Avalanche atinge fronteira entre Nepal e China, com cerca de 1.500 vítimas
Deslizamento na fronteira entre Nepal e China desencadeia avalanche e inundações, soterrando comunidades e deixando um rastro de destruição na região
Na manhã desta quarta-feira (26), uma tragédia atingiu a região montanhosa na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. O desastre, inicialmente descrito como uma avalanche, percorreu cerca de 168 quilômetros e deixou mais de 300 mortos e aproximadamente 1.500 desaparecidos.
Segundo as autoridades, o fenômeno teria começado após um deslizamento de grandes proporções em uma área de montanha.
Causa da tragédia
Imagens de satélite divulgadas pelo portal G1 ajudam a identificar o ponto de origem do desastre. De acordo com as informações disponíveis, o deslizamento começou na região da montanha Langtang Lirung, avançou até o rio Lhende Khola, seguiu em direção a Benbo e atingiu a área de fronteira entre o Nepal e a China.
As causas do desastre ainda estão sendo investigadas pelas autoridades, mas informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) apontam que uma possível descompressão na geleira pode ter contribuído para o fenômeno. O cenário também é agravado pelo período de chuvas intensas registrado na região, que pode ter provocado um acúmulo elevado de água nos reservatórios glaciais e aumentado a instabilidade da área.
O efeito cascata deixou um rastro de destruição, atingindo vilarejos, cobrindo estradas e danificando cerca de 40 quilômetros. Além disso, aproximadamente 70 pontes foram destruídas ou derrubadas pela força das águas e dos sedimentos. A massa atingiu a barragem de uma usina hidrelétrica e seguiu pelo rio Trishuli, causando inundações e atingindo comunidades localizadas às margens do curso d’água.
Entre os locais mais afetados está o povoado de Timure. Segundo veículos da imprensa local, a comunidade teria sido completamente soterrada, com residências e estabelecimentos comerciais destruídos pela passagem da avalanche.
De acordo com o site NepalNews, que citou informações da Divisão de Previsão de Enchentes, o fenômeno também provocou um aumento repentino de aproximadamente 20 milhões de metros cúbicos de água na bacia hidrográfica da região.
Número de vítimas registradas
Os números do desastre ainda podem sofrer alterações, já que equipes de resgate enfrentam dificuldades para acessar áreas que permanecem isoladas. As informações mais recentes indicam centenas de mortos e mais de mil desaparecidos nos dois lados da fronteira entre Nepal e China.
Segundo a Reuters, até esta quinta-feira (27), pelo menos 359 pessoas haviam morrido em decorrência do desastre. Já a Associated Press registrava mais de 360 mortes e aproximadamente 1.400 desaparecidos, evidenciando a dimensão da tragédia e a dificuldade de contabilizar as vítimas.
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Avalanche que atingiu Nepal e China (Vídeo: reprodução/Instagram/@bbcnews)
A gravidade do desastre está relacionada principalmente à velocidade e ao grande volume de materiais deslocados. Diferentemente de uma avalanche convencional de neve, o fenômeno envolveu uma combinação de gelo, rochas, água, lama e sedimentos, que alcançou os cursos dos rios e desencadeou uma onda de inundação de rápida propagação.
As características do terreno também contribuíram para ampliar os impactos. Por ser uma região formada por montanhas e vales estreitos, o relevo canalizou a água e os detritos, aumentando a velocidade do fluxo e levando a massa destrutiva para comunidades situadas em áreas mais baixas, ao longo dos rios.
A avalanche deixou um extenso rastro de destruição, atingindo moradias, áreas turísticas e rotas utilizadas por peregrinos, além de comprometer a infraestrutura e a circulação em diferentes pontos da região.
