Entidades empresariais cobram sessão pública e resposta urgente do STF sobre crise institucional

Além do manifesto de entidades, 157 personalidades lançam documento separado pedindo afastamento de suspeitos e código de conduta na Corte

09 set, 2026
André Mendonça e Alexandre de Moraes  | Reprodução/X/@eixopolitico/@republiqueBRA
André Mendonça e Alexandre de Moraes | Reprodução/X/@eixopolitico/@republiqueBRA

Entidades empresariais lideradas pela Fiesp publicaram nesta quarta-feira (9) um manifesto assinado por mais de 2,6 mil organizações cobrando que o plenário do Supremo Tribunal Federal examine em sessão pública os fatos da crise institucional e decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo. O documento afirma que a resposta que a nação aguarda não admite prazo.

“A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo”

“A resposta que a nação aguarda não admite prazo”

Quem assina o manifesto

As sete entidades principais que assinam o documento são:

  • Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CACB)
  • Confederação Nacional do Comércio (CNC)
  • Confederação Nacional da Indústria (CNI)
  • Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
  • Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Facesp)
  • Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp)
  • Federação do Comércio de Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)

O manifesto foi publicado em principais jornais do país e aponta que o país atravessa uma crise institucional de extrema gravidade, com o Supremo Tribunal Federal no epicentro da situação. Segundo o texto, a solução exigida é precisamente aquela que compete ao presidente da Corte: convocar sessão plenária pública e urgente para que todos os ministros examinemos os fatos e decidam com absolutamente clareza.

Segundo manifesto

Um segundo documento, intitulado “Pela Lei e pelo Brasil”, foi assinado por 157 empresários, executivos, economistas, cientistas e personalidades. Este manifesto defende o afastamento de suspeitos, a rapidez no esclarecimento dos fatos e a adoção de um código de conduta no Supremo Tribunal Federal.

Os signatários deste documento incluem economistas como Armínio Fraga, Elena Landau e Gustavo Franco, além de Mailson da Nóbrega, empresário Luciano Huck, executiva Luíza Trajano e cientista Mayana Zatz. O manifesto complementa as cobranças das entidades empresariais e busca reunir diferentes setores da sociedade em torno da demanda por respostas institucionais.

Mobilização de juristas e empresários

Além dos dois manifestos, uma reunião virtual de empresários, executivos do mercado financeiro e juristas estava prevista para quarta-feira (9) para redigir um terceiro documento. Segundo a CBN, o encontro reuniria juristas Miguel Reale Júnior e José Eduardo Cardozo, junto com lideranças empresariais Pedro Passos, presidente do conselho de administração da Natura, e Josué Gomes, presidente da Coteminas.

Esta mobilização simultânea em três frentes demonstra uma ação coordenada do empresariado e da sociedade civil para pressionar o Supremo por ações concretas. Cada manifesto mantém sua própria agenda, mas todas as iniciativas convergem na demanda por transparência, rapidez e decisões institucionais dentro dos marcos legais.


Entidades empresariais cobram sessão pública e resposta urgente do STF (Vídeo: reprodução/YouTube/@g1)


Ministros aposentados se manifestam

Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal enviaram carta ao presidente Edson Fachin cobrando uma sessão plenária pública e urgente. Segundo a CBN, estes ministros classificam a crise como a mais aguda da história do STF.

O ministro aposentado Carlos Velloso afirmou na TV Globo ter convicção de que Fachin levará o caso para o plenário. A manifestação dos ex-integrantes da Corte reforça a pressão por uma resposta institucional e pública do tribunal, sugerindo que a gravidade dos fatos exige que todos os ministros se posicionem.

Governo Lula

O presidente Lula não comentou publicamente sobre os manifestos ou sobre o afastamento recente do delegado-geral da Polícia Federal. O governo, porém, tomou medidas para responder à crise. Lula reuniu-se com o ministro da Justiça Wellington César Lima e com o advogado-geral da União Jorge Messias para discutir a reação do governo aos acontecimentos.

Embora Lula não tenha se pronunciado abertamente sobre as demandas específicas dos manifestos, suas ações sugerem que o governo está acompanhando a situação e buscando coordenação entre as pastas responsáveis por segurança e questões legais.

Reações políticas

O candidato do PL Flávio Bolsonaro elogiou uma recente decisão de André Mendonça e atacou a atuação de Andrei Rodrigues e Alexandre de Moraes. Ronaldo Caiado, pré-candidato pelo PSD, classificou a decisão de Mendonça como acertada.

Romeu Zema, pré-candidato pelo Novo, comemorou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal. Renan Santos, candidato da Missão, celebrou o afastamento, mas criticou tanto bolsonaristas quanto lulistas. Augusto Cury, do Avante, lamentou os acontecimentos e apresentou uma proposta para mitigar influências políticas sobre a corporação.

Todas essas declarações foram dadas em sabatinas promovidas pela CBN e pelos jornais O Globo, Extra e Valor Econômico.

Análise das decisões

Luísa Moraes Ferreira, professora da Fundação Getulio Vargas, avalia que uma das decisões recentes não encontra justificativa processual clara e deveria ser analisada pelo plenário do Supremo. Aliados do ministro, por sua vez, avaliam que o ato antecipou uma análise que estava sob a relatoria do presidente da Corte.

Esta divergência técnica entre especialistas aponta para o cerne do que os manifestos cobram: que as decisões sejam examinadas publicamente e com a participação de todo o tribunal, não de forma isolada.

Lula também cobrou transparência e quebra de sigilo nas investigações relacionadas ao caso Master. O presidente afirmou que o Brasil precisa de explicações sobre a crise institucional no Judiciário e defendeu a investigação de todos os envolvidos.

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