Vídeo registra Moraes em jatinho ligado a Vorcaro após contrato de R$ 50 milhões

Registro feito em agosto de 2025 no Rio contradiz declaração oficial do ministro feita em abril, segundo investigação da Polícia Federal

20 set, 2026
Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro | Reprodição/Instagram/@paulogermano.com.br
Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro | Reprodição/Instagram/@paulogermano.com.br

Vídeo divulgado pelo jornal O Globo mostra o ministro Alexandre de Moraes desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025. A aeronave Legacy 650, prefixo PP-NLR, estava registrada em nome de empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Viviane Barci, sócia do escritório jurídico de Moraes, também aparece no vídeo.

Em abril deste ano, Moraes negou qualquer relação com aviões de Vorcaro. Segundo nota do Gabinete do ministro naquela ocasião:

“Jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”.

O vídeo capturado três meses depois contradiz essa declaração. Investigações da Polícia Federal corroboram o registro: a aeronave estava à disposição do casal através de um contrato que incluía cotas de utilização de jato e helicóptero.

A contradição entre o contrato e a negação

O contrato entre o escritório de Viviane Barci e empresa de Vorcaro foi assinado em maio de 2025, no valor de R$ 50 milhões. Segundo a Polícia Federal, a estrutura previa pagamento de parte dos honorários através de cotas de utilização de jato e helicóptero. O voo de 22 de agosto ocorreu exatamente três meses após a assinatura.

Este era um contrato suplementar. Conforme apurado, o escritório mantinha acordo anterior com o Banco Master, também ligado a Vorcaro, no valor de R$ 131 milhões. A inclusão de cotas aéreas na nova contratação manteve o padrão dessa estrutura de pagamento, de acordo com investigações.


Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (Vídeo: reprodução/Instagram/@noticiasriodejaneirorj)


Moraes nega que tenha assinado o contrato de R$ 50 milhões, assim como a defesa do escritório. Mas a Polícia Federal possui registros que apontam para a utilização concreta das aeronaves pelo casal.

O contexto das investigações

Um mês antes da viagem, em julho de 2025, o Banco Central havia enviado alerta formal ao Ministério Público Federal sinalizando indícios de gestão fraudulenta no Banco Master. Este era o contexto institucional que cercava as operações financeiras entre Vorcaro e o escritório de Moraes quando o voo aconteceu.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro revelam a estrutura operacional das viagens. Em 16 de julho de 2025, Marcos Matta, ligado à estrutura de Vorcaro, confirmou em diálogo com o banqueiro que o uso de aviões e helicópteros já estava liberado e em andamento. Este foi o período em que as concessões aéreas começaram a ser efetivamente utilizadas.

Os registros indicam que o voo de agosto não era isolado. A investigação aponta para um padrão de viagens que se estendeu de maio a outubro de 2025. A Legacy 650 em questão estava ligada a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, conforme informações da Polícia Federal.

  • Oitava viagem registrada em jato ligado a Fabiano Zettel entre maio e outubro de 2025
  • Viagens ocorridas conforme padrão estabelecido no contrato de R$ 50 milhões
  • Mensagens de Vorcaro confirmando liberação prévia de uso de aeronaves
  • Alertas do Banco Central precedendo as operações financeiras

O caso ganhou repercussão nas redes sociais e entre órgãos investigativos. A Polícia Federal mantém as investigações em andamento enquanto Moraes continua negando as acusações e afirmando que não utilizou aviões de Vorcaro.

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