Presidente da Colômbia contesta resultados da votação do 1º turno

Gustavo Petro aguarda uma recontagem de votos oficial das instâncias judiciais para definir segundo turno entre De la Espriella e Ivan Cepeda

01 jun, 2026
Presidente da Colômbia, Gustavo Petro | Reprodução/Instagram/@gustavopetrourrego
Presidente da Colômbia, Gustavo Petro | Reprodução/Instagram/@gustavopetrourrego

Neste domingo (31), o presidente Gustavo Petro declarou que não reconhece os números preliminares da sucessão presidencial colombiana, optando por aguardar a validação oficial das instâncias judiciais. Como nenhum dos candidatos alcançou a vitória no primeiro turno, haverá uma segunda disputa em 21 de junho entre Abelardo de la Espriella, da direita, atual líder dos votos (43,7%), e Ivan Cepeda, da esquerda, em segundo lugar (40,90%), conforme apuração de 99,92% das urnas.

Ambos já eram apontados como os principais nomes da corrida eleitoral, e o atual mandatário reforçou, por meio de sua conta no X, que espera que as comissões de recontagem, integradas por juízes da República, finalizem a análise dos resultados.

Contestação do resultado

Petro contestou a validade jurídica da apuração preliminar, colocando sob suspeita o software da empresa Thomas Greg & Sons, incumbida da logística do pleito eleitoral. Em manifestação pública, o colombiano denunciou uma discrepância de 800 mil eleitores entre o censo oficial e o sistema privado gerido pelos irmãos Bautista, rejeitando, portanto, os números parciais.

Em resposta, seu antecessor, Iván Duque, fez uma publicação no X contestando veementemente a postura do atual governante, acusando-o de atentar contra a democracia e a estrutura eleitoral do país. Duque chamou a atenção das instituições e da comunidade global para que reajam prontamente diante do que classificou como uma grave ameaça à integridade do processo democrático nacional.

O candidato da esquerda

O senador Ivan Cepeda, filósofo de 63 anos e representante do Pacto Histórico, personifica a esquerda na disputa eleitoral colombiana. Sua trajetória pública é marcada pelo papel central na mediação dos diálogos de paz que culminaram no acordo com as Farc em 2016. Mesmo após o desarmamento formal daquela facção, Cepeda encara o desafio contínuo da violência provocada por grupos dissidentes que permanecem em atividade.

Em sua plataforma presidencial, o parlamentar sustenta a convicção de que o caminho para pacificar o país e encerrar definitivamente as hostilidades armadas reside na manutenção de uma política de diálogo permanente com tais guerrilhas.

A trajetória de Ivan Cepeda ganhou destaque nacional durante o embate jurídico contra o ex-presidente Álvaro Uribe, iniciado em 2012 sob acusações mútuas que se estenderam por anos, culminando na absolvição de Uribe pelo Tribunal Superior de Bogotá em 2025. Em sua plataforma, o senador propõe uma agenda progressista que inclui o reajuste do salário mínimo, a execução de uma reforma agrária e o corte de privilégios de políticos. Além disso, Cepeda compromete-se a dar continuidade e aprofundar os programas sociais instaurados ao longo da gestão do atual presidente, Gustavo Petro.


Gustavo Petro em discurso pela legitimidade do direito ao voto (Vídeo: reprodução/Instagram/@gustavopetrourrego)


O candidato da direita

Abelardo de la Espriella, líder do movimento ultraconservador Defensores da Pátria e vitorioso no primeiro turno, ganha notoriedade por sua ideologia alinhada a figuras como Donald Trump e Nayib Bukele. Conhecido como “El Tigre”, o advogado de 47 anos rejeita negociações com guerrilhas, defendendo uma postura militar enérgica para combater a criminalidade.

O clima de tensão marca sua candidatura, evidenciado pelo assassinato de dois de seus aliados no mês de maio e também por suas acusações sobre um plano da inteligência colombiana de atentar contra a sua vida. Em seu programa, ele propõe o afastamento do país de instituições que promovem pautas da esquerda, como a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a ONU (Organização das Nações Unidas).

Paralelamente à sua postura política rígida, o candidato explora um perfil comercial de diferentes facetas por meio do portal “De la Espriella Style”, onde promove artigos que variam de bebidas a livros e vestuário. Sua trajetória é marcada por episódios controversos, como declarações públicas de teor sexual utilizadas para autopromoção e por sua defesa de Alex Saab, empresário colombiano apontado pelos EUA como laranja de Nicolás Maduro, o que causou um questionamento ético sobre sua pessoa.

Embora tenha sido criticado por essa ligação, Abelardo sustenta que o vínculo profissional cessou há seis anos, ressaltando que a colaboração entre eles havia se iniciado antes que as graves denúncias se tornassem públicas.

O que pensam os eleitores

A atual gestão de ideologia de esquerda iniciou seu mandato sob os reflexos econômicos da pandemia, logrando avanços como a valorização do salário mínimo e a redução do desemprego, embora tenha lidado com tensões fiscais e entraves no Congresso, sem muito êxito em ter suas propostas aprovadas.

Contudo, a estabilidade econômica não domina o debate público; segundo o instituto Invamer, entre os entrevistados, questões de emprego e economia chegaram a apenas 11%; no entanto, a segurança pública assumiu 40%, sendo a grande prioridade para essa parcela. Esse contexto de insegurança foi o combustível necessário para o fortalecimento da candidatura de De la Espriella, que capitalizou o descontentamento popular ao pautar sua campanha em uma resposta direta às preocupações da população do país.

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