Rick: testemunha relata surpresa ao encontrar destroços de aeronave, e especialista analisa queda

Vereador que participou das buscas revela detalhes que levam especialista a questionar a dinâmica da queda; piloto destaca ausência de explosão apesar de combustível abundante

24 set, 2026
Rick | Reprodução/Instagram/@ricksollo1/X/@sputnik_brasil
Rick | Reprodução/Instagram/@ricksollo1/X/@sputnik_brasil

Testemunha que participou das buscas pelo helicóptero do cantor Rick em Santa Catarina revelou detalhes inusitados encontrados entre os destroços: garrafas de vinho intactas e um sinal sonoro que soava periodicamente. Os achados levaram especialista a questionar a dinâmica da queda e apontam possível velocidade reduzida no momento do impacto, segundo informações divulgadas pelo portal Hugo Gloss.

O helicóptero Bell 430, prefixo PP-MGR, caiu em Santa Bárbara, Santa Catarina, matando cinco pessoas: o cantor Rick (Geraldo Antônio de Carvalho), o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Os destroços foram localizados na tarde de terça-feira (22).

Garrafas intactas sugerem velocidade reduzida

Gilmar Nunes, vereador de Bom Jardim da Serra, foi um dos primeiros civis a chegar ao local. Entre os destroços, encontrou garrafas de vinho: duas em uma caixa e duas soltas. Nenhuma havia quebrado.

“Essa parte chamou atenção, porque o impacto teria que ter quebrado as garrafas de vinho”, declarou Gilmar Nunes, vereador de Bom Jardim da Serra.

Para Gilmar, um impacto em alta velocidade teria destruído as garrafas. O fato de estarem intactas o levou a uma hipótese sobre a trajetória da aeronave.

“Elas estavam intactas, não quebraram. Então, isso chamou bastante atenção. Eu penso que [a aeronave] pode ter vindo se debatendo, que não estaria em uma velocidade tão alta para se destruir ou explodir”, descreveu Gilmar.

Segundo ele, o helicóptero não teria vindo em velocidade suficiente para se desintegrar ou inflamar no impacto.


Testemunha relata surpresa ao encontrar destroços de aeronave (Vìdeo: reprodução/X/@whatwouldlbdo)


Piloto especialista questiona dinâmica da queda

O comandante Hamilton, piloto, corroborou o relato de Gilmar ao analisar as fotografias divulgadas pelo CENIPA, órgão responsável pela investigação de acidentes aeronáuticos. As imagens mostram a trajetória seguida pela aeronave até a colisão com o solo.

“As fotos [do CENIPA] mostram que o helicóptero fez uma trajetória até colidir. Ele não caiu na vertical, foi cortando árvores. É uma informação muito importante”, declarou o comandante Hamilton.

O piloto destacou que, em vez de cair verticalmente, a aeronave cortou árvores ao descer, indicando uma trajetória progressiva e não uma queda livre. Hamilton ressaltou a importância dessa observação para a compreensão do acidente.

Mas as dúvidas do comandante continuam. A aeronave havia abastecido e tinha combustível abundante no tanque. Ainda assim, não pegou fogo após o impacto. Para Hamilton, isso levanta questões cruciais sobre o funcionamento dos motores no momento da colisão.

“Se tinha muito combustível, por que não pegou fogo? Será que os motores vieram funcionando? Havia ignição? Ou seja, muitas dúvidas”, declarou o comandante Hamilton.

Outro detalhe curioso encontrado entre os destroços foi um sinal sonoro, um bip, que soava a cada cinco ou dez minutos. De acordo com Hugo Gloss, alguém comentou no local que o sinal poderia estar tentando enviar uma comunicação via radar ou satélite. Porém, segundo Gilmar, esse sinal nunca foi recebido como esperado e continuou soando periodicamente.

“O que me chamou a atenção é que a gente escutava um bip na aeronave. Daí, alguém comentou que aquilo seria para enviar um sinal, que não aconteceu”, relatou Gilmar.

A Força Aérea Brasileira realizou cerca de 13 horas de buscas antes de localizar o helicóptero. O helicóptero Arcanjo 03 do Corpo de Bombeiros pousou em uma área de planície próxima, e equipes caminharam aproximadamente 20 minutos pela vegetação até alcançar os destroços.

O helicóptero Bell 430 possuía uma ‘caixa-preta’, equipamento não comum para aeronaves desse porte. De acordo com Hugo Gloss, esse tipo de gravador é exigido para helicópteros maiores, especialmente aqueles que transportam trabalhadores a plataformas de petróleo. O equipamento foi enviado para o Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo, localizado em Brasília.

A Polícia Científica iniciou perícia nos destroços na quarta-feira (23). O objetivo é reconstruir a dinâmica do acidente. Uma das possibilidades em investigação é a influência da neblina na visibilidade no momento da queda. As equipes também buscam identificar se houve colisão com algum objeto antes de a aeronave atingir as árvores. A investigação continua em andamento.

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