Alcolumbre rejeita leitura de requerimento para CPMI do Master
Pressão de aliados e opositores amplia impasse dentro do Congresso; STF pode voltar a interferir para garantir abertura da comissão mista
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, (União-AP), se recusou a fazer a leitura dos documentos necessários para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master, depois de sofrer uma grande pressão de congressistas da base aliada e da oposição. A leitura do veto aconteceu na manhã da quinta feira (21), durante uma sessão do Congresso Nacional feita primeiramente para discutir votos presenciais sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Presidente defende a autonomia do cargo
Ao comentar sobre sua desaprovação as ordens levantadas dentro do plenário, Alcolumbre argumentou que sua decisão foi baseada nas prerrogativas da sua função de liderança. Ele afirma que realizar a leitura dos requerimentos em plenário representa um ato discricionário da presidência dos diretores, sendo necessária uma movimentação administrativa feita por ele.
O comportamento do presidente do Senado parou o andamento dos pedidos, quando o Congresso dialogava sobre a análise de restrições de orçamento sobre repasses federais aos municípios inadimplentes.
🇧🇷🗣 Alcolumbre barra avanço de CPMI do Banco Master no Congresso
❗️ O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, descartou nesta quinta-feira (21) a instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master, apesar da pressão de parlamentares da oposição e também da base… pic.twitter.com/zm5adT1LhV
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) May 21, 2026
Alcolumbre bloqueia avanço de CPMI do Banco Master (Foto: reprodução/X/@sputnik_brasil)
Atualmente, as ações para começar as investigações sobre as supostas fraudes cometidas pelo banco estão paradas, com um total de cinco requerimentos protocolados no Parlamento: Um da Câmara dos Deputados, três feitos pelo Senado e uma proposta de comissão mista.
Além disso, a disputa para abrir o colegiado também está entre o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de ações de grupos governistas e oposicionistas, repetindo um cenário político parecido com as decisões anteriores da Suprema Corte, que forçaram o Congresso a implantar comissões por determinação judicial.
Parlamentares pedem investigação e citam precendentes
Enquanto os pronunciamentos eram realizados na tribuna, a cobrança pela criação da CPI juntou membros de ideologias políticas diferentes. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vem sendo citado por pedir movimentações financeiras ao ex-presidente do banco, para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, defendeu a instauração do inquérito.
O senador afirmou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela polícia na Operação Compliance Zero, e o executivo Augusto Lima, devem prestar esclarecimentos sobre as relações que os dois tem com diferentes líderes políticos e judiciários.
Outro político que cobrou pela instauração foi o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que protestou contra a decisão de Alcolumbre que paralisar o andamento dos requerimentos. Para defender seu ponto de vista, Lindbergh relembrou decisões passadas tomadas por ministros do STF, como os despachos de Luís Roberto Barroso em 2021 e Celso de Mello em 2007. O parlamentar assegurou que a presidência não conseguirá travar a investigação, focadas nos movimentos ilícitos associados a Vorcaro.
