Justiça italiana compartilha fundamentos de decisão sobre Carla Zambelli

Magistrados apontaram dúvidas relacionadas a imparcialidade durante o julgamento; novo processo envolvendo a ex-parlamentar segue em análise

12 jun, 2026
Carla Zambelli | Reprodução/Agência Brasil/Lula Marques
Carla Zambelli | Reprodução/Agência Brasil/Lula Marques

A Suprema Corte de Cassação da Itália publicou nesta sexta-feira (12) os argumentos que levaram a decisão de anular a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. O entendimento dos magistrados foi compartilhado algumas semanas depois da revogação da medida que havia autorizado sua entrega para autoridades brasileiras.

O caso tem relação com o processo em que a ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por cumplicidade na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os magistrados italianos avaliaram o julgamento feito no Brasil e apontaram elementos de possível imparcialidade do tribunal que definiu a condenação. A decisão resultou na revogação de um entendimento anterior da Corte de Apelações italiana e levou à soltura de Zambelli no fim de maio.

Corte analisa processo

No documento compartilhado pela justiça italiana, os juízes disseram que detectaram aspectos que poderiam prejudicar a questão da neutralidade enquanto o caso era conduzido. De acordo com a Corte de Cassação, o ministro Alexandre de Moraes esteve presente em diversos momentos do processo, tendo funções que, na visão dos magistrados, deveriam ser separadas.

A decisão afirma que Moraes, ao mesmo tempo em que fez parte do colegiado que conduzia o julgamento, foi apontado como atingido por uma das ações investigadas. A análise também cita que ele participou de medidas adotadas na condução do caso, um aspecto considerado relevante para o entendimento da Corte italiana.


Justiça menciona parcialidade contra Zambelli (Foto: reprodução/X/@Metropoles)


O processo brasileiro começou na investigação da invasão dos sistemas do Judiciário. A condenação aplicada pelo STF mostra que Zambelli contratou o hacker para colocar documentos falsos nas plataformas ligadas ao CNJ. Alguns dos arquivos citados na investigação seria um mandado de prisão contra Moraes e uma ordem para quebra de sigilo bancário do ministro. A Procuradoria-Geral da República acreditou que as ações seriam para desacreditar o Judiciário e criar um ambiente favorável à contestação do sistema democrático.

Extradição segue debate

Mesmo com a decisão sobre o caso da invasão dos sistemas, a situação da ex-deputada na Itália não está definida. Há um outro pedido de extradição que as autoridades italianas estão avaliando, associado a outra condenação de Zambelli por porte ilegal de arma de fogo e ameaça.

Essa condenação é resultado de um episódio nas eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu e ameaçou um homem com uma arma na rua depois de uma discussão política, em São Paulo. O caso resultou em uma condenação no Brasil e motivou uma solicitação de extradição.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, integrantes do Ministério da Justiça brasileiro consultaram os órgãos italianos para checar a possibilidade de adotar novas medidas para esse segundo procedimento. A procuradoria italiana respondeu que está aguardando a publicação dos fundamentos da decisão do primeiro caso, antes de considerar impactos sobre a nova análise.

O julgamento do segundo pedido de extradição está previsto para dia 1º de julho. Antes dessa data, as autoridades italianas deverão examinar se os argumentos usados na decisão recente poderão influenciar o andamento do novo processo sobre a ex-parlamentar.

Mais notícias