Samba-enredo é o critério de desempate do Grupo Especial do Rio

Sorteio definiu a ordem da abertura dos envelopes com as notas e o quesito responsável em caso de desempate. Apuração desse ano tem nova regras 

18 fev, 2026
Sambódromo da Marquês de Sapucaí | Reprodução/Instagram/@riocarnaval
Sambódromo da Marquês de Sapucaí | Reprodução/Instagram/@riocarnaval

Foi sorteada  pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) no início desta quarta-feira (18) a ordem na qual os quesitos vão ser lidos na apuração do Carnaval 2026 do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Comissão de Frente será o primeiro quesito a ter suas notas reveladas e Samba-enredo o último, e também é o critério de desempate. A apuração será ainda nesta quarta na Cidade do Samba. No sábado (21), as seis primeiras colocadas vão voltar para a Sapucaí para o desfile das campeãs.

Novas regras

Uma novidade deste ano é o novo critério para os jurados avaliarem as escolas. Todos os nove quesitos julgados foram divididos em subquesitos. São vinte e seis detalhamentos como “Cadência”, “Fluência” e “Funcionalidade”. Cada um dos nove quesitos vão ser divididos em quatro partes diferentes. Ano passado, apenas cinco quesitos tinham subquesitos, como “concepção” e “realização”, que considerava a ideia proposta no texto do enredo com o que foi apresentado na avenida.

A soma dos critérios vai ficar na responsabilidade dos 54 jurados. Pelo regulamento, o cálculo não vai permitir que seja dada uma nota menor do que 9,0, que é muito difícil, pois para que isso aconteça, a escola teria que não apresentar o quesito julgado.

O coordenador de jurados da Liesa, Thiago Farias, afirmou que as 12 escolas do grupo especial aceitaram em plenário as mudanças no julgamento. Ele ainda explicou que essa mudança faz com que o julgamento não seja feito de maneira comparativa. Os jurados vão, ao final de cada noite de desfile, preencher o envelope com as notas e lacrá-lo. Thiago também afirma que a criação desses novos  critérios é para o julgamento ter cada vez mais clareza. “O novo modelo continua como sempre foi: técnico e transparente”, ressaltou o coordenador.

O sorteio da ordem da leitura das notas ficou assim: Comissão de frente, Bateria, Mestre-sala e Porta-bandeira, Alegoria e Adereços, Harmonia, Fantasias, Enredo, Evolução e Samba-enredo. Para o desempate, a ordem e a ordem da leitura de maneira contrária. Também será realizado um outro sorteio para descartar duas das seis notas de cada quesito. Os 54 jurados foram distribuídos em 4 módulos, os que se localizam no meio da avenida estão espelhados um de frente para o outro. Nesse sorteio será para retirar um jurado por quesito dessas cabines. Assim, serão 36 notas lidas, sendo a menor descartada.


X/@Wigder

mudança incluiu nova posição da cabine dos jurados e subquesitos de julgamento (Foto: reprodução /X/@Wigder)


Mudança quesito por quesito

Em Alegorias e Adereços, que é um elemento essencial para que o espetáculo da Sapucaí seja grandioso ao contar sua história. Além de avaliar a concepção de 4,5 a 5,0 pontos e realização de 4,5 a 5,0 pontos, a novidade fica por conta da criatividade, o impacto visual, a harmonia e a qualidade plástica dos carros alegóricos e de ornamentos usados.

Na bateria, que é considerada um dos pilares principais dos desfiles, ela é responsável por dar o andamento no samba-enredo e na evolução da escola. Na sua subdivisão, serão avaliados a manutenção da cadência de 3,6 a 4,0 pontos, a conjugação dos instrumentos de 2,7 a 3,0 pontos e a criatividade e versatilidade de 2,7 a 3,0 pontos.

A comissão de frente é o único quesito com 4 subdivisões, a apresentação tem que mostrar criatividade, teatralidade, sincronia e impacto visual sem deixar de conectar com o enredo. Seus subquesitos foram divididos em: Indumentária e tripé (de 1,8 a 2,0 pontos), concepção (de 1,8 a 2,0 pontos), apresentação (3,6 a 4,0 pontos) e criatividade (de 1,8 a 2,0 pontos).

O enredo avalia como o tema foi escolhido e a maneira como ele é desenvolvido e apresentado durante o desfile. “Esse critério considera a clareza, a criatividade e a coerência narrativa da história contada na Avenida, além da integração com fantasias e alegorias”, conta a Liesa. A concepção vai de 2,7 a 3,0 pontos, a realização de 4,5 a 5,0 pontos e a criatividade de 1,8 a 2,0 pontos.

A Evolução avalia como a escola se movimenta pela Avenida. A Liesa conta que a movimentação tem que ser naturalmente, sem correria, interrupções e buracos. Cada escola tem que atravessar a Sapucaí entre 70 e 80 minutos, caso ultrapasse, a escola perde décimos. Seus subquesitos são fluência de 4,5 a 5,0 pontos, espontaneidade de 2,7 a 3,0 pontos e evolução do componente de 1,8 a 2,0 pontos.

Em fantasias, é analisada a beleza, criatividade, diversidade e acabamento. A subdivisão se divide em dois: concepção de 4,5 a 5,0 pontos e realização de 4,5 a 5,0 pontos.

A harmonia é a junção do canto dos componentes com o ritmo da bateria. E seus subquesitos são divididos em: canto da escola de 3,6 a 4,0 pontos, harmonia instrumental de 2,7 a 3,0 pontos e harmonia vocal de 2,7 a 3,0 pontos.

O penúltimo quesito é o de mestre-sala e porta-bandeira, avalia o casal que apresenta o pavilhão da escola, é um dos quesitos com mais tradição do carnaval. “Esse julgamento considera a harmonia do par, a correção dos movimentos, a fluidez da dança, a indumentária e o entrosamento entre ambos”, afirma a Liesa. Os subquesitos são: indumentária de 2,7 a 3,0 pontos, coreografia de 2,7 a 3,0 pontos e o sincronismo e harmonia de 3,6 a 4,0 pontos.

O samba-enredo é o que traduz em letra e melodia a história que será contada. É o que une todos os setores da escola, é o chamado “pulmão da escola”. Os três subquesitos são: desenvolvimento do enredo, que vai de 3,6 a 4,0 pontos, a riqueza poética e melódica de 3,6 a 4,0 pontos e a funcionalidade de 1,8 a 2,0 pontos.

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