Entenda os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã

Ataques dos EUA e de Israel ao Irã, com mortes de líderes e retaliação imediata, elevam a tensão e ampliam o risco de guerra no Oriente Médio

02 mar, 2026
Ali Khamenei | Reprodução/Instagram/@khamenei.english_
Ali Khamenei | Reprodução/Instagram/@khamenei.english_

No último sábado de fevereiro (28), os Estados Unidos e Israel promoveram ataques massivos ao Irã, com a justificativa de que o país apresenta graves riscos nucleares. A ofensiva aconteceu em meio a negociações entre Washington e Teerã, para definir acordos sobre o programa nuclear iraniano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encontrou um momento em que as forças iranianas estariam enfraquecidas e, para ele, uma oportunidade que não poderia ser desperdiçada.

Horas após o primeiro ataque, Donald Trump se pronunciou e revelou que Ali Khamenei, líder supremo do Irã, havia sido morto nos bombardeios. Para além da morte de Ali Khamenei, foram confirmadas as mortes de chefes militares, o ministro da defesa, Amir Nasirzadeh, chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour. O governo do Irã também relatou a morte do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. O país decretou luto de 40 dias, anunciado em um programa de TV local. 

Em mensagens, Trump afirma que Ali Khamenei foi “uma das pessoas mais perversas da história”, e acrescentou que esta seria a “maior oportunidade que o povo iraniano já teve para recuperar o seu país” 

Como ocorreram os ataques

Os ataques aconteceram na capital, Teerã, e em outras cidades como Karaj, Isfahan, Qom e Kermanshah. Vídeos circulam nas redes sociais de pessoas gritando e correndo em pânico nos locais das explosões. Segundo o G1, na manhã desta segunda (02), confirma-se 550 mortes no país.

Donald Trump afirma que o Irã “tentou reconstruir seu programa nuclear e continua desenvolvendo mísseis de longo alcance que agora podem ameaçar nossos bons amigos e aliados na Europa, nossas tropas estacionadas no exterior, e que em breve poderiam atingir o território americano”, relata.

Benjamin Netanyahu, presidente de Israel, se pronunciou dizendo que “um regime terrorista assassino” não deve possuir armas nucleares “que lhe permitam ameaçar toda a humanidade”, e acrescenta agradecendo aos EUA: “Agradeço ao nosso grande amigo, o presidente Donald Trump, por sua liderança histórica”.

A resposta do Irã veio no mesmo sábado (28), lançando mísseis contra Israel e bases militares dos EUA no Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes. O Conselho  Supremo de Segurança Nacional afirmou que voltaria a atacar as bases de Israel em todo o Oriente Médio, como uma “resposta esmagadora”

O editor da BBC e analista com grande experiência na cobertura do Oriente Médio, Jeremy Bowen, avalia que os Estados Unidos e Israel perceberam que o Irã está vulnerável, lidando com grave crise econômica e as defesas enfraquecidas devido aos ataques sofridos em junho de 2025.


 

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Ataque dos Estados Unidos contra o Irã deixa o Oriente Médio em alerta (Foto: reprodução/Instagram/@portalg1)


Como outros países reagiram ao ataque

O Brasil, por meio do Itamaraty, lançou uma nota onde expressa atenção no fato de os países estarem “em meio a um processo de negociação entre as partes, sendo o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”. E acrescenta ao texto que o país “apela a todas as partes que respeitem o direito internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.”

Os governos do Reino Unido, Alemanha e França condenaram os ataques de retaliação do Irã contra os países vizinhos e, em nota, reforçam a solicitação de que o regime iraniano encerre “o seu programa nuclear, restrinja seu programa de mísseis balísticos, abstenha-se de suas atividades desestabilizadoras na região e em nossos territórios, e cesse a violência e a repressão terríveis contra seu próprio povo”. 

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