El Niño aumenta riscos de seca e chuvas intensas em meio às mudanças climáticas

Fenômeno altera o regime de chuvas e temperaturas, enquanto o derretimento das geleiras reduz reservas de água doce em diversas regiões

18 set, 2026
Mudanças Climáticas | Reprodução/Agência Brasil/@Ilustração Nottus
Mudanças Climáticas | Reprodução/Agência Brasil/@Ilustração Nottus

O fenômeno El Niño tem gerado novas preocupações para os especialistas após identificarem que o ciclo da água tem enfrentado irregularidades frequentes por causa das mudanças climáticas, podendo aumentar os períodos de seca, assim como os riscos de chuvas muito intensas. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 2025, tivemos um dos anos mais secos para os rios das últimas três décadas, além de terem sido registradas ondas intensas de calor.

Os riscos das mudanças climáticas

Um dos principais problemas discutidos está nas geleiras e nas águas subterrâneas, que funcionam como grandes reservas naturais. Com a crescente onda de temperaturas, as geleiras estão derretendo com mais facilidade e mais rapidez, desregulando o funcionamento natural que costuma alimentar rios e outros sistemas.

Durante o período de 2023 a 2025, estima-se que as geleiras tenham perdido cerca de 1.400 gigatoneladas de massa, ou seja, perderam uma grande quantidade de gelo, gerando preocupação para a OMM, pois, se continuar nesse ritmo, a tendência é que haverá menos gelo disponível para liberar água no futuro, principalmente durante períodos de seca. Segundo um relatório disponibilizado pela organização, as reservas de água doce continuam diminuindo.


Relatório sobre a seca de 2025 (Foto: reprodução/Instagram/@wmo_omm)


Além disso, o El Niño pode piorar esse cenário, visto que ele altera o comportamento das chuvas e das temperaturas. Em determinadas regiões, o fenômeno pode priorar a seca e as ondas de calor, aumentando os riscos de incêndios florestais. Enquanto em outras regiões, pode aumentar as chuvas, causando enchentes e deslizamentos. Já no Brasil, segundo o divulgador científico Marcos Moraes, o fenômeno pode gerar períodos mais quentes e secos para o Norte e o Nordeste, enquanto o Sul pode vir a enfrentar chuvas mais intensas. Ainda de acordo com Moraes, o rebaixamento do lençol freático e a redução da vazão dos cursos d’água terão impacto significativo para a população.

A recomendação é que seja feita uma redução no consumo de água, a fim de priorizar o armazenamento, visto que, em alguns casos, o volume de chuva pode ser muito intenso, mas, posteriormente, essa água tende a escoar e a secar rapidamente, voltando à estaca zero.

Entenda o que está acontecendo

Em uma matéria realizada pelo Correio Braziliense, o climatologista Carlos Nobre explica o motivo de os reservatórios naturais estarem cada vez mais secos. Segundo ele, a causa principal é o aumento das temperaturas e das secas mais frequentes. Ou seja, o calor acelera o derretimento das geleiras, enquanto a falta de chuva reduz a quantidade de água que abastece os rios e, consequentemente, penetra no solo para abastecer as reservas subterrâneas.


Comparação entre o El Niño de 1877 e 2026 (Foto: reprodução/Instagram/@trentetroisdegres)


Quando questionado sobre o que significa a redução de água dos rios para o abastecimento e a produção de alimentos, Nobre afirmou que a redução diminui a disponibilidade de água nas cidades, afetando principalmente a agricultura. Com menos água para irrigar as plantações, a produção de alimentos pode diminuir, principalmente nos períodos de seca e de ondas de calor intenso.

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