Defesa de Vorcaro pede revogação da prisão preventiva e aponta indefinição no caso Master no STF

Advogados argumentam que reavaliação de 90 dias venceu em agosto. Investigações seguem paralisadas enquanto Corte discute competência do caso Master

18 set, 2026
Daniel Vorcaro | Reprodução/Instagram/@cartacapital
Daniel Vorcaro | Reprodução/Instagram/@cartacapital

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu nesta sexta-feira (18) ao Supremo Tribunal Federal a revogação de sua prisão preventiva. Preso há mais de seis meses no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, Vorcaro é investigado pela Operação Compliance Zero. Os advogados alegam que o prazo de 90 dias para reavaliação da medida venceu no fim de agosto sem análise da Corte.

Segundo a Polícia Federal, Vorcaro é investigado por liderar uma organização criminosa voltada à captação de recursos ilícitos. A acusação inclui a montagem de uma rede de monitoramento e influência com potencial infiltração em instituições da República. A defesa nega as acusações e sustenta que o cliente colaboraria com as investigações.

O argumento do prazo

O Código de Processo Penal determina que a prisão preventiva seja reavaliada a cada 90 dias. A defesa argumenta que esse prazo expirou no fim de agosto sem que o STF analisasse se os critérios para manutenção da medida permaneciam válidos. O pedido está pendente de julgamento.

O contexto institucional agrava a situação, segundo a defesa. O ministro Edson Fachin determinou que processos relacionados ao Banco Master fossem encaminhados à Presidência da Corte. A tramitação foi suspensa enquanto o STF discute quem deve conduzir as apurações. Um pedido de vista do ministro Flávio Dino adiou sessão prevista para terça-feira (15), realocando o julgamento para quarta-feira (23).

Os advogados afirmam que a sessão não resolveu o dilema sobre qual órgão é competente nem quem será o relator do caso. O caso Master permanece em situação de indefinição institucional. Para a defesa, Vorcaro não pode permanecer preso indefinidamente nessa condição.


Defesa de Vorcaro pede revogação da prisão preventiva (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)


A questão da colaboração

A defesa alega que Vorcaro tentou cooperar com as investigações. Propostas de delação foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por serem consideradas insuficientes. Os advogados buscam reabrir negociações de colaboração.

Em petição ao STF, a defesa afirma que as oportunidades de Vorcaro se manifestar foram escassas. A petição cita que o cliente se colocou à disposição das autoridades em todas as ocasiões.

“As oportunidades de se manifestar verbalmente foram escassas, mas em todas elas o peticionário se colocou à disposição das autoridades e reiterou o desejo de colaborar formalmente, oferecendo-se para relatar os fatos de que tem conhecimento.”

O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator designado do caso no STF.

O pai de Vorcaro também está envolvido no processo. A defesa de Henrique Vorcaro pediu revogação da prisão dele na quarta-feira (16). Henrique está preso há mais de 90 dias, e o STF não julgou até agora nenhum recurso contra sua prisão preventiva. Segundo a operação, Henrique foi preso em maio sob suspeita de integrar um núcleo violento do grupo investigado. Em junho, o STF confirmou e manteve a prisão preventiva.

A Operação Compliance Zero mirou dois núcleos criminosos denominados A Turma e Os Meninos, investigados por crime de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos, segundo investigações da Polícia Federal.

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