Zema quer juros a 6% com ajuste fiscal e defende anistia para condenados do 8 de janeiro
Em entrevista à Globo, candidato do Novo à Presidência também se posiciona contra vacinação obrigatória e critica STF
Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência, concedeu entrevista à Globo nesta segunda-feira (24) nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Transmitida ao vivo pelo G1 e pela GloboNews, a entrevista focou em promessas econômicas e de segurança pública. Zema afirmou que promoverá ajuste fiscal para reduzir a Selic de 14% para 6% ao ano, com economia estimada de R$ 800 bilhões por ano.
Ajuste fiscal e redução de juros
“Com um governo sério, com credibilidade, combatendo corrupção e fraudes, essa taxa cai para 6%. Só aí nós vamos ter uma economia de R$ 800 bilhões por ano”, disse Zema. O candidato não detalhou em que consistiria especificamente o ajuste fiscal ou quais seriam as medidas concretas para obter a redução na taxa de juros. Zema afirmou que combate à corrupção e gestão eficiente permitiram as reduções que promete.
Quanto ao salário mínimo, Zema garantiu reposição da inflação. “Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação. É um absurdo um aposentado não ter a reposição inflacionária ou, pior, ficar sem receber a aposentadoria”, afirmou. Ganho real estaria condicionado ao bom desempenho da economia. “Garanto que ninguém vai ter perda”, disse Zema sobre o reajuste.
Série de entrevistas da Globo
A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest de 14 de agosto. Segundo o G1, a ordem das entrevistas foi definida por sorteio com presença de representantes dos partidos. É a primeira vez que as entrevistas são exibidas após o Jornal Nacional, e não durante.
O cronograma é:
- 24 de agosto: Romeu Zema (Novo)
- 25 de agosto: Ronaldo Caiado (PSD)
- 26 de agosto: Renan Santos (Missão)
- 27 de agosto: Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- 28 de agosto: Flávio Bolsonaro (PL)
- 29 de agosto: Augusto Cury (Avante)
Gestão fiscal em Minas Gerais
Zema afirmou que não fez nenhum empréstimo ou financiamento durante sua gestão de quase 8 anos como governador. Assumiu com déficit de R$ 11 bilhões em 2018 e deixou com superávit de R$ 5 bilhões. Segundo Zema, a dívida foi herdada dos anos 90 e cresceu devido aos juros do governo federal.
Durante sua administração, Zema pagou R$ 23 bilhões para aposentados que não recebiam aposentadoria e R$ 13 bilhões para o governo federal e funcionários públicos. Afirmou que a dívida representa muito menos para a economia de Minas do que quando assumiu o cargo.
Vacinação e democracia
Zema foi questionado sobre seu posicionamento contrário à vacinação obrigatória de crianças. O Estado de São Paulo enfrenta um surto de sarampo. Zema afirmou que tomou todas as vacinas da Covid e acredita na ciência. Recomendou que crianças tomassem vacina em Minas.
Sobre obrigatoriedade, Zema declarou que não pode permitir que uma família ou criança seja perseguida por não tomar vacina. Para o candidato, o papel do governo é fazer campanha de conscientização e vacinar o maior número possível. “Obrigatoriedade não pode ser imposta em um país democrático”, afirmou.
Anistia e crítica ao STF
“Eu darei anistia ou, pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político, um tribunal que seja judicial”, declarou Zema. O candidato defendeu anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Classificou o julgamento dessas pessoas, feito pelo STF, como nitidamente político.
Zema afirmou que responsáveis por vandalismo e depredação devem ser punidos. Declarou que há tribunais no Brasil fazendo mais política do que propriamente justiça. Sobre o veto impresso, afirmou que as urnas eletrônicas poderiam ser melhoradas, mas que confia nelas. “Vale lembrar: eu sou totalmente democrata, fui eleito pela urna eletrônica, confio na urna eletrônica”, disse.
Segurança pública e modelo El Salvador
Zema afirmou que medidas adotadas pelo governo de Nayib Bukele em El Salvador podem ser adaptadas ao Brasil. Visitou El Salvador em maio de 2025 para conhecer a política de segurança pública, segundo informações do G1. Zema disse que o exemplo salvadorenho o inspira por ter colocado criminosos atrás das grades.
