Venezuela desbloqueia sites de notícias após anos de restrições
Portais independentes voltaram a ser acessados no país, mas organizações de direitos digitais afirmam que centenas de sites ainda seguem bloqueados
Nesta quinta-feira (17), a agência responsável por regulamentar as telecomunicações venezuelanas anunciou que vários sites de notícias que anteriormente estavam bloqueados no país foram desbloqueados depois de anos de censura. Entre os principais portais de notícias estão El Nacional, Efecto Cocuyo, El Pitazo, Runrunes e TalCual, além do portal NTN24, que, até o momento, apresenta instabilidade.
Na prática, quem estava no país não conseguia acessar normalmente esses veículos, tendo que utilizar ferramentas como a VPN para acessar determinado site. O uso dessa ferramenta facilita a criação de uma conexão que passa por um servidor localizado em outro lugar, permitindo que o usuário consiga acessar os sites bloqueados dentro da Venezuela. De acordo com uma matéria publicada pelo portal G1, esses sites eram considerados bloqueados por jornalistas e organizações de direitos digitais, que, ao longo dos anos, denunciavam essa prática como uma forma de censura.
A importância do desbloqueio
A decisão sobre o desbloqueio foi anunciada poucas horas antes de uma nova rodada de negociações políticas entre o governo interino e a oposição. Entre os assuntos discutidos está a questão da liberdade de expressão. Diante desse cenário, os representantes da oposição consideram esse um primeiro passo importante, mas reforçam que todos os veículos bloqueados devem retornar ao funcionamento de forma completa e permanente. Ao lado das negociações, os Estados Unidos enfatizam seu apoio a condições para uma imprensa livre e independente no país.
Venevisión reclama el fin de la censura en Venezuela. En su editorial del 17 de septiembre pidió desbloquear portales, revisar cierres de medios y permitir el regreso de periodistas exiliados para garantizar la libertad de información. pic.twitter.com/fi46WNnFyO
— El Nuevo País (@ElNuevoPais2026) September 18, 2026
Anúncio do fim dos bloqueios (Vídeo: reprodução/X/@elnuevopais2026)
O desbloqueio é considerado importante porque esses veículos de comunicação independentes perderam público e publicidade durante o período em que ficaram inacessíveis. Segundo o diretor do TalCual, Victor Amaya, o bloqueio provocou uma queda de aproximadamente 60% no tráfego do site, além de danos à publicidade, visto que os anunciantes deixaram de contratar os serviços digitais por medo de sofrer represálias por parte das autoridades. Apesar da decisão, os profissionais de comunicação demonstraram cautela, pois o desbloqueio não ocorreu de maneira completa. De acordo com a organização VE Sin Filtro, 17 portais voltaram a funcionar, mas cerca de 188 sites ainda permanecem bloqueados no país, entre eles 79 veículos de notícias.
Entenda como tudo aconteceu
É necessário enfatizar que o bloqueio não aconteceu de uma única vez. De acordo com as informações, essas restrições foram realizadas em momentos diferentes, ao longo de vários anos. O veículo Runrunes começou a sofrer bloqueios em 2014, já o Efecto Cocuyo vem sofrendo restrições desde 2022. O motivo apontado pelas organizações de imprensa e de direitos digitais é que os bloqueios teriam como objetivo o controle das informações, principalmente sobre veículos independentes e críticos ao governo.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos afirmou que os bloqueios atingiam especialmente portais considerados opositores ao governo, deixando claro que essa era uma forma de censura e um atentado a liberade de expressão. Segundo Victor Amaya, diretor do TalCual, em julho de 2024, o bloqueio ocorreuem um contexto eleitoral, no qual Nicolás Maduro vinha acusando os meios de comunicação de preparar uma operação contra seu governo.
No âmbito do jornalismo, quando um veículo de comunicação tem seu acesso restrito, esse problema se torna ainda mais delicado. A imprensa tem a função de investigar acontecimentos e levar informações de interesse público à população, inclusive quando envolvem governos, políticos, empresas ou instituições poderosas. Portanto, faz parte do compromisso do comunicador ser o mediador entre os acontecimentos e a populção, além de conscientizar e promover o diálogo.
