Alcolumbre não tem pressa em aprovar o fim da escala 6×1

Presidente do Senado pede tempo e não se intimida pela pressão ou cobranças do Planalto sobre a PEC que pode ajudar na campanha eleitoral

03 jun, 2026
Davi Alcolumbre | Reprodução/Instagram/@davialcolumbre
Davi Alcolumbre | Reprodução/Instagram/@davialcolumbre

Apenas sete dias após a Câmara dos Deputados aprovar o fim da escala 6×1, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), visando estabelecer como será a tramitação da PEC, indicou que convocará uma reunião na próxima semana. Contudo, a intenção é debater o projeto sem pressa na Casa Alta. O encontro, previsto para a próxima terça-feira (9), reunirá líderes partidários e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), para estruturar o cronograma e a dinâmica dos debates. Paralelamente, Alcolumbre encaminhou à comissão uma proposta alternativa da oposição, travando momentaneamente o avanço do texto vindo da Câmara. Essa cautela reflete a forte pressão de empresários e parlamentares da oposição, que exigem mais tempo para avaliação e criticam a votação da matéria em ano de eleições.

Desgaste entre Lula e Alcolumbre

O Palácio do Planalto demonstrava inquietação quanto ao progresso da PEC no Senado, reflexo do forte desgaste recente entre o Executivo e o Legislativo após a histórica rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Diante desse cenário, emissários governamentais sinalizaram que o presidente Lula tentaria uma aproximação direta com Alcolumbre para destravar e acelerar o andamento da pauta na Casa Alta. Previamente, o líder do Senado havia atrelado a votação da matéria ainda no primeiro semestre ao aval dos deputados até o término de maio. Agora, decorridos 14 dias da aprovação definitiva na Câmara, Alcolumbre confirmou a intenção de dar sequência às discussões, embora mantenha critérios rígidos e ressalvas sobre o texto.


Aucolumbre pede cautela e serenidade dos outros senadores na análise da PEC (Vídeo: reprodução/Instagram/@davialcolumbre)


Nesta terça-feira (2), em pronunciamento na sessão plenária, o presidente do Senado solicitou um prazo maior para examinar a proposta, garantindo que ela passe pelas comissões temáticas da Casa. O parlamentar ressaltou que o Senado não atuará como um mero homologador das decisões tomadas pela Câmara, indicando que o texto sofrerá modificações estruturais antes de ir a voto. Sob a justificativa de que o tema impacta profundamente tanto a classe trabalhadora quanto o setor produtivo, ele defendeu um debate amplo e sem atropelos, mantendo uma postura de neutralidade diante da proposta e enfatizando a necessidade de os senadores aperfeiçoarem o texto com cautela.

Interesses em jogo e resistência à pressão

Além do Palácio do Planalto, a cobrança pela aprovação da PEC no Congresso Nacional também conta com o apoio de parlamentares do centrão, entre senadores e deputados, que veem na proposta uma forte vitrine eleitoral para as próximas disputas nas urnas. Porém, apesar desse apelo popular, o presidente do Senado insistiu que o rito de votação ocorrerá sem pressa, justificando que a tradição da Casa exige cautela, especialmente em períodos eleitorais. Em tom firme, o senador rebateu cobranças externas e alertou que o plenário não votará o texto de forma apressada, afirmando que não cederá a pressões, ataques ou ameaças, e garantindo que o cronograma dos 81 senadores será definido estritamente no seu próprio tempo.

No entanto, o expressivo placar na Câmara dos Deputados, que superou os 460 votos favoráveis em ambos os turnos, pode elevar consideravelmente a cobrança sobre Davi Alcolumbre no Senado. Parlamentares da base aliada deixaram o plenário convictos de que o resultado transfere para a Casa Alta o dever político de chancelar a medida ainda ao longo do primeiro semestre legislativo. Com a proximidade do recesso parlamentar, agendado para iniciar no dia 18 de julho, o Palácio do Planalto corre contra o relógio para garantir a aprovação definitiva do texto. A meta do Executivo é liquidar as duas votações no Senado a tempo de converter a proposta no principal trunfo para os palanques.

Aprovado pelos deputados, o projeto prevê um período de transição de 14 meses para diminuir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários intactos. Esse processo ocorrerá em duas fases consecutivas: a primeira redução, de duas horas, entra em vigor 60 dias após a promulgação da emenda; a etapa final, retirando as duas horas restantes, será aplicada 12 meses depois, completando o ciclo estipulado.

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