de R$ 5 milhões.

O Banco Master e as empresas familiares relacionadas à fraude foram condenados solidariamente a pagar R$ 47,5 milhões. As empresas incluídas nesta condenação são Viking Participações (ligada a Daniel), Milo Investimentos (ligada a Henrique) e MG1 Desenvolvimento (ligada a Felipe).

Os condenados têm o direito de recorrer da decisão ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, instância administrativa superior no sistema financeiro. A votação foi unânime, o que significa que todos os membros do colegiado da CVM concordaram tanto com as condenações quanto com os valores das multas.

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