Nova espécie de cogumelo é descoberta na África
Cientistas descobrem na África uma nova espécie de cogumelo ligada ao famoso Psilocybe cubensis, ajudando a entender a origem desses fungos
Uma descoberta científica no continente africano recente pode ajudar a esclarecer uma antiga dúvida entre pesquisadores sobre a origem de um dos cogumelos psicodélicos mais conhecidos e cultivados no mundo.
Cientistas identificaram uma nova espécie de fungo que pode estar diretamente ligada à história evolutiva do chamado “cogumelo mágico”, muito estudado por seus efeitos psicoativos no cérebro humano.
Locais onde o cogumelo foi registrado
O estudo foi divulgado na revista científica Proceedings B of the Royal Society e contou com a participação de pesquisadores da África do Sul e dos Estados Unidos. Durante a pesquisa, os especialistas identificaram uma nova espécie chamada Psilocybe ochraceocentrata, encontrada em áreas de pastagem na África do Sul e no Zimbábue.
Esse fungo cresce sobre esterco de gado. O nome dado ao cogumelo faz referência à coloração característica observada em seu chapéu: um tom amarelado com centro mais escuro. Apesar de parecer semelhante a outros cogumelos já conhecidos, análises detalhadas mostraram que se trata de uma espécie distinta.

Cogumelo da espécie Psilocybe ochraceocentrata (Foto: reprodução/X/@Xochipelli1953)
De acordo com os cientistas, testes genéticos indicaram que essa nova espécie compartilha um ancestral comum com o conhecido Psilocybe cubensis. A separação entre as duas linhagens teria ocorrido há aproximadamente 1,5 milhão de anos, muito antes do que muitos pesquisadores imaginavam. Os chamados “cogumelos mágicos” são conhecidos por conter substâncias psicoativas naturais, principalmente psilocibina e psilocina. Esses compostos podem provocar alterações na percepção, no humor e nos sentidos, gerando efeitos como distorções visuais, mudanças na percepção do tempo e estados alterados de consciência.
No Brasil, embora o cogumelo em si não apareça explicitamente na lista de organismos proibidos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, as substâncias presentes nele são classificadas como psicotrópicas proibidas. Por isso, o cultivo e a comercialização podem ser enquadrados em crimes relacionados a drogas.
Espécie já existia, mas não havia sido descoberta
Outro ponto interessante da pesquisa é que o novo cogumelo já vinha sendo cultivado em algumas partes do mundo sem que os cultivadores soubessem que se tratava de uma espécie diferente. Segundo os pesquisadores, ele é considerado relativamente potente e também fácil de cultivar.
“É uma das variedades mais populares de cogumelos psicodélicos porque é relativamente potente e fácil de cultivar. Mas, até este estudo, ninguém havia percebido que se tratava de uma espécie totalmente diferente do cogumelo clássico”, afirmou o micologista e doutorando da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, e um dos autores do estudo.
Para confirmar a descoberta, a equipe analisou amostras de DNA coletadas em diferentes regiões da África e comparou os dados com espécimes antigos guardados em coleções científicas. Técnicas de filogenia, que permitem reconstruir relações evolutivas entre espécies, foram utilizadas para entender como esses fungos se diversificaram ao longo do tempo.
Os cientistas acreditam que mudanças ambientais ocorridas há milhões de anos podem ter contribuído para a separação dessas espécies. A expansão de pastagens e a migração de grandes herbívoros para diferentes regiões do planeta teriam criado novos ambientes propícios para o surgimento de diferentes linhagens de fungos.
