Homem é condenado por planejar assassinato de Tupac quase 30 anos após crime
Ex-líder de gangue foi considerado culpado de orquestrar o tiroteio que matou o ícone do hip-hop em Las Vegas
Um júri de Las Vegas condenou Duane ‘Keffe D’ Davis, de 63 anos, por homicídio com uso de arma letal no assassinato do rapper Tupac Shakur em 1996. A condenação, anunciada nesta segunda-feira (31), marca a primeira em um caso que intrigou fãs de hip-hop por quase três décadas. Davis pode ser sentenciado à prisão perpétua.
O júri deliberou por cerca de três horas após julgamento que durou semanas em Las Vegas. De acordo com o G1, o júri era composto por 16 jurados e quatro suplentes, que ouviram 24 testemunhas de acusação e 3 de defesa ao longo de 9 dias.
O caso contra Davis
O vice-procurador Binu Palal argumentou que Davis adquiriu uma arma e “saiu à caça” de Shakur e do cofundador da Death Row Records, Marion “Suge” Knight. A motivação, segundo Palal, foi que Shakur e Knight espancaram o sobrinho de Davis naquela noite. Palal reconheceu que os relatos de Davis evoluíram ao longo dos anos, mas ressaltou um detalhe que permaneceu consistente: Davis repetidamente se colocou dentro do Cadillac branco de onde os tiros foram disparados.
“Os fatos essenciais permanecem. Os fatos materiais permanecem”, disse o vice-procurador Binu Palal aos jurados.
O advogado de defesa Michael Sanft desafiou os jurados a identificarem provas além das declarações de Davis. Apontou ausência de imagens de câmeras de segurança, registros telefônicos e outras evidências materiais. Sanft também questionou a presença de Davis em Las Vegas em 7 de setembro de 1996:
“Eles não têm nada neste caso que indique que esse homem estava aqui em Las Vegas em 7 de setembro de 1996”, disse o advogado.
Duane Davis (Foto: reprodução/ Pool/ Getty Images Embed)
A versão de Davis
Davis relatou estar no banco do passageiro da frente do Cadillac branco. Segundo seu depoimento, havia entregado a arma a um dos dois homens sentados atrás dele. Os outros três homens que estavam no Cadillac com Davis já morreram, o que impossibilita testemunhas diretas de seu relato. De acordo com a lei de Nevada, Davis pode ser acusado de homicídio se tiver participado do crime sem ter puxado o gatilho.
Nem o relato de Davis nem as autoridades revelaram quem disparou contra Tupac Shakur. O mistério de quem puxou o gatilho permanece não resolvido mesmo após a condenação.
A investigação ficou paralisada por anos. A polícia afirmou que as declarações de Davis em 2018 a diversos veículos de mídia reativaram o caso. Davis falou sobre seu envolvimento no tiroteio em entrevistas e em seu livro de memórias de 2019.
Ver esta publicação no Instagram
Condenação de Duane ‘Keffe D’ Davis (Vídeo: reprodução/Instagram/@hugogloss)
Davis foi considerado por muito tempo suspeito dos assassinatos de Tupac e de Christopher Wallace, conhecido como The Notorious B.I.G. Wallace foi morto a tiros em Los Angeles em março de 1997. Investigadores especulam que o assassinato de Wallace foi em retaliação ao de Shakur, mas essa conexão nunca foi confirmada.
Sekyiwa Shakur, irmã do rapper, compareceu ao julgamento. Após o veredito, ela abraçou um homem sentado atrás dela e enxugou os olhos com lenço, segundo transmissão ao vivo da Associated Press. Maurice Shakur, meio-irmão do rapper, entrou com processo de homicídio culposo em Los Angeles, conforme informou o G1.
Davis foi preso no fim de 2023. A sentença está marcada para 13 de outubro. A juíza determinou que Davis permanecesse detido sem fiança. Davis declarou na sala de audiências que pretende recorrer da decisão. Qualquer recurso acontece após a sentença, quando ele pode enfrentar pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
