Conexão com o Pix pode tornar transferências para Europa mais rápidas

Integração entre Pix e sistema europeu é avaliada para tornar transferências internacionais mais rápidas, baratas e transparentes

01 out, 2026
Pessoa utilizando um smartphone | Reprodução/ Pexels/Pixabay
Pessoa utilizando um smartphone | Reprodução/ Pexels/Pixabay

Uma possível integração entre o sistema de pagamentos instantâneos da União Europeia e o Pix brasileiro começou a ser avaliada. A iniciativa, conduzida pelo Banco Central Europeu (BCE), busca facilitar transferências realizadas entre diferentes países e tornar esse tipo de operação mais ágil.

O Banco Central do Brasil informou na última semana que os estudos para a interligação já tiveram início. Um dos principais pontos da proposta é definir como o pagamento será coordenado de uma ponta a outra, incluindo o momento e a forma como os recursos serão transferidos de um continente para outro. A expectativa é que a medida resulte em operações internacionais mais rápidas, baratas e transparentes. 

Objetivos da integração 

A iniciativa faz parte dos esforços do Banco Central Europeu para tornar os pagamentos entre países mais eficientes e acompanhar as transformações do setor. A proposta também está relacionada ao roteiro definido pelo G20 para melhorar as transações internacionais e busca ampliar a autonomia da Europa em sua infraestrutura de pagamentos.


Brasil e BCE estudam conexão para pagamento em segundos (Foto: reprodução/Instagram/@brasilforadacaverna)


Segundo Marco Massarenti, consultor de pagamentos do BCE, operações envolvendo moedas com menor circulação podem ter custos elevados. Em alguns casos, as tarifas chegam a 10% ou mais do valor enviado. A intenção da instituição é reduzir esse percentual para menos de 3%.

O projeto, porém, não envolve apenas o Brasil. O BCE também analisa possibilidades de integração com outros sistemas de pagamentos, como o Unified Payments Interface (UPI), da Índia, além da infraestrutura suíça e do Nexus Global Payments. 

Custos e participações dos bancos 

A nova estrutura de conexão entre os sistemas de pagamento deve ter um custo de operação menor em comparação com o modelo utilizado atualmente. Ainda assim, haverá despesas para os participantes responsáveis por iniciar as transações, enquanto as tarifas cobradas dos clientes continuarão sendo definidas comercialmente entre cada banco e seus usuários.

De acordo com o BCE, essa definição ficará a cargo das próprias instituições financeiras. Hoje, brasileiros já conseguem utilizar o Pix em alguns países europeus, mas isso ocorre por meio de acordos privados envolvendo bancos e empresas intermediadoras de pagamentos.

Com a possível criação de uma infraestrutura pública compartilhada entre os bancos centrais, essas parcerias privadas não devem deixar de existir. Elas continuarão sendo necessárias para concluir a transferência e fazer com que o dinheiro chegue ao destinatário final. A participação dos bancos e dos provedores de serviços de pagamento, portanto, permanece necessária nas duas pontas da operação. A nova estrutura pretende facilitar a conexão entre os sistemas, mas não substituir as instituições responsáveis pelas etapas finais das transações. 

Mais rapidez nas transferências 

Além da redução de custos, a proposta também pretende diminuir o intervalo entre o envio e o recebimento de valores em operações internacionais. Segundo o BCE, atualmente esse tipo de pagamento pode passar por diferentes etapas e levar alguns dias até chegar ao destinatário.

Para que a transferência possa ocorrer de forma instantânea, os bancos centrais precisam avaliar vários aspectos antes de colocar a integração em funcionamento. Entre eles estão a compatibilidade técnica dos sistemas, as regras para as operações, as questões jurídicas e o modelo comercial que será adotado.

A previsão para o início da conexão ainda não foi definida. Massarenti explica que a análise atual é apenas uma etapa inicial e que, depois dela, será necessário desenvolver e implementar as mudanças tecnológicas para permitir a comunicação entre as duas estruturas. De acordo com o consultor, experiências anteriores do BCE mostram que somente a avaliação de viabilidade pode levar cerca de um ano ou até mais. Por isso, ainda não há uma estimativa para quando a integração entre o Pix e o sistema europeu poderá entrar em funcionamento.

 

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