Justiça determina prisão de jornalista por difamação contra Carla Zambelli
Justiça decreta detenção de Luan Araújo devido ao não pagamento de valor processual; defesa contesta medida e alega ilegalidade por restrição civil
O juiz do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) determinou a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo, por escrever palavras difamatórias contra a ex-deputada federal Carla Zambelli, em um texto que foi divulgado na internet. O magistrado José Fernando Steinberg assinou o decreto prisional, justificando que o profissional de imprensa não cumpriu a obrigação de pagar uma multa determinada anteriormente durante o processo judicial.
Magistrado converte punição
A ordem do Poder Judiciário paulista foi baseada no artigo 44, 4º parágrafo do Código Penal, convertendo a perda restritiva de direitos em uma sanção de liberdade. O despacho judicial afirmou que o réu não pagou a multa estipulada, mesmo depois de ter sido notificado pelas autoridades sobre a pendência financeira.
O texto que motivou a decisão tinha declarações em que o profissional dizia que Zambelli era integrante de uma “extrema-direita cruel e maldosa”, chamando-a de “promotora da morte” e afirmando que ela liderava um grupo ideológico que cometia atrocidades.
Justiça manda prender jornalista perseguido por Carla Zambelli → https://t.co/l1wlE9tyl6
TJ de São Paulo converteu pena imposta a Luan Araújo, multa de R$ 2,2 mil por difamação a ex-deputada, em prisão em regime aberto após falta de pagamento; defesa do jornalista contestou a… pic.twitter.com/NPtwv71lv5
— Estadão 🗞️ (@Estadao) June 5, 2026
Carla Zambelli e Luan Araújo (Foto: reprodução/X/@Estadao)
A publicação foi removida da internet por decisão judicial prévia. O caso teve início com uma discussão em 2022, durante o segundo turno da eleição. Luan foi perseguido e ameaçado por Zambelli com uma arma de fogo. A postagem difamatória foi escrita pelo jornalista depois desse confronto, mesmo com a atual punição não tendo vínculo direto com a ameaça sofrida por Luan no período das eleições.
Advogado contesta prisão
A defesa do jornalista, comandada pelo advogado José Luiz de Oliveira Junior, entrou com um pedido de Habeas Corpus, ressaltando que o comunicador está em uma condição de precariedade econômica demonstrada nos autos processuais. O advogado argumenta, baseado nessa informação, que a ordem de prisão do magistrado se trata de uma prisão civil por dívida, uma modalidade de prisão proibida pelas diretrizes jurídicas do país.
Zambelli também enfrentou problemas dentro da política graças ao episódio de 2022. Ela foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal em 2025 a cinco anos e três meses de reclusão por constrangimento ilegal e porte ilegal de arma. O STF definiu o veredito graças às imagens registradas por pessoas que presenciaram a confusão e aos depoimentos colhidos durante a operação policial.
