Zona da Mata sob alerta máximo: Juiz de Fora mantém risco muito alto para deslizamentos
Com acumulados superiores a 200 milímetros em 72 horas, cidade enfrenta cenário crítico de drenagem e ameaça de novos temporais até sexta-feira (27)
As fortes chuvas que atingiram o sul de Minas Gerais, no início desta semana, causaram diversos estragos na região. Até o momento, foram contabilizados 46 mortos e 21 pessoas desaparecidas em Juiz de Fora e Ubá, as cidades mais atingidas da região da Zona da Mata de Minas Gerais. A região segue com risco alto para deslizamentos e alagamentos ainda nesta quinta-feira (26), de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Causas e consequências
O que aconteceu em Juiz de Fora foi resultado de uma combinação entre clima e geografia: o calor do verão e as águas do oceano (até 3 °C acima da média) geraram uma quantidade enorme de umidade, que serviu como combustível para a tempestade. Quando uma frente fria estacionou no litoral, ela empurrou esse ar úmido para o continente. Ao encontrar o relevo acidentado de Juiz de Fora, cheio de morros e serras, esse ar foi forçado a subir rapidamente, esfriar e condensar, descarregando 190 mm de chuva em apenas 8 horas.
Como a cidade possui um relevo de “paredões” e vales, a água desceu as encostas com força total, causando enxurradas e atingindo áreas de risco onde vivem mais de 130 mil pessoas, o que torna o cenário de deslizamentos tão crítico.
Durante esses dias de chuva, já se acumulou cerca de 200 milímetros em 72 horas em alguns locais, e, para os próximos dias, a previsão é que a chuva continue de forma moderada a forte.
Prefeitura de MG decretou estado de calamida após as chuvas (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)
Continuidade das chuvas
Com a previsão da continuidade das chuvas e o sistema de drenagem não suportando o volume das águas, o Cemaden mantém os alertas para alagamentos. O órgão dividiu os alertas em duas categorias: risco hidrológico, que se refere aos alagamentos urbanos e inundações de pequenos córregos, e risco geológico, que se refere aos deslizamentos de terra e quedas de barreiras.
Essas duas categorias ainda possuem três níveis: moderado, alto e muito alto.
Moderado: quando não se descarta a possibilidade do fenômeno alertado e, caso ocorra, é previsto um impacto moderado para a população.
Alto: a probabilidade de ocorrência do desastre é alta, assim como seu potencial impacto. Nesse cenário, recomendam-se ações como verificação das áreas de risco e acionamento dos órgãos locais de apoio.
Muito alto: existe alta probabilidade de ocorrência do fenômeno, com chances de grande impacto para a população. Há recomendação para acionamento do sistema de sirenes, possibilidade de desocupação das áreas de risco e deslocamento de equipes para atendimento nas áreas afetadas.
Próximos dias serão de chuva em Minas Gerais (Vídeo: reprodução/YouTube/g1)
Até sexta-feira (27), o clima deve permanecer instável em Minas Gerais. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu para os próximos dias um aviso de “grande perigo” para as chuvas, e regiões como Zona da Mata, Vale do Rio Doce e sul e sudoeste de Minas Gerais podem registrar volumes acima de 100 milímetros de chuva por dia, com riscos constantes de alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas.
Não é somente o estado de Minas Gerais que está em alerta crítico, mas também partes do litoral de São Paulo, todo o estado do Rio de Janeiro, o Espírito Santo e o extremo sul da Bahia correm risco de serem atingidos pelas fortes chuvas. Outras partes do estado mineiro também foram classificadas em situação de “perigo”, com previsão de chuvas entre 50 e 100 milímetros por dia e ventos intensos, de até 100 km/h neste final de semana.
