Avião de Almir Sater é encontrado na Bolívia quase cinco anos após roubo em MS
Três aeronaves desaparecidas de Aquidauana em 2021 estão sob custódia em aeródromo boliviano; devolução depende de perícia entre autoridades
Três aviões roubados no aeroporto de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, em setembro de 2021 foram localizados na Bolívia. O avião Almir Sater Bolívia está entre as aeronaves encontradas no Aeródromo Mondaca em Santa Cruz, conforme confirmado pelas autoridades bolivianas na sexta-feira (28).
O roubo de 2021
O crime ocorreu na madrugada de 6 de setembro de 2021. Ao menos 18 criminosos armados e encapuzados participaram da ação, de acordo com a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Os criminosos invadiram o aeroporto pelos fundos, renderam o vigia e o obrigaram a abastecer as três aeronaves antes de decolar.
Uma testemunha ouviu o barulho das aeronaves levantando voo durante a madrugada, mas acreditou tratar-se de uma emergência médica, segundo informações do G1. O aeroporto não tinha iluminação nos fundos na época, detalha a reportagem.
Após abastecer os aviões, o vigia foi amarrado. Os três criminosos decolaram com as aeronaves e desapareceram.
As aeronaves roubadas
- PT-DST: Cessna 182 Skylane de propriedade do cantor Almir Sater
- PT-ING: Bonanza V35B de propriedade de José Henrique Trindade, pecuarista e ex-prefeito de Aquidauana
- PT-KDI: Cessna 182 Skylane de propriedade de Zelito Alves Ribeiro e Joel Jacques, pecuaristas
Almir Sater usava a aeronave em suas propriedades rurais no Pantanal, principalmente durante os períodos de cheia.
“A aeronave atendia minha fazenda, não era para shows. Atendia nossa vida pantaneira”
Afirmou Almir Sater à reportagem.
Avião de Almir Sater e outros 2 roubados em MS (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)
A investigação e a Bolívia
Desde as primeiras horas da investigação, a Bolívia surgiu como possível destino para os aviões roubados. A Dracco, empresa de segurança responsável pelo aeroclube, acionou a Força Aérea Brasileira para verificar se os radares de fronteira haviam registrado os voos, segundo o G1.
Em janeiro de 2023, quase dois anos após o roubo, a reportagem revelou que a Dracco apurava a suspeita de que as aeronaves estivessem apreendidas na Bolívia. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul comparava as características dos aviões por meio de fotografias e aguardava autorização do governo boliviano para realizar perícia nas aeronaves. Não havia confirmação oficial na época.
Havia suspeita de que as aeronaves pudessem ter sido utilizadas no tráfico internacional de drogas, hipótese que integrava a investigação e dependia de perícia para avançar.
O aeródromo boliviano
O Aeródromo Mondaca, também conhecido comercialmente como La Cruceña, está interditado desde março de 2022. A interdição ocorreu após grande operação contra o narcotráfico que identificou dezenas de hangares ligados a atividades ilícitas e aeronaves envolvidas em operações ilegais. O complexo permanece sob custódia judicial das autoridades bolivianas e não realiza operações aéreas comerciais ou civis autorizadas.
Investigação e prisões
Pelo menos seis pessoas foram presas durante as investigações do roubo, conforme informado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Um dos suspeitos foi localizado na Bolívia. A corporação orientou que questionamentos sobre o caso fossem encaminhados às autoridades bolivianas.
A assessoria de Almir Sater informou que o cantor não foi notificado oficialmente sobre a localização das aeronaves. O secretário de Segurança Cidadã de Santa Cruz não especificou quando os aviões foram localizados nem em que condições foram encontrados.
Não há informações sobre os procedimentos para perícia das aeronaves nem para devolução aos proprietários. O processo depende de coordenação entre as autoridades brasileiras e bolivianas.
