Trump diz que republicanos deveriam nacionalizar as eleições
Trump pede aos republicanos que “nacionalizem a votação”, contrariando a Constituição dos EUA; proposta causa reações negativas entre seu próprio partido.
Durante uma entrevista exibida na segunda-feira (2), o presidente Donald Trump solicitou que os republicanos “nacionalizem a votação”. A pressão do governo Trump para ocorrerem mudanças no sistema eleitoral acontece nas vésperas das eleições de meio mandato, que devem ocorrer este ano.
Em uma participação em um podcast, o presidente afirmou que “os republicanos deveriam dizer: queremos assumir o controle e deveríamos assumir o controle da votação em pelo menos 15 lugares. Os republicanos deveriam nacionalizar as votações”.
Nos Estados Unidos, as eleições são administradas por autoridades estaduais e locais, ou seja, elas decidem quando, como e onde as votações ocorrem, o governo federal exerce um papel limitado nas eleições.

Urnas de votação (Foto: reprodução/X/@BlogdoBG)
Pronunciamento da Casa Branca
A declaração de Donald Trump sobre a nacionalização das eleições é diretamente contra a Constituição Americana. O documento determina que datas, horários e a forma como as votações devem ocorrer são de responsabilidade dos governos estaduais e locais de cada distrito de votação.
Com a polêmica gerada pelas falas de Trump, a Casa Branca se pronunciou. A secretária de imprensa e porta-voz oficial da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que ao fazer as declarações, o presidente estaria se referindo à lei SAVE (Safeguard American Voter Eligibility Act). Uma proposta legislativa que exige a comprovação de cidadania americana para realizar o registro de votação. O objetivo seria impedir que cidadãos não-americanos votem, mas críticos temem supressão de votos, especialmente entre mulheres casadas e minorias, além de dificultar o registro de cidadãos legítimos.

Karoline Leavitt, secretária de imprensa e porta-voz da Casa Branca (Foto: reprodução/Instagram/@francis_chung_photo
Repercussão política
A proposta de Donald Trump de nacionalizar as eleições causou uma repercussão política rápida e negativa, com membros de seu próprio partido se declarando contra a fala do presidente.
No lado dos republicanos, nomes como Mike Johnson, presidente da Câmara, e John Thune, presidente do Senado, rejeitaram a possibilidade de federalizar o pleito. Já os democratas responderam com indignação, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, questionou a legalidade da sugestão, dizendo: “Será que Donald Trump precisa de uma cópia da Constituição? O que ele está dizendo é absurdamente ilegal”.
A proposta de federalizar as eleições feita por Trump é baseada nas acusações infundadas de fraudes eleitorais. Essas acusações são um movimento calculado, com a aproximação das eleições de meio de mandato, os republicanos temem perder sua maioria no Congresso.
