Guilherme Boulos participa de comissão especial da escala 6×1
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência deve defender posição do governo contra redução salarial e um período longo de transição na mudança da escala 6×1
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, participa nesta quarta-feira (13) de uma audiência pública na comissão especial que discute a PEC do fim da escala de trabalho 6×1. A sessão está prevista para começar às 14h. A audiência terá como tema os impactos sociais e a importância do diálogo entre governo, trabalhadores e empregadores na discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil.
Sua participação na comissão deve reforçar o posicionamento do governo Lula favorável ao fim da escala 6×1. O Palácio do Planalto também defende que a mudança não inclua redução salarial, compensações às empresas nem um período prolongado de transição.
Antes de Guilherme Boulos, os ministros Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, e Dario Durigan, da Fazenda, também participaram de audiências da comissão. Boulos, no entanto, é considerado um dos principais defensores do fim da escala 6×1 dentro do governo e entre os apoiadores da proposta.
Governo rejeita transição longa para o fim da 6×1
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da CanalGov, nesta terça-feira (12), Guilherme Boulos afirmou que o governo não pretende aceitar um período longo de transição para o fim da escala 6×1. Segundo ele, o Executivo é contra prazos de um, dois ou cinco anos para a implementação da medida, enquanto setores da oposição defendem uma transição que pode chegar a 12 anos.
Ele também afirma que o governo aceita apenas um período curto de adaptação para que os setores reorganizem as escalas de trabalho após uma eventual mudança na jornada. Segundo o ministro, prazos mais longos seriam uma forma de adiar a implementação da proposta. “O governo do presidente Lula não aceita isso e vai atuar para impedir que a medida seja aprovada dessa forma”, declarou o chefe da Secretaria-Geral da Presidência.
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Guilherme Boulos falando sobre a votação da escala 6×1 (Vídeo: reprodução/Instagram/@guilhermeboulos.oficial)
Durante a entrevista, Boulos também defendeu que o fim da escala 6×1 não deve provocar queda na produtividade. Segundo o ministro, jornadas excessivas acabam impactando diretamente o rendimento dos trabalhadores. “Não é segredo para ninguém que um trabalhador mais cansado vai render menos no trabalho”, afirmou.
Guilherme Boulos afirmou ainda que experiências de redução da jornada de trabalho mostraram efeitos positivos na produtividade e na qualidade de vida dos trabalhadores. Segundo o ministro, mais tempo de descanso pode melhorar o rendimento, além de contribuir para a diminuição de acidentes de trabalho.
Para ele, garantir dois dias de folga com o fim da escala 6×1 também pode trazer impactos econômicos favoráveis para empresas e trabalhadores.
Comissão entra na reta final de votação
A participação do ministro na audiência desta quarta-feira ocorre uma semana antes da entrega do relatório final da comissão especial. Embora o colegiado funcione até 26 de maio, o relator Leo Prates (Republicanos-BA) deve apresentar o parecer no próximo dia 20.
O calendário acompanha a estratégia do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que pretende colocar a PEC em votação em dois turnos ainda neste mês. Na última semana, o deputado afirmou que quer garantir tempo para que o Senado também analise a proposta antes do recesso parlamentar de julho.
Além da audiência com Boulos, a comissão especial realiza nesta quarta-feira (13) outro debate, desta vez sobre os impactos da proposta na vida das mulheres e dos pequenos negócios. A sessão começou às 10h.