Zema não concorda com suspensão de direitos como faz Bukele. Afirmou que o Brasil pode fazer prisões dentro da sua lei. Citou redução de homicídios em El Salvador como inspiração para suas propostas de segurança.
Sobre violência contra mulheres, Zema mencionou ampliação de delegacias especializadas no atendimento à mulher e casas de acolhimento para vítimas de violência doméstica. Também falou em uso de tornozeleiras eletrônicas com distância mínima de 200 metros da vítima, com possibilidade de chamar automaticamente a polícia. Mas afirmou que o aspecto mais importante é conscientização nas escolas.
Ao ser questionado sobre aumento de feminicídios em Minas em 2020, 2021, 2022, 2023 e 2025, Zema afirmou que reduziu feminicídios comparando antes e durante seu governo. Disse que Minas tem taxa menor do que a média nacional.
Privatizações e patrimônio
Zema foi questionado sobre promessa de privatizar estatais federais apesar de não ter vendido a Cemig. Afirmou que vendeu 118 empresas e participações do governo de Minas Gerais. Citou participações na Light e na Companhia Brasileira de Lítio como ativos negociados.
Privatizou a Copasa, empresa de saneamento de Minas. Uma mudança na Constituição mineira exigiu apoio de três quintos da Assembleia Legislativa para venda de estatais, maioria alcançada no caso da Copasa. Ficou faltando apenas a Cemig entre as empresas estatais. Zema afirmou que Copasa e Cemig valorizaram 300% durante sua gestão, atribuindo isso à ausência de corrupção e gestão profissional. Disse que pretende fazer o mesmo no Brasil.
Previdência e trabalho
Zema afirmou que não pretende, inicialmente, aumentar a idade mínima para aposentadoria. Eventuais mudanças na Previdência dependerão do aumento da expectativa de vida e de maior formalização no mercado de trabalho. Decisões sobre alterações para trabalhadores rurais e militares dependerão do ajuste fiscal, segundo o candidato.
Zema disse que pretende reduzir gastos, combater fraudes e corrupção. Afirmou que quer aumentar a renda do brasileiro, não fazê-lo trabalhar mais.
Educação em tempo integral
Zema prometeu aumentar em dez vezes o número de escolas de tempo integral no país. A meta de longo prazo é universalizar o modelo. Em Minas, o número de escolas com ensino médio em tempo integral passou de cerca de 70 para mais de 800 durante sua gestão. Se eleito, comprometeu-se com aumento de dez vezes em quatro anos de mandato.
Zema citou que países desenvolvidos mantêm crianças na escola o dia todo e apresentou isso como modelo.

Romeu Zema, César Tralli e Renata Vasconcellos nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro (Foto: Globo/ Manoella Mello)
Investimento em segurança
Zema foi questionado sobre redução de investimento em informação e inteligência de R$ 533 milhões para R$ 200 milhões em Minas, conforme relatado pelo G1. Afirmou que o governo foi marcado por quedas contínuas na criminalidade e considerou a rubrica importante.
Explicou que investimento em segurança pública pode cair em outra sigla e não ser considerado. Citou comparação entre compra de viaturas e serviços de inteligência. Afirmou que investimentos em segurança pública em Minas cresceram ao longo de seu governo.
Operação Rejeito e corrupção
Zema foi questionado sobre Operação Rejeito, ação da Polícia Federal durante seu governo. A operação identificou organização criminosa que atuou para obter vantagens econômicas por meio de crimes ambientais, lavagem de dinheiro e corrupção, segundo o G1. Zema afirmou repúdio aos bandidos que recebiam dinheiro e destruíam o meio ambiente.
Ao encerrar, Zema afirmou que um estado com mais de 300 mil funcionários está sujeito a ter algumas frutas podres. Seu governo tomou todas as medidas de investigação, polícia, prisão e punição, segundo o candidato. Zema aparecia com 2% das intenções de voto na pesquisa Quaest de 14 de agosto.
