Lula na ONU: o que mudou em duas décadas de discursos

Em 20 anos de pronunciamentos na ONU, Lula manteve pautas como combate à fome e ampliou o foco para clima, tecnologia e cenário geopolítico

22 set, 2026
Presidente Lula | Reprodução/Instagram@victormoriyama
Presidente Lula | Reprodução/Instagram@victormoriyama

Em duas décadas de atuação política, o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou dez pronunciamentos no plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, nos quais cada posicionamento destaca questões que gostaria de dar prioridade em seu governo. Nos primeiros discursos, Lula dedicou bastante atenção às questões sociais e econômicas, reiterando o combate à pobreza e à desigualdade. A intenção era ampliar a inclusão social e melhorar as condições de vida da população, além de impulsionar a aproximação entre os países em desenvolvimento por meio do chamado comércio Sul-Sul.

Outro ponto importante em seus discursos era a crítica realizada ao protecionismo agrícola dos países ricos. Ou seja, países desenvolvidos que adotavam políticas de subsídios e medidas que dificultavam a competição dos produtos agrícolas brasileiros e de outros países em desenvolvimento.

O que permanece

Um dos principais discursos do presidente na ONU é o combate à fome e à pobreza. Em 2003, Lula apresentou o programa Fome Zero, um conjunto de políticas criadas para garantir que a população mais vulnerável tivesse acesso à alimentação. A intenção era combater a fome e a pobreza não apenas entregando comida, mas melhorando as condições econômicas e sociais das famílias brasileiras. Em 2005, o presidente voltou a falar sobre o assunto, citando Josué de Castro, estudioso brasileiro sobre a fome, geógrafo e médico, reforçando que a fome estava relacionada a problemas sociais e políticos.


 

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Onu Brasil (Foto: reprodução/Instagram/@onubrasil)


Outro tema que permanece é a reforma da governança global. O presidente argumenta que a estrutura criada décadas atrás não corresponde mais à realidade política e econômica atual e, por isso, necessita de transformação. Quando falamos sobre governança global, estamos falando sobre como os países se organizam para tomar decisões sobre problemas que afetam o mundo inteiro. Desde meados de 2003, Lula defende uma reforma no Conselho de Segurança da ONU.

Por fim, o presidente defende a ideia de que países devem resolver problemas internacionais por meio de negociação e da cooperação entre vários países, em vez de uma única potência decidir isso sozinha. Além disso, Lula também defende o respeito ao Direito Internacional e a tentativa de solucionar conflitos por meio da diplomacia.

O que mudou: agenda ambiental e contexto geopolítico

Ao longo dos anos, a questão ambiental mudou nos discursos do presidente Lula. Nos anos 2000, a principal preocupação ambiental já existia, mas o debate se concentrava no Protocolo de Quioto, na redução do desmatamento e desenvolvimento de biocombustíveis. A partir de 2023, o discurso passou a tratar o clima como uma emergência global, com maior atenção à Amazônia e à eliminação do desmatamento até 2030, além de reduzir as emissões e o financiamento da preservação das florestas.

No cenário geopolítico, Lula apresentava um cenário em que os países em desenvolvimento poderiam se unir para conquistar mais espaço econômico e político no mundo. No entanto, entre 2023 e 2023, o discurso passou a enfatizar mais a defesa da autonomia do Brasil, o fortalecimento do Sul Global e a necessidade de reformar as instituições internacionais diante da guerra e do aumento dos gastos militares.

Entre os temas que também ganharam destaque nos discursos do presidente está a regulamentação das grandes empresas de tecnologia e da inteligência artificial. Outro tema que ganhou força foi a defesa do Estado Democrático de Direito. O presidente também enfatizou, nos seus discursos mais recentes, o combate ao crime organizado, com propostas de maior cooperação internacional contra a lavagem de dinheiro e o fortalecimento da segurança pública. Na área trabalhista, defende o fim da escala 6×1 e medidas para diminuir a sobrecarga de trabalho doméstico enfrentada por mulheres.

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