Irã confirma morte de Ali Khamenei e decreta luto nacional após ataque atribuído aos EUA

País anunciou o falecimento de Khamenei e decretou 40 dias de luto, elevando a tensão política e diplomática no cenário internacional

01 mar, 2026
Ali Khamenei | Reprodução/Instagram/@khamenei.english_
Ali Khamenei | Reprodução/Instagram/@khamenei.english_

O governo do Irã e veículos da mídia estatal confirmaram nesse sábado (28) a morte do líder supremo Ali Khamenei, figura central do regime iraniano desde 1989. A informação foi divulgada inicialmente pela agência estatal Fars, que afirmou, em publicação em seu canal no Telegram, que o aiatolá foi “martirizado”.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia declarado que Khamenei morreu durante um bombardeio, acrescentando que novos ataques continuariam nos dias seguintes. Até o momento citado no texto original, não foram divulgados detalhes independentes sobre a operação além das declarações oficiais e da confirmação iraniana.

O gabinete do presidente Masoud Pezeshkian anunciou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado geral em todo o país, classificando o episódio como um “crime” e prometendo resposta. Em nota oficial, o governo afirmou que a morte do líder “marcará uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo”.

Reação oficial e discurso político

O comunicado divulgado pelas autoridades iranianas adotou um tom duro, atribuindo a morte a um ataque dos Estados Unidos e de seus aliados, e descrevendo Khamenei como um símbolo de “fé, luta e resistência”. O texto também indicou que o episódio terá consequências políticas e geopolíticas, embora não tenha detalhado quais medidas concretas poderiam ser adotadas.


Mídia estatal iraniana confirmou morte de Ali Khamenei nesse sábado, 28 (Vídeo: reprodução:YouTube@cnnbrasil)


Segundo a mídia estatal, o líder supremo teria sido morto em seu local de trabalho na manhã do sábado (28). A linguagem oficial tratou a morte como um ato de martírio, formulação comum na retórica política e religiosa do regime iraniano em situações de conflito.

Quase quatro décadas no poder

Ali Khamenei liderou o Irã por quase 40 anos, consolidando-se como a autoridade máxima do sistema político do país, com influência direta sobre as forças armadas, o Judiciário e as principais diretrizes estratégicas. Ao longo desse período, seu governo foi marcado por forte controle político interno e repressão a opositores, além de tensões recorrentes com potências ocidentais.

A confirmação da morte encerra um dos ciclos mais longos de liderança no Oriente Médio contemporâneo e abre um período de incerteza sobre a sucessão e os próximos passos institucionais do país. Em contextos semelhantes, mudanças no topo do poder iraniano costumam ter impactos diretos tanto na política doméstica quanto no equilíbrio regional.

No plano internacional, a combinação entre a morte de Khamenei, as declarações de Washington e a promessa de continuidade de operações militares sugere um cenário de elevada tensão diplomática. A evolução dos acontecimentos deverá depender da reação do governo iraniano, da comunidade internacional e de eventuais negociações nos bastidores — fatores que tendem a definir o alcance político e estratégico do episódio nos próximos meses.

Mais notícias