Caso Master: 48% culpam governo Lula, enquanto 32% responsabilizam gestão Bolsonaro
Levantamento do PoderData aponta que 54% dos brasileiros têm ciência do episódio envolvendo a instituição financeira que culminou na prisão de Daniel Vorcaro
De acordo com a pesquisa do PoderData divulgada nesta segunda-feira (8), 48% dos brasileiros atribuem a culpa pelo escândalo do Banco Master à gestão do atual Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto outros 32% acreditam que o governo de Jair Bolsonaro (PL) permitiu as irregularidades envolvendo a instituição financeira.
Brasileiros apontam os culpados
Em um levantamento promovido pelo instituto PoderData e divulgado no início desta semana, 54% dos brasileiros têm ciência das ilegalidades do Banco Master, enquanto 44% não estão a par do ocorrido. 2% optaram por não responder. Do percentual que admite ter conhecimento do caso, quase a metade, 48%, atribui à gestão de Lula a permissividade pelos acontecimentos da instituição bancária. Em contrapartida, 32% acreditam que o governo anterior, liderado por Jair Bolsonaro, é o maior responsável pelo escândalo. 20% não apontaram um responsável pelas irregularidades.
2.500 pessoas foram ouvidas pelo PoderData entre os dias 30 de maio e 1º de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Sede do Banco Master em São Paulo-SP (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)
Caso Master
Liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, o Banco Master estava no centro de um esquema de irregularidades que culminaram na prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro. A comercialização de Certificados de Depósito Bancário (CDB) com impraticáveis taxas de retorno que chegavam a 140% do CDI foi o principal fator para a liquidação da instituição bancária. Tais valores geraram desconfiança no mercado, que acreditava que o banco não conseguiria honrar seus compromissos nos vencimentos dos investimentos.
A possível compra do Banco de Brasília (BRB) do Banco Master tornou-se um escândalo após ser descoberto que os ativos oferecidos ao BRB eram fraudulentos. As investigações da Polícia Federal (PF) ainda apontaram que o Banco de Brasília estava ciente de que estava tomando posse de “ativos podres”, podendo se tornar parte do esquema.
Também liquidada pelo Banco Central, a Reag estava conectada ao Banco Master por meio de uma rede de fundos de investimento. Um desses fundos de investimento formou parceria com a família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Outra pessoa ligada a esses fundos é o cunhado de Daniel Vorcaro.
Fundos de previdência de estados e municípios investiram recursos de aposentados e pensionistas no Banco Master. O estado do Rio de Janeiro investiu cerca de R$ 1 bilhão em letras financeiras emitidas pelo banco. Já no Amapá, os valores chegaram a R$ 400 milhões. Quatro municípios de São Paulo também figuram nesta lista.
No último dia 4 de março, o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, teve sua prisão preventiva determinada pelo ministro do STF, André Mendonça, na terceira fase da operação “Compliance Zero”.
