É falso documento da PF sobre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro

Material atribuído à PF apresenta erros em datas, no brasão da Polícia e na identificação da divisão responsável pelas investigações

10 set, 2026
Nikolas Ferreira | reprodução/Instagram/@nikolasferreiradm
Nikolas Ferreira | reprodução/Instagram/@nikolasferreiradm

São falsas as publicações que circulam nas redes sociais exibindo um suposto documento em que a Polícia Federal desconsidera indícios de crime nas mensagens trocadas entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e Daniel Vorcaro, preso nas investigações do caso Master.

O documento, na verdade, contém a marca d’água da SynthID, indicando que o conteúdo foi manipulado por IA. Essa tecnologia, desenvolvida pelo Google, insere um símbolo imperceptível para humanos em conteúdos sintéticos, que permite à máquina identificar a origem do material.

A falsidade do documento foi apurada pelo Fato ou Fake, do portal g1, por meio de verificação realizada pela plataforma Verify OpenAI, que analisa materiais e informa se eles foram produzidos ou manipulados por inteligência artificial.

Documento falso viraliza após divulgação de mensagens

Os posts compartilhando o documento falso viralizaram no Instagram e no X a partir de 3 de setembro, ultrapassando 1 milhão de visualizações. Na data, o ICL Notícias havia revelado uma série de áudios em que o deputado de Minas Gerais, Nikolas Ferreira, pedia ajuda a Vorcaro.


 

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Áudio de Nikolas Ferreira enviado para Vorcaro em 30 de março de 2025 (Vídeo: reprodução/Instagram/@cbnoficial)


A ajuda era para Thiago Rodrigues de Faria, seu advogado e ex-assessor, que precisava de apoio para a liberação de um ativo para um negócio no setor de mineração. O projeto, no entanto, segundo o parlamentar, foi deixado de lado por Faria após a repercussão do caso Master.

As publicações falsas, então, mostravam a foto de uma análise da Polícia Federal, que dizia que, após avaliação técnica, a PF havia concluído que as conversas entre o deputado e o ex-banqueiro não apresentavam indícios de crime. Porém, foi comprovado que o documento era falso e fabricado com uso de inteligência artificial.

Documento apresenta erros em datas e identificação da PF

O material mostra inconsistências nas datas descritas. De acordo com o texto, a conversa entre Ferreira e Vorcaro teria ocorrido em 7 de janeiro de 2025, quando, na realidade, a conversa data de 30 de março de 2025.

Outro detalhe que atesta a falsidade do material é a aplicação incorreta do brasão da PF e do nome da divisão, que aparecem adulterados. Na versão oficial do símbolo, o acento da palavra “Polícia” é um triângulo, e a corporação responsável por investigações desse tipo é a Dicor — Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção —, e não a Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, como mostra o documento.

Além disso, outra incongruência notada na verificação é a sequência incorreta dos itens e subitens do documento, que passam do 7 para o 7.3, pulando os números 7.1 e 7.2. A inveracidade do documento também foi comprovada pela Agência Lupa e pela Agência Aos Fatos.

Mensagens revelam voos pagos por Vorcaro

Mensagens coletadas na investigação do caso Master revelaram que Daniel Vorcaro custeou voos de Nikolas Ferreira. A informação foi retirada de conversas com o empresário Flávio Carneiro, nas quais o ex-banqueiro afirma ter bancado “todos os voos dele” e ameaça expor o deputado.


 

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Nikolas Ferreira usou avião de Vorcaro para reuniões com Bolsonaro em 2022 (Vídeo: reprodução/Instagram/@globonews)


Na conversa, ele não detalha quantos voos foram pagos ou o período em que foram realizados. No entanto, conforme apurado pelo portal g1 e pela Globo News, Nikolas Ferreira usou um avião de Vorcaro para se encontrar com Jair Bolsonaro (PL) em outubro de 2022.

A aeronave levou o grupo a nove capitais do Nordeste, entre os dias 20 e 28 de outubro daquele ano, para participação em eventos da campanha eleitoral para a Presidência na época, na qual Bolsonaro buscava a reeleição. Antes disso, porém, Nikolas já havia usado o avião do ex-banqueiro, mas afirmou que utilizou a aeronave sem saber a quem ela pertencia.

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