Rick: testemunha relata surpresa ao encontrar destroços de aeronave, e especialista analisa queda
Vereador que participou das buscas revela detalhes que levam especialista a questionar a dinâmica da queda; piloto destaca ausência de explosão apesar de combustível abundante
Testemunha que participou das buscas pelo helicóptero do cantor Rick em Santa Catarina revelou detalhes inusitados encontrados entre os destroços: garrafas de vinho intactas e um sinal sonoro que soava periodicamente. Os achados levaram especialista a questionar a dinâmica da queda e apontam possível velocidade reduzida no momento do impacto, segundo informações divulgadas pelo portal Hugo Gloss.
O helicóptero Bell 430, prefixo PP-MGR, caiu em Santa Bárbara, Santa Catarina, matando cinco pessoas: o cantor Rick (Geraldo Antônio de Carvalho), o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Os destroços foram localizados na tarde de terça-feira (22).
Garrafas intactas sugerem velocidade reduzida
Gilmar Nunes, vereador de Bom Jardim da Serra, foi um dos primeiros civis a chegar ao local. Entre os destroços, encontrou garrafas de vinho: duas em uma caixa e duas soltas. Nenhuma havia quebrado.
“Essa parte chamou atenção, porque o impacto teria que ter quebrado as garrafas de vinho”, declarou Gilmar Nunes, vereador de Bom Jardim da Serra.
Para Gilmar, um impacto em alta velocidade teria destruído as garrafas. O fato de estarem intactas o levou a uma hipótese sobre a trajetória da aeronave.
“Elas estavam intactas, não quebraram. Então, isso chamou bastante atenção. Eu penso que [a aeronave] pode ter vindo se debatendo, que não estaria em uma velocidade tão alta para se destruir ou explodir”, descreveu Gilmar.
Segundo ele, o helicóptero não teria vindo em velocidade suficiente para se desintegrar ou inflamar no impacto.
Testemunha disse que ouviu um sinal sonoro em meio aos destroços do helicóptero que caiu em SC. pic.twitter.com/G3MjDxxNr0
— WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) September 24, 2026
Testemunha relata surpresa ao encontrar destroços de aeronave (Vìdeo: reprodução/X/@whatwouldlbdo)
Piloto especialista questiona dinâmica da queda
O comandante Hamilton, piloto, corroborou o relato de Gilmar ao analisar as fotografias divulgadas pelo CENIPA, órgão responsável pela investigação de acidentes aeronáuticos. As imagens mostram a trajetória seguida pela aeronave até a colisão com o solo.
“As fotos [do CENIPA] mostram que o helicóptero fez uma trajetória até colidir. Ele não caiu na vertical, foi cortando árvores. É uma informação muito importante”, declarou o comandante Hamilton.
O piloto destacou que, em vez de cair verticalmente, a aeronave cortou árvores ao descer, indicando uma trajetória progressiva e não uma queda livre. Hamilton ressaltou a importância dessa observação para a compreensão do acidente.
Mas as dúvidas do comandante continuam. A aeronave havia abastecido e tinha combustível abundante no tanque. Ainda assim, não pegou fogo após o impacto. Para Hamilton, isso levanta questões cruciais sobre o funcionamento dos motores no momento da colisão.
“Se tinha muito combustível, por que não pegou fogo? Será que os motores vieram funcionando? Havia ignição? Ou seja, muitas dúvidas”, declarou o comandante Hamilton.
Outro detalhe curioso encontrado entre os destroços foi um sinal sonoro, um bip, que soava a cada cinco ou dez minutos. De acordo com Hugo Gloss, alguém comentou no local que o sinal poderia estar tentando enviar uma comunicação via radar ou satélite. Porém, segundo Gilmar, esse sinal nunca foi recebido como esperado e continuou soando periodicamente.
“O que me chamou a atenção é que a gente escutava um bip na aeronave. Daí, alguém comentou que aquilo seria para enviar um sinal, que não aconteceu”, relatou Gilmar.
A Força Aérea Brasileira realizou cerca de 13 horas de buscas antes de localizar o helicóptero. O helicóptero Arcanjo 03 do Corpo de Bombeiros pousou em uma área de planície próxima, e equipes caminharam aproximadamente 20 minutos pela vegetação até alcançar os destroços.
O helicóptero Bell 430 possuía uma ‘caixa-preta’, equipamento não comum para aeronaves desse porte. De acordo com Hugo Gloss, esse tipo de gravador é exigido para helicópteros maiores, especialmente aqueles que transportam trabalhadores a plataformas de petróleo. O equipamento foi enviado para o Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo, localizado em Brasília.
A Polícia Científica iniciou perícia nos destroços na quarta-feira (23). O objetivo é reconstruir a dinâmica do acidente. Uma das possibilidades em investigação é a influência da neblina na visibilidade no momento da queda. As equipes também buscam identificar se houve colisão com algum objeto antes de a aeronave atingir as árvores. A investigação continua em andamento.
