Filme sobre Bolsonaro é denunciado por condições trabalhistas precárias

Sindicato recebeu denúncias formais de 15 trabalhadores formais como alimentação insuficiente, documentação incompleta de profissionais estrangeiros e tratamento abusivo

15 maio, 2026
Flávio Bolsonaro | Reprodução/X/@republiqueBRA
Flávio Bolsonaro | Reprodução/X/@republiqueBRA

O filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, continua ao centro de polêmicas após denúncias envolvendo condições de trabalho durante as gravações. Além das denúncias trabalhistas, houve investimento de mais de R$ 60 milhões de Daniel Vorcaro no longa e conversas entre o banqueiro e o senador Flávio Bolsonaro, revelado em reportagem na última quarta-feira (13).

Segundo os relatórios obtidos pelo portal g1, figurantes e técnicos relataram episódios de comida estragada, atrasos salariais e também possíveis irregularidades trabalhistas nos bastidores da produção do filme.

Condições de trabalho precárias

De acordo com o documento do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated-SP), houve registro de ao menos 15 denúncias formais de trabalhadores envolvidos na produção. Os relatos contam sobre jornadas extensas com alimentação insuficiente para os considerados figurantes em jornadas superiores a 8 horas. Este grupo de profissionais recebia apenas kits de lanches durante as gravações, diferente do elenco principal, que tinha acesso a refeições completas.

Além disso, o relatório aponta denúncias de comida estragada, atrasos de pagamento, cachês abaixo do padrão de mercado e contratações informal de figurantes, realizadas por meio de grupos de Whatsapp. Trabalhadores afirmaram que precisavam pagar parte do transporte para chegar aos sets de filmagem, com descontos feitos nos valores recebidos pelas diárias.

Os figurantes também relataram episódios de revistas consideradas abusivas na entrada de gravações. Segundo as denúncias, seguranças realizavam abordagens com toques corporais invasivos e restringiam o uso de celulares e até o acesso ao banheiro, que ocorria em grupo sob supervisão.

Outro ponto citado pelo relatório envolve possíveis irregularidades relacionadas a documentação na contratação de profissionais do exterior. Segundo o Sated-SP, a produção teria utilizado técnicas internacionais, sem o reconhecimento de taxas obrigatórias, previstas na legislação trabalhista do setor audiovisual do país.

O sindicato afirma ainda que não houve envio de contrato suficiente para obtenção de vistos obrigatórios junto às entidades responsáveis, assim como também há ausência de registros de pagamentos às instituições sindicais competentes, como o próprio Sated-SP e o Sindicine.


Flávio Bolsonaro em campanha eleitoral (Foto: reprodução/Vitor Souza/Getty Images Embed)


Produção com investimento milionário

Somada as denúncias trabalhistas, o projeto também voltou à tona esta semana após revelações de investimentos financeiros realizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a reportagem do The Intercept, o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, teria buscado apoio financeiro de Vorcaro, que chegou a realizar o pagamento de R$ 61 milhões para a produção do filme.

Flávio disse, em saída do STF na última quarta (13), que era apenas “dinheiro privado”, ao ser questionado pelo tema por repórteres. No entanto, mais tarde, o político confirmou o pedido de dinheiro ao banqueiro, mas negando irregulares. O senador afirmou que não tem “relações espúrias” com o banqueiro e defendeu a realização de uma CPI do Master.

 

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