Homem é condenado por planejar assassinato de Tupac quase 30 anos após crime

Ex-líder de gangue foi considerado culpado de orquestrar o tiroteio que matou o ícone do hip-hop em Las Vegas

01 set, 2026
Tupac e Duane "Keffe D" Davis I Reprodução/Instagram/@2pacunlimited/@fvtvmedia
Tupac e Duane "Keffe D" Davis I Reprodução/Instagram/@2pacunlimited/@fvtvmedia

Um júri de Las Vegas condenou Duane ‘Keffe D’ Davis, de 63 anos, por homicídio com uso de arma letal no assassinato do rapper Tupac Shakur em 1996. A condenação, anunciada nesta segunda-feira (31), marca a primeira em um caso que intrigou fãs de hip-hop por quase três décadas. Davis pode ser sentenciado à prisão perpétua.

O júri deliberou por cerca de três horas após julgamento que durou semanas em Las Vegas. De acordo com o G1, o júri era composto por 16 jurados e quatro suplentes, que ouviram 24 testemunhas de acusação e 3 de defesa ao longo de 9 dias.

O caso contra Davis

O vice-procurador Binu Palal argumentou que Davis adquiriu uma arma e “saiu à caça” de Shakur e do cofundador da Death Row Records, Marion “Suge” Knight. A motivação, segundo Palal, foi que Shakur e Knight espancaram o sobrinho de Davis naquela noite. Palal reconheceu que os relatos de Davis evoluíram ao longo dos anos, mas ressaltou um detalhe que permaneceu consistente: Davis repetidamente se colocou dentro do Cadillac branco de onde os tiros foram disparados.

“Os fatos essenciais permanecem. Os fatos materiais permanecem”, disse o vice-procurador Binu Palal aos jurados.

O advogado de defesa Michael Sanft desafiou os jurados a identificarem provas além das declarações de Davis. Apontou ausência de imagens de câmeras de segurança, registros telefônicos e outras evidências materiais. Sanft também questionou a presença de Davis em Las Vegas em 7 de setembro de 1996:

“Eles não têm nada neste caso que indique que esse homem estava aqui em Las Vegas em 7 de setembro de 1996”, disse o advogado.


Duane Davis (Foto: reprodução/ Pool/ Getty Images Embed)


A versão de Davis

Davis relatou estar no banco do passageiro da frente do Cadillac branco. Segundo seu depoimento, havia entregado a arma a um dos dois homens sentados atrás dele. Os outros três homens que estavam no Cadillac com Davis já morreram, o que impossibilita testemunhas diretas de seu relato. De acordo com a lei de Nevada, Davis pode ser acusado de homicídio se tiver participado do crime sem ter puxado o gatilho.

Nem o relato de Davis nem as autoridades revelaram quem disparou contra Tupac Shakur. O mistério de quem puxou o gatilho permanece não resolvido mesmo após a condenação.

A investigação ficou paralisada por anos. A polícia afirmou que as declarações de Davis em 2018 a diversos veículos de mídia reativaram o caso. Davis falou sobre seu envolvimento no tiroteio em entrevistas e em seu livro de memórias de 2019.


 

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Condenação de Duane ‘Keffe D’ Davis (Vídeo: reprodução/Instagram/@hugogloss)


Davis foi considerado por muito tempo suspeito dos assassinatos de Tupac e de Christopher Wallace, conhecido como The Notorious B.I.G. Wallace foi morto a tiros em Los Angeles em março de 1997. Investigadores especulam que o assassinato de Wallace foi em retaliação ao de Shakur, mas essa conexão nunca foi confirmada.

Sekyiwa Shakur, irmã do rapper, compareceu ao julgamento. Após o veredito, ela abraçou um homem sentado atrás dela e enxugou os olhos com lenço, segundo transmissão ao vivo da Associated Press. Maurice Shakur, meio-irmão do rapper, entrou com processo de homicídio culposo em Los Angeles, conforme informou o G1.

Davis foi preso no fim de 2023. A sentença está marcada para 13 de outubro. A juíza determinou que Davis permanecesse detido sem fiança. Davis declarou na sala de audiências que pretende recorrer da decisão. Qualquer recurso acontece após a sentença, quando ele pode enfrentar pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

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