Ministério Público denuncia Deolane Bezerra por suposto envolvimento com PCC

Integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado formalizaram acusação criminal contra a advogada e outros cinco suspeitos

10 jun, 2026
Deolane Bezerra | Reprodução / Instagram / @dra.deolanebezerra
Deolane Bezerra | Reprodução / Instagram / @dra.deolanebezerra

Promotores paulistas do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciaram formalmente a influenciadora digital Deolane Bezerra à Justiça, nesta quarta-feira (10), por meio de uma ação penal fundamentada em investigações que apontam ocultação de patrimônio e transações financeiras suspeitas de abastecer a cúpula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A ofensiva jurídica baseia-se em relatórios de inteligência que identificaram depósitos bancários de origem ilícita em benefício da advogada, realizados por pessoas próximas a lideranças do grupo criminoso.

De acordo com os órgãos de controle, os repasses financeiros eram camuflados por uma empresa do setor de transportes para reintroduzir o montante derivado de atividades criminosas no mercado de capitais legítimo, o que motivou o pedido de manutenção da prisão preventiva da acusada no interior paulista.

Investigação aponta transações suspeitas

Relatórios produzidos por órgãos de inteligência financeira detalham que valores decorrentes de práticas ilícitas ligadas a redes de transporte coletivo passavam por processos de triangulação bancária antes de alcançar as contas da influenciadora. A quebra dos sigilos fiscal e bancário revelou que quantias expressivas eram movimentadas por familiares e intermediários de Marco Willian Herbas Camacho, conhecido no sistema prisional como Marcola, principal liderança da organização criminosa em questão.

Os documentos que dão suporte à acusação demonstram que os investigados tentavam conferir uma aparência de legalidade ao dinheiro derivado de atividades paralelas e clandestinas. Além da advogada, parentes diretos da cúpula da facção foram incluídos no polo passivo da representação criminal promovida pelo órgão ministerial, que aponta uma engrenagem sofisticada voltada à lavagem de capitais em larga escala no território paulista.

Defesa pede transferência prisional

Diante da gravidade das imputações, os representantes legais da influenciadora acionaram o Poder Judiciário com o intuito de relaxar a custódia ou obter uma readequação no regime de cumprimento da prisão provisória. O pedido principal detalhava a necessidade de realocação para uma Sala de Estado-Maior, prerrogativa prevista pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil para profissionais inscritos na instituição que ainda não possuem condenação definitiva.


Deolane Bezerra foi presa em 21 de maio em operação conjunta em SP (Foto: reprodução /Instagram /@folhadespaulo)


Os advogados justificaram o pedido relatando disfunções estruturais observadas por comissões de direitos humanos na atual unidade prisional feminina de Tupi Paulista, onde a ré encontra-se reclusa desde o mês de maio. Entre os pontos contestados, foram mencionadas deficiências na ventilação das celas, oscilações severas de temperatura ambiente e restrições técnicas ao pleno exercício da atividade profissional de assistência jurídica dentro do estabelecimento prisional.

Justiça nega prisão domiciliar

Apesar das argumentações sobre a necessidade de cuidados com uma filha menor de doze anos, o Poder Judiciário seguiu o entendimento dos promotores de Justiça e rejeitou as solicitações de alteração penal. Magistrados indicaram que a existência de descendentes em idade infantil não atua como salvo-conduto automático e isolado para a concessão de recolhimento domiciliar, devendo ser sopesada junto aos demais indícios de periculosidade.

O Ministério Público reforçou que benefícios humanitários de prisão domiciliar ou substituição de penas não encontram amparo legal em investigações que envolvam organizações criminosas estruturadas que operem mediante histórico de violência ou grave ameaça. Com isso, os pedidos foram julgados improcedentes, e a manutenção da custódia em regime fechado foi validada para garantir o andamento da instrução processual sem interferências externas.

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