Juiz dos EUA suspende proibição de jornalistas na Casa Branca
Juiz suspende restrição por 14 dias e ordena devolução das credenciais de imprensa; ação dos veículos contra Trump segue em curso na justiça
A Justiça dos EUA restabeleceu, na última quarta-feira, 23, o acesso dos jornalistas da CNN, MS NOW e Politico à Casa Branca, após terem sido banidos do local por uma medida do presidente Donald Trump.
O presidente, no entanto, descumpriu a decisão judicial. Conforme divulgado no site e nas redes sociais do veículos afetados, seus jornalistas voltaram a ser barrados na Casa Branca na manhã desta quinta-feira, 24.
A proibição foi considerada inconstitucional pelo juiz Tim Kelly, responsável pelo caso. Ele determinou a suspensão da restrição por 14 dias e ordenou a devolução das credenciais de imprensa dos veículos.
Justiça questiona justificativa do governo
O governo Trump baniu os repórteres da Casa Branca em 18 de setembro, sob a justificativa de que a medida seria necessária para garantir a segurança nacional. Kelly, porém, rejeitou a alegação das autoridades em uma ação movida pelas empresas de comunicação afetadas.
De acordo com o juiz, o processo não apresentava comprovações que sustentassem a alegação do governo. Além disso, uma publicação de Trump nas redes sociais também contradiz a justificativa das autoridades: o presidente afirmou que os veículos foram banidos por, segundo ele, divulgarem “ficção e mentiras” constantemente.
Repórteres comparecem à Casa Branca diariamente para cobertura de pronunciamentos do governo (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Chip Somodevilla)
Para o juiz, a ausência de uma possibilidade efetiva de defesa antes da retirada das credenciais violou um direito previsto em lei. Segundo o advogado de um dos veículos, os jornalistas foram banidos sem aviso prévio ou oportunidade de contestar a medida.
Veículos se unem em defesa da liberdade de imprensa
Na ação, os veículos processaram Trump e outros integrantes do governo, argumentando que a proibição violava os direitos à liberdade de expressão e de imprensa estabelecidos pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Outros veículos de imprensa saíram em defesa dos jornalistas afetados. Fox News, Washington Post, Reuters, o Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa e outras organizações de comunicação se uniram em uma coalizão em defesa da causa.
Em documento divulgado e assinado pelos integrantes da coalizão, eles afirmaram que a retirada de direitos de jornalistas e veículos com base em sua linha editorial “viola décadas de jurisprudência da Suprema Corte”.
A disputa jurídica entre a imprensa e Trump ocorre pouco antes das eleições legislativas de 3 de novembro, nas quais os republicanos do presidente devem buscar manter a maioria no Congresso.
Donald Trump, presidente dos EUA (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Spencer Platt)
O período também é marcado por preocupações da população norte-americana com a inflação e tensões diplomáticas com países como o Canadá, além da guerra contra o Irã. O atual índice de aprovação do presidente também está entre os mais baixos registrados em pesquisas de opinião.
