Governo se preocupa com sanções após decisão dos EUA sobre PCC e CV

Governo brasileiro se movimenta nos bastidores e intensifica diálogo com autoridades americanas para entender quais serão as consequência da nova medida

05 jun, 2026
Trump e Lula se cumprimentando | Reprodução/X/@LulaOficial
Trump e Lula se cumprimentando | Reprodução/X/@LulaOficial

Nesta sexta-feira (5), a decisão tomada pelos Estados Unidos de classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas entra em vigor. O governo brasileiro está em alerta e agiliza diálogos nos bastidores por meio de interlocutores com autoridades americanas sobre os desdobramentos da situação.

Governo trabalha com três cenários vindos dos EUA

Segundo informações da jornalista Andreia Sadi no portal g1, diplomatas e integrantes do governo na área de segurança estão averiguando quais serão os próximos passos de Donald Trump e avaliam três possíveis cenários que podem ocorrer com a  decisão do governo americano de classificar o Primeiro Comando Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

A primeira possibilidade é a de que a medida tomada seja mais um gesto político e simbólico do que desdobramentos mais profundos. O segundo cenário projeta semelhanças ao caso da Venezuela. Para os integrantes do Governo Lula, a administração de Trump escalonou medidas para o enfrentamento do narcotráfico ao ponto de apreender ativos e combater embarcações que os americanos identificam ligadas ao crime organizado.

No entanto, o que mais preocupa parte da alta cúpula brasileira é uma terceira hipótese, na qual seria repetir formas de retaliação adotadas pelos americanos, o que já aconteceu contra instituições financeiras mexicanas. No acontecimento em questão, os EUA decidiram sancionar bancos do México que são acusados de facilitar operações de lavagem de dinheiro para cartéis do narcotráfico.

O Brasil teme que a classificação do PCC e CV abra portas para sanções financeiras contra pessoas físicas, empresas ou estruturas consideradas suspeitas de dar suporte econômico para tais organizações criminosas. Segundo um diplomata, a preocupação maior não é a decisão que entrou em vigor hoje, mas sim que medidas podem ser tomadas após a aprovação da medida.


Lula em entrevista coletiva em embaixada brasileira nos Estados Unidos (Foto: reprodução/Saul Loeb/Getty Images Embed)


Governo vê riscos mais graves que guerra tarifária

Integrantes do governo avaliam possíveis consequências semelhantes aos riscos de aplicação da Lei Magnitsky para autoridades brasileiras. Dessa forma, a administração Lula se movimenta e intensifica interlocução com as autoridades americanas, buscando entender quais poderão ser os efeitos da medida que entrou em vigor nesta sexta-feira.

Na visão do governo brasileiro, a temática causa desdobramentos muito mais complexos que a guerra tarifária, pois envolve nuances como segurança, sistema financeiro e soberania nacional.

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