PT aciona STF por suposta interferência estrangeira na candidatura de Flávio Bolsonaro
Suspeitas envolvem a Rockbridge Network, fundo norte-americano ligado ao financiamento de campanhas conservadoras nas eleições dos Estados Unidos
O Partido dos Trabalhadores (PT) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a investigação de supostos episódios de interferência estrangeira nas eleições deste ano, que irá eleger o presidente da República, deputados e senadores. O ministro Flávio Dino, do STF, é o relator da ação.
A solicitação busca investigar o possível financiamento ou influência estrangeira na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. No pedido, o PT requer que sejam esclarecidas operações envolvendo “instituições financeiras, publicidades, recursos, bens ou serviços” de origem estrangeira que possam influenciar as eleições brasileiras.
Doações ou investimentos estrangeiros destinados ao apoio a partidos ou candidatos nas eleições são expressamente proibidos pela Constituição. O tema ganhou destaque após a divulgação de relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que alerta para uma possível interferência dos Estados Unidos no pleito presidencial de 2026.
Suspeitas de financiamento e influência estrangeira
As suspeitas levantadas pelo PT envolvem a Rockbridge Network, uma organização norte-americana que financia campanhas conservadoras nos Estados Unidos. Além disso, também são mencionados conteúdos patrocinados favoráveis a Flávio em perfis do X (antigo Twitter) no exterior.
No documento, o partido também solicita que seja investigada a disponibilização de conteúdos dos sites Brasil Paralelo e Estúdio Quinto Elemento para a Academia da Direita, plataforma relacionada ao PL, como forma de apoio à campanha de Bolsonaro.
Renan Santos é candidato à Presidência da República pelo Missão em 2026 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/NurPhoto)
As alegações do PT endossam falas recentes do candidato Renan Santos (Missão). Na última terça-feira, 22, em entrevista ao Jornal da Record, ele afirmou ver “risco de interferência de Trump nas eleições brasileiras” e, na ocasião, também defendeu que o Brasil não pode ser um vassalo dos EUA, como, segundo ele, seria o desejo de Bolsonaro.
Governo vê possibilidade de ampliação da interferência
Conforme apurado pela CNN, o Palácio do Planalto considera que a interferência dos Estados Unidos nas eleições já está em andamento e que pode ser ampliada até o segundo turno do pleito, marcado para 25 de outubro de 2026.
De acordo com integrantes do governo, essa interferência pode ser potencializada por meio de quatro caminhos, incluindo o financiamento da Rockbridge e o impulsionamento de perfis pró-Flávio nos Estados Unidos — operações já relacionadas no inquérito iniciado a partir do pedido do PT.
Além desses fatores, a pressão política de Trump e de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, também poderia agravar a interferência. Segundo o Palácio do Planalto, o governo norte-americano deve seguir uma estratégia semelhante à adotada nas eleições de Honduras e Colômbia.
Donald Trump, presidente dos EUA (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Chip Somodevilla)
Em Honduras, por exemplo, a candidata de esquerda, Rixi Moncada, liderava as pesquisas de intenção de voto, à frente de Nasry Asfura, da direita. Após publicações de Donald Trump criticando Moncada e declarando apoio a Asfura, a candidata ficou em terceiro lugar, enquanto o candidato de direita foi eleito presidente.
Além disso, os encontros com influenciadores brasileiros de direita promovidos pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo também são apontados como parte de uma possível estratégia dos Estados Unidos para interferir nas eleições brasileiras. Sob o tema “liberdade de expressão e ambiente digital”, as reuniões ocorreram entre julho e agosto deste ano.
