EUA deixam Brasil, Irã, Coreia do Norte e outros 7 países fora de lista de felicitações
Pesquisa considera comunicados do Departamento de Estado e de embaixadas dos EUA sobre “Dia nacional” e celebrações de padroeiras durante o governo Trump
Pelo segundo ano consecutivo, durante o governo de Donald Trump, o Brasil ficou fora dos comunicados publicados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em homenagem ao “Dia Nacional” de diferentes países. O órgão não divulgou uma mensagem pelo Dia da Independência brasileira, celebrado na segunda-feira (7).
Mudanças após o governo Biden
O Brasil está entre os dez países que não receberam, nos últimos 12 meses, uma mensagem do governo dos Estados Unidos pelo chamado “Dia Nacional”. O dado faz parte de um levantamento do G1, que analisou os comunicados disponíveis no site do Departamento de Estado e identificou homenagens a mais de 180 países no período. Na lista dos países sem felicitações americanas também estão Afeganistão, Coreia do Norte, Etiópia, Guiné, Irã, Líbia, Santa Lúcia, Síria e Sudão.
No caso brasileiro, a ausência se repete pelo segundo ano seguido. A última mensagem enviada por Washington em referência ao Dia da Independência do Brasil foi publicada em 2024, durante a gestão do então presidente Joe Biden.
Naquele ano, o secretário de Estado Antony Blinken assinou uma nota direcionada ao povo brasileiro, com votos de continuidade dos laços entre os dois países e de fortalecimento dos valores democráticos compartilhados.
“Que os anos vindouros continuem a fortalecer nossos laços e nossos valores democráticos compartilhados. Os Estados Unidos desejam ao povo brasileiro uma feliz celebração do Dia da Independência”, destacou Blinken na época.
A relação entre os dois países passou por uma mudança de cenário após o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025. Desde então, a tensão diplomática aumentou e ganhou novos caminhos com a adoção de tarifas e sanções pelo governo americano.
Mensagens oficiais variaram entre os países
O levantamento identificou mais de 180 países que receberam felicitações do governo americano no período analisado. Em quatro casos, Bahamas, Iêmen, Israel e Tunísia, não foi encontrado comunicado no site do Departamento de Estado. As respectivas embaixadas, porém, fizeram publicações nas redes sociais para marcar as datas nacionais.
No caso de Cuba, o secretário de Estado Marco Rubio publicou uma nota e um vídeo direcionados ao povo cubano. Nas mensagens, ele reafirmou o “apoio inabalável dos Estados Unidos ao povo cubano em sua busca por liberdade, dignidade e autodeterminação”.
Já sobre a Líbia, veículos da imprensa local afirmaram, em janeiro, que Donald Trump teria enviado uma carta ao presidente Mohamed Menfi para parabenizá-lo pelo aniversário da independência. Porém, o G1 não encontrou nenhuma manifestação pública do governo americano sobre a data. Para chegar aos dados, o levantamento considerou publicações feitas entre 10 de setembro de 2025 e 9 de setembro de 2026, tanto pelo Departamento de Estado quanto pelas embaixadas dos Estados Unidos.
Relação entre Brasil e EUA se desgasta
As relações entre Brasil e Estados Unidos começaram a se desgastar em julho de 2025, quando Donald Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros. O presidente americano justificou a medida citando o que chamou de “caça às bruxas” contra Jair Messias Bolsonaro.
Nos meses seguintes, as negociações entre os dois governos reduziram parte das tensões. No fim daquele ano, os EUA aliviaram tarifas e retiraram algumas sanções contra autoridades brasileiras. Lula e Trump também se reuniram duas vezes, incluindo um encontro em Washington, em maio de 2026, quando o americano chegou a elogiar o presidente brasileiro.
Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e presidente Donald Trump. (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Anadolu)
O cenário voltou a mudar no fim de maio, quando os EUA classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, dias após Flávio Bolsonaro se reunir com Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio.
Em julho, a tensão aumentou novamente. Os EUA aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e, dois dias depois, anunciaram outra cobrança de 12,5%, relacionada a práticas comerciais que consideraram desleais. Entre as justificativas citadas por Washington estavam o PIX e a regulação de plataformas digitais.
A crise também envolveu questões diplomáticas. Em 24 de julho, o Itamaraty negou vistos a dois diplomatas americanos que viajariam ao Brasil para tratar de temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão. Os funcionários haviam sido apontados pelo The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, acusação negada pelo Departamento de Estado.
