Empregados da Caixa rejeitam proposta de acordo e manterão greve
Impasse sobre os descontos em benefício de plano de saúde leva funcionários da Caixa a rejeitar propostas de acordo e manter estado de greve nacional
A iniciativa decorre após os funcionários da instituição rejeitarem a proposta final apresentada para tentar encerrar a paralisação, mantendo o estado de greve em todo o Brasil por tempo indeterminado. A decisão de manter a paralisação de todos os serviços das agências Caixa foi tomada após a assembleia geral realizada na última sexta-feira (11).
A medida foi adotada afim de apresentar novas propostas do banco, porém os funcionários acreditam que a proposta não chegou no patamar desejado. A direção do banco, por sua vez, já havia sinalizado que poderia recorrer à Justiça do Trabalho caso a proposta fosse rejeitada.
Plano de saúde é o principal ponto de conflito
O plano de saúde se transformou no centro das negociações entre a Caixa e seus empregados. Na proposta final apresentada pelo banco, o limite de gastos destinado ao “Saúde Caixa” passaria de 6,5% para 8% da folha de salários. A mudança foi apresentada como uma tentativa de ampliar a capacidade de custeio do benefício, mas não foi suficiente para garantir a aprovação dos funcionários para o acordo.
Além da alteração no limite de despesas do “Saúde Caixa”, a proposta previa mudanças na forma de contribuição dos funcionários do banco, incumbido aos trabalhadores o desconto de percentuais entre 2,30% e 4,10% sobre o salário básico, de acordo com as regras estabelecidas para o plano. Também haveria cobrança adicional por dependente, com valores entre R$ 480 e R$ 660, conforme a faixa etária.
Esse foi justamente um dos pontos que mais provocaram resistência durante a campanha. Para os trabalhadores, a discussão não envolve apenas o reajuste de salários ou o recebimento de valores extras, mas também a manutenção de um benefício que tem impacto direto no orçamento das famílias.
A Caixa tentou melhorar a proposta antes da votação. Entre as medidas apresentadas estava ainda o pagamento de um prêmio de R$ 3 mil por funcionário, além da previsão de pagamento da PLR em 18 de setembro, caso o acordo coletivo fosse aprovado.
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Empregados rejeita proposta de acordo da CAIXA (Foto: reprodução/Instagram/@spbancarios)
Mesmo com essas mudanças, a maioria dos empregados que participou das assembleias decidiu não aceitar os termos apresentados e manter a paralização dos serviços bancários, prometendo prolongar a interrupção dos serviços essenciais até 14/09 (segunda-feira)
Paralisação segue sem prazo para acabar
A greve nacional dos funcionários da Caixa deu início na quinta-feira (10), depois que a categoria rejeitou a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho ao sindicato. A decisão de paralisação havia sido tomada anteriormente, após assembleias realizadas em diferentes regiões do país. Na primeira etapa da mobilização, a rejeição à proposta chegou a superar 90% em algumas bases sindicais.
A categoria argumentava que os termos apresentados não atendiam às principais reivindicações dos trabalhadores, especialmente em relação ao plano de saúde. Com a nova rejeição, a paralisação ganhou ainda mais força. As entidades representativas afirmam que os trabalhadores devem permanecer mobilizados enquanto são definidos os próximos passos da campanha.
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Agências da Caixa permanecem fechadas por tempo indeterminado (Foto: reprodução/Instagram/@spbancarios)
A estratégia é pressionar a Caixa para que novas negociações possam ocorrer. A decisão também aumenta a possibilidade de uma disputa judicial. Antes da votação, o banco havia informado que poderia recorrer ao dissídio coletivo caso a proposta final não fosse aprovada. Nesse cenário, parte das questões que ainda estão em discussão deixaria de ser resolvida exclusivamente na mesa de negociação e passaria para análise da Justiça do Trabalho.
De um lado, a Caixa sustenta uma proposta que considera suficiente para fechar o acordo. Do outro, os funcionários entendem que ainda existem pontos importantes que precisam ser revistos.
O que muda para os clientes da Caixa durante a paralisação
A greve também afeta quem precisa utilizar os serviços da Caixa presencialmente. Com a paralisação, agências podem permanecer fechadas ou funcionar de maneira limitada, dependendo da adesão em cada localidade. Isso não significa, porém, que todos os serviços do banco estejam parados. Aplicativos, internet banking, Pix, pagamentos e outras operações digitais continuam disponíveis.
Os clientes também podem recorrer aos caixas eletrônicos e à rede de lotéricas para realizar determinadas operações. A orientação é que o consumidor procure os canais digitais sempre que possível. Contas e boletos que vencem durante o período de greve continuam tendo seus prazos normalmente, ou seja, a paralisação dos bancários não suspende automaticamente a obrigação de pagamento. O atraso pode gerar juros, multas e outros encargos previstos.
Alguns serviços, entretanto, podem exigir atendimento presencial. É o caso de determinados procedimentos relacionados a crédito, segurança, biometria e outras operações mais específicas. Por isso, quem precisa resolver uma questão diretamente em uma agência deve acompanhar as informações divulgadas pela Caixa e pelo sindicato que representa a categoria dos trabalhadores.
