Estados Unidos taxa produtos brasileiros em 25%, mas poupa itens principais

Nova barreira de 25% afeta etanol, calçados e açúcar, mas governo americano decide livrar petróleo, carne, café e celulose de imposto extra

16 jul, 2026
Terminal Portuário do Açú  | Reprodução/Instagram/@informativodosportos
Terminal Portuário do Açú | Reprodução/Instagram/@informativodosportos

O governo dos Estados Unidos confirmou, para 22 de julho, uma sobretaxa aduaneira de 25% contra mercadorias vindas do Brasil. Decisão americana encerra uma investigação de um ano que acusa o mercado brasileiro de criar barreiras comerciais injustas, como disputas envolvendo o Pix e o biocombustível.

Medida pune fortemente o etanol nacional e a indústria de base, mas, para evitar uma onda inflacionária dentro de seu próprio território, a gestão estrangeira optou por manter isentos os nossos principais recursos de exportação, poupando combustíveis, proteínas animais e grãos da nova cobrança.

Setores que mais perdem

Fabricantes de calçados, vestuário, máquinas agrícolas e açúcar orgânico enfrentam o cenário mais desafiador com a entrada em vigor da nova barreira alfandegária. A tarifa de 25% encarece de forma imediata esses produtos no mercado norte-americano, reduzindo a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes de outros países que não sofrem com essa taxa.


Nova taxa de 25% começa dia 22 para produtos brasileiros, exceto itens isentos (Vídeo: reprodução/YouTube/@bandjornalismo)


O setor de biocombustíveis também sofre um golpe duro, já que o etanol nacional era um dos principais alvos da disputa comercial entre os dois governos. Com o novo imposto, as usinas brasileiras perdem margem de lucro e terão de lidar com dificuldades para manter o mesmo ritmo de vendas para as distribuidoras dos Estados Unidos, que passarão a buscar alternativas de menor custo.

Para tentar conter os prejuízos, as indústrias afetadas agora buscam diversificar seus compradores, focando em mercados alternativos na Europa e na Ásia. Além disso, entidades de classe passam a buscar junto ao governo brasileiro medidas de incentivo que ajudem a reduzir os custos de produção internos, tentando compensar o peso do novo tributo aduaneiro.

Respostas do mercado

Representantes dos setores mais afetados demonstraram forte preocupação e classificaram a medida americana como um duro golpe para a competitividade nacional. Associações ligadas à indústria de calçados, confecções e ao agronegócio de cana-de-açúcar cobraram ações rápidas do governo brasileiro para tentar mitigar os impactos fiscais, alertando que a barreira de 25% pode forçar cortes de vagas e desacelerar investimentos planejados para o segundo semestre.

Por outro lado, os exportadores de carne, café, celulose e minérios receberam a notícia com um misto de alívio e cautela extrema. Embora tenham escapado das penalidades imediatas, líderes dessas cadeias produtivas reconhecem que a instabilidade nas relações diplomáticas exige constante vigilância, pois qualquer nova oscilação no cenário político externo pode colocar as atuais isenções em risco no futuro próximo.


Nova taxação dos Estados Unidos afeta indústria e agronegócio brasileiros (Vídeo: reprodução/YouTube/@jornaldagazeta)


No campo diplomático e governamental, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estuda mecanismos de defesa comercial para amparar os exportadores prejudicados. Há uma movimentação nos bastidores para abrir canais de diálogo direto com as autoridades norte-americanas, buscando demonstrar que a taxação também trará prejuízos para as indústrias dos próprios Estados Unidos que dependem do abastecimento brasileiro.

Razões da disputa

Disputas comerciais entre as duas nações vinham se arrastando ao longo de quase um ano, impulsionadas por queixas de Washington sobre o tratamento dado a empresas americanas no Brasil. O rápido crescimento do sistema de pagamentos Pix e as restrições brasileiras à entrada do álcool combustível americano foram apontados como os estopins da investigação.

O governo dos Estados Unidos considerou que o ambiente de negócios brasileiro prejudicava a livre concorrência e o comércio mútuo de serviços financeiros e produtos agrícolas. Diante do impasse diplomático para resolver essas questões regulatórias, a imposição da sobretaxa acabou sendo utilizada como um mecanismo de pressão econômica sobre Brasília.

Especialistas em relações internacionais apontam que o caso serve de alerta sobre a necessidade de maior alinhamento em políticas digitais e ambientais entre grandes parceiros econômicos. O Pix, embora seja um sucesso doméstico incontestável, agora entra no radar de fricções geopolíticas globais.

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