Brasil enfrenta acusações dos EUA e divergências no Senado

Investigações dos americanos podem gerar supertaxação e intervenção contra facções; projeto da escala 6×1 e propostas de Lula enfrentam resistência

03 jun, 2026
Os presidentes Lula e Donald Trump | Reprodução/Instagram/@lulaoficial/@potus
Os presidentes Lula e Donald Trump | Reprodução/Instagram/@lulaoficial/@potus

Nesta quarta-feira (3), em um momento de tensões diplomáticas com as investidas econômicas e políticas dos EUA contra o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conduz o segundo encontro com sua equipe de ministros em 2026. A reunião marca o primeiro alinhamento coletivo do governo após a ampla reforma administrativa de abril, que reformulou titulares de 18 ministérios devido aos prazos de desincompatibilização eleitoral.

Diante disso, a expectativa é que a pauta concentre-se em temas cruciais que já mobilizam o debate público, abrangendo desde a sobretaxação de produtos brasileiros e o enquadramento de facções criminosas como terroristas pelos norte-americanos até discussões nacionais de forte apelo popular, como o encerramento da escala de trabalho 6×1 e a possível nomeação ao STF de Jorge Messias.

Investigações e taxação dos EUA

Uma investigação finalizada pelos Estados Unidos nesta segunda-feira (1º) acusa a gestão brasileira de impor barreiras que prejudicam o comércio entre os dois países, apontando o PIX, pirataria, crimes ambientais e lacunas no combate à corrupção como entraves. Diante disso, o USTR (Escritório de Comércio dos EUA) sugeriu uma taxação de 25% sobre os produtos importados do Brasil, poupando apenas itens estratégicos para o mercado deles, como minerais raros, aviões, carnes, café e frutas. Apesar do alerta econômico, a medida punitiva ainda não entrou em vigor, pois a legislação dos EUA exige a conclusão formal de todo o processo investigativo e a realização de audiências públicas prévias antes de aplicar as sanções financeiras.

O governo brasileiro repudiou o relatório norte-americano, classificando-o como uma tentativa de interferência externa motivada por pressões da família Bolsonaro. Em resposta, o presidente Lula pediu publicamente uma explicação direta de Donald Trump, solicitando uma conferência telefônica para debater as recentes medidas anunciadas.

Para agravar ainda mais o cenário diplomático, nesta terça-feira (2), uma nova apuração dos norte-americanos incluiu o Brasil em uma lista de nações negligentes na fiscalização de produtos de origem de trabalho compulsório. Na visão do Planalto, essa nova penalidade deverá ser acrescentada ao imposto anterior, elevando a sobretaxa total para 37,5%, valor que se aproxima dos altos tributos aplicados no último ano.


Reunião entre Lula e ministros, com o objetivo de priorizar a soberania brasileira (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


PCC e CV enquadrados como organizações terroristas

O anúncio recente de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, feito pelo Departamento de Estado norte-americano, gerou uma forte reação e análise por parte do Planalto. Dario Durigan, ministro da Fazenda, pretende participar de reuniões com representantes de Washington, para estruturar uma resposta do governo brasileiro.

O presidente Lula posicionou-se firmemente contra a medida, assegurando que o combate às facções será gerido de forma soberana e estritamente interna, reiterando que não tolerará intervenções de forças estrangeiras em sua política de segurança nacional.

Governo enfrenta dificuldades com o Senado

Aprovada na Câmara dos Deputados com forte apoio da base aliada ao governo Lula, a proposta de emenda constitucional que extingue a jornada 6×1 e reduz as horas de trabalho já enfrenta resistências em sua chegada ao Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou nesta terça-feira (2) que os senadores não serão pressionados a apenas ratificar o texto feito pelos deputados.

Encaminhada logo após a votação na Câmara, a matéria foi rapidamente direcionada por Alcolumbre à Comissão de Constituição e Justiça. Paralelamente, o parlamentar anexou ao colegiado um projeto alternativo que também aborda a jornada de trabalho.

Além disso, o Senado Federal também impôs uma grande derrota ao Palácio do Planalto em abril ao rejeitar o nome de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para a Suprema Corte. O desgaste político se acentuou na mesma semana, quando o Congresso Nacional invalidou o veto presidencial ao PL da Dosimetria, um projeto que diminui o tempo das punições aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, beneficiando inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diante da persistência da cadeira vaga no Supremo Tribunal Federal desde o ano passado, o presidente Lula reagiu na última semana. O mandatário confirmou que insistirá na escolha de seu aliado, assegurando que submeterá novamente a sua indicação.

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