Lula e Trump buscam acordo para evitar novas tarifas dos EUA ao Brasil

Negociações diplomáticas seguem em andamento enquanto o governo brasileiro aposta em um novo encontro entre Lula e Trump para reduzir tensões comerciais

11 jun, 2026
Trump e Lula se cumprimentando | Reprodução/X/@LulaOficial
Trump e Lula se cumprimentando | Reprodução/X/@LulaOficial

O governo brasileiro intensificou os esforços diplomáticos para evitar que os Estados Unidos adotem novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros. Nos bastidores, diplomatas avaliam que um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump, durante a reunião do G7, na França, pode abrir espaço para destravar as negociações e reduzir as tensões entre os dois países.

A estratégia do Palácio do Planalto ocorre em meio à avaliação de que as recomendações apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) possuem forte componente político e não refletem os argumentos técnicos enviados pelo Brasil ao longo dos últimos meses.

Governo brasileiro aposta na via diplomática

Nas últimas semanas, o USTR recomendou que o Brasil seja alvo de novas tarifas com base na chamada Seção 301 da legislação comercial americana, mecanismo utilizado para investigar práticas consideradas desleais ao comércio dos Estados Unidos.

Entre os temas apontados no documento estão o sistema de pagamentos PIX, a política relacionada ao etanol, questões ligadas ao combate ao desmatamento e regras sobre propriedade intelectual.

Desde a abertura da investigação comercial, em julho de 2025, representantes dos governos brasileiro e americano realizaram diversas reuniões, videoconferências e contatos telefônicos. Segundo relatos de diplomatas envolvidos nas negociações, foram apresentados dados oficiais e esclarecimentos técnicos sobre cada um dos pontos questionados.


Lula criticou, nessa quarta (10), a imposição de novas tarifas do governo dos EUA ao Brasil (Vídeo:reprodução/YouTube/@uol)


Apesar disso, integrantes da diplomacia brasileira avaliam que essas informações não foram consideradas na formulação das recomendações americanas. Um dos exemplos citados é a apresentação de dados referentes às políticas de combate ao desmatamento ilegal desenvolvidas pelo Brasil nos últimos anos.

Diante desse cenário, o governo acredita que uma conversa direta entre Lula e Trump pode criar um ambiente político mais favorável para a continuidade das negociações.

G7 pode ser oportunidade de reduzir tensões

Embora o Brasil não integre o Grupo dos Sete (G7), o presidente Lula foi convidado pelo anfitrião do encontro deste ano, o presidente francês Emmanuel Macron, para participar das atividades da cúpula.

Caso ocorra uma nova reunião entre Lula e Trump, ela será mais um capítulo da agenda bilateral recente. Os dois líderes já se encontraram na Malásia, em outubro de 2025, e posteriormente em Washington, além de uma conversa durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York.

Nos bastidores do Itamaraty, a avaliação é que o diálogo político de alto nível pode produzir resultados mais efetivos do que as discussões exclusivamente técnicas conduzidas até agora.

Lei da Reciprocidade permanece como alternativa

Em resposta ao chamado tarifaço americano, o Congresso Nacional aprovou, com apoio do governo federal, a Lei da Reciprocidade. A norma autoriza o Estado brasileiro a adotar medidas equivalentes caso parceiros comerciais imponham barreiras que causem prejuízos à economia nacional.

O governo brasileiro já fez referência à legislação em comunicados oficiais, demonstrando que possui instrumentos para responder a eventuais medidas unilaterais dos Estados Unidos.


 Presidente dos Estados Unidos Donald Trump (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Samuel Corum)


Ainda assim, diplomatas defendem que a prioridade continua sendo a negociação política e diplomática. A avaliação é que uma escalada de retaliações comerciais poderia afetar o comércio bilateral, considerando que os Estados Unidos ocupam a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.

Por esse motivo, o governo busca preservar os canais de diálogo e aposta que uma aproximação entre os dois presidentes possa contribuir para evitar novas barreiras comerciais e manter a estabilidade das relações econômicas entre os dois países.

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