3ª fase da Carbono Oculto mira ex-diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master
Investigação apura suposta lavagem de R$ 120 milhões para aquisição da distribuidora Terrana em sete estados
O GAECO deflagrou nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto, cumprindo 27 mandados de busca e apreensão em sete estados. A ação investe contra Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá. Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, também é alvo.
A investigação apura suposta lavagem de dinheiro e organização criminosa focada na aquisição da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. O GAECO e a Receita Federal atuam em parceria, com mandados autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva.
Líderes da organização
Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como ‘Beto Louco’, é apontado como chefe da organização investigada. Mohamad Hussein Mourad, alcunhado ‘Primo’, também é identificado como liderança. Nesta fase, contudo, ambos não estão entre os alvos de busca e apreensão.
O esquema investigado
Mais de R$ 120 milhões circularam por fundos e empresas de fachada, de acordo com o GAECO e o Ministério Público. A estrutura foi montada para assumir o controle da Terrana e ocultar patrimônio dos verdadeiros controladores. As operações financeiras foram classificadas como atípicas pelas autoridades.
Fundos e empresas de fachada
- Fundo Radford
- Fundo Derby 44
- Fundo Los Angeles 01
- Berna Holdings Ltda.
- Branson Holdings Ltda.
Todos constituídos poucos meses antes da operação de compra da distribuidora.
Recursos transitaram por companhias como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi, utilizadas como ‘contas de passagem’, segundo investigadores. O dinheiro chegava à estrutura responsável pela aquisição da Terrana.
Conversas encontradas nas investigações indicam a utilização de pessoas interpostas, conhecidas como ‘laranjas’, com objetivo de ocultar os verdadeiros controladores dos ativos e da distribuidora.
Detalhes da Operação Carbono Oculto (Vídeo: reprodução/YouTube/@g1)
Evidências da investigação
- Relatórios do Coaf (Conselho de Atividades Financeiras Ilícitas)
- Documentos bancários
- Informações fornecidas pelo Banco Genial
- Análise de movimentações financeiras
- Mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos em fases anteriores
Quem é Humberto Tupinambá
Humberto Arthur Tupinambá Neto é ex-executivo do Banco Genial, onde atuava desde agosto de 2022. Está sendo investigado por ligação com o esquema entre 2024 e 2025, período em que permanecia na condição de executivo da instituição.
Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição
conforme comunicado do banco.
Quem é Antonio Carlos Freixo Junior
Antonio Carlos Freixo Junior é dono da Entre Investimentos e delator do caso Banco Master. Assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
Posicionamento do Banco Genial
O Banco Genial forneceu informações relacionadas ao Fundo Radford e às empresas Berna e Branson Holdings. Realizou as comunicações cabíveis ao Coaf e atuou dentro de suas atribuições observando procedimentos e normas aplicáveis.
Após tomar conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas internas:
- Instauração de processo de Inspetoria interna
- Revisão da governança das operações de crédito
- Afastamento do então diretor dos processos decisórios
- Posterior destituição do diretor
- Contratação de especialistas externos para revisão e aprimoramento de processos e controles
O banco renunciou à administração do Fundo Radford e mantém postura de colaboração com as autoridades, fornecendo informações e documentos solicitados.
A operação conta com participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Civil e Polícia Militar. O Banco Genial permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar esclarecimentos necessários.
