Vivi: “eu não sou a mesma de anos atrás, nem a mesma que serei daqui a 10 anos”

Em um momento diferente da carreira, Vivi Wanderley revela como tem tomado decisões e aprendido com a nova fase marcada pela pluralidade nos negócios e sonhos

21 set, 2026

Em uma carreira construída diante de milhões de pessoas, mudar de rota pode significar muito mais do que experimentar um novo formato de conteúdo. Significa, muitas vezes, desafiar a imagem que foi construída ao longo dos anos e permitir que o público conheça outras versões de quem está por trás dela. Para Vivi Wanderley, esse movimento de transformação deixou de ser uma possibilidade distante e passou a fazer parte de sua própria maneira de enxergar a vida. Aos 25 anos, a influenciadora e empresária atravessa uma fase marcada pela descoberta, pela liberdade de experimentar e pela certeza de que uma trajetória profissional não precisa seguir uma única direção.

A internet continua sendo um dos principais territórios de sua atuação, mas já não é o único. A partir da visibilidade conquistada nas redes sociais, Vivi passou a explorar novas possibilidades e encontrou no empreendedorismo uma extensão de sua criatividade. A vontade de ter ideias, criar projetos e desenvolver processos ganhou espaço ao lado do trabalho com a própria imagem, fazendo com que sua atuação profissional passasse a envolver também negócios, planejamento, equipes e decisões que alcançam outras pessoas. Mais do que assumir o título de empresária, ela parece interessada em construir projetos que tenham identidade própria e que possam existir para além daquela figura que o público acompanha nas redes.

Essa mudança também representa uma transformação na forma como Vivi se relaciona com as expectativas externas. Se no início da carreira havia uma preocupação maior em entender o que as pessoas esperavam dela, hoje existe uma disposição muito maior para olhar para dentro e reconhecer os próprios desejos. A maturidade, nesse sentido, trouxe uma compreensão importante: não é necessário permanecer fiel à versão de si mesma que um dia conquistou o público. É possível mudar, experimentar, errar, recomeçar e até abandonar caminhos que fizeram sentido no passado. Para Vivi, uma carreira pode ser um conjunto de experiências, e não necessariamente uma linha reta.

É dentro dessa liberdade que a música volta a ocupar um espaço especial. O interesse por compor nunca desapareceu completamente. Durante alguns meses de gap ela ficou em segundo plano enquanto outras áreas da vida ganharam protagonismo. Agora, novas experiências e uma nova perspectiva sobre si mesma

despertaram novamente a vontade de escrever, entrar em estúdio e transformar sentimentos em música. A retomada acontece, porém, sem a intenção de repetir fórmulas. Vivi entende que aquela fase faz parte de sua história, mas reconhece que ela própria mudou, e que qualquer nova construção artística precisa acompanhar essa transformação.

A mesma consciência que aparece em suas escolhas profissionais também se manifesta na maneira como ela encara a influência que exerce. Ter uma audiência expressiva, para Vivi, significa lidar com uma responsabilidade que vai além de compartilhar a própria rotina ou opinião. Ao se aprofundar em temas relacionados à desigualdade e à realidade de mulheres que vivem situações diferentes das suas, ela passou a enxergar a visibilidade como uma ferramenta capaz de levar determinadas discussões a pessoas que talvez nunca tivessem contato com elas. Um processo que, segundo ela, exige pesquisa, escuta e disposição para aprender continuamente.



Nesse contexto, existe também uma preocupação em compreender os limites da própria voz. Em vez de falar por pessoas cujas experiências não viveu, Vivi defende a importância de abrir espaço para que outras mulheres, histórias e trabalhos possam ser conhecidos. É uma mudança de perspectiva sobre o próprio papel como influenciadora: usar a audiência não apenas para ampliar aquilo que diz respeito a si mesma, mas também para ajudar determinadas histórias a chegarem mais longe.

Entre negócios, redes sociais, música, projetos criativos e pautas sociais, Vivi Wanderley constrói, portanto, uma trajetória que não se deixa resumir facilmente a uma única profissão. Todas essas frentes, para ela, encontram um ponto em comum na criatividade e na possibilidade de se expressar de diferentes maneiras. A influenciadora também é empresária; a empresária continua sendo criadora de conteúdo; a artista encontra na música outra forma de traduzir aquilo que sente; e a mulher por trás de todas essas facetas entende que ainda está descobrindo novas possibilidades para si mesma.

E talvez seja justamente essa ausência de uma definição final que melhor represente o momento atual. Vivi não parece interessada em decidir agora quem será daqui a dez anos. Prefere deixar espaço para novas ideias, paixões e projetos, sem transformar cada experiência em uma obrigação ou em uma tentativa de corresponder ao que esperam dela. Afinal, se reinventar também significa aceitar que algumas certezas ficam pelo caminho para dar lugar a outras.

Em entrevista exclusiva à Lorena Magazine, Vivi Wanderley fala sobre essa nova fase com a liberdade de quem já não sente a necessidade de caber em uma única caixa. Ela revela como a influência digital abriu portas para o empreendedorismo, o que a levou de volta à música, como enxerga a responsabilidade de ter uma grande audiência e por que acredita que diferentes caminhos podem existir em uma mesma trajetória.

Depois de tantos anos construindo uma trajetória no digital, em que momento você percebeu que já não queria ser reconhecida apenas pelo conteúdo que produz, mas também pelos projetos e negócios que é capaz de construir?

“Olha, eu acho que a minha maior habilidade oculta é a reinvenção em todas as áreas da minha vida. Tanto mudar um cabelo, uma estética, uma linguagem visual ou um formato de conteúdo. Gosto muito de testar referências e adoro mudar de rota. Eu acho que não teve um momento em que pensei: “Agora eu quero ser empreendedora”. Foi algo que foi acontecendo e eu fui me apaixonando. Eu sempre gostei de ter ideias, de criar coisas e desenvolver processos, não só de aparecer com a minha imagem. Eu comecei a gostar muito de criar outras formas de me expressar. Com o tempo, eu fui percebendo que tinha vontade de assumir e construir projetos que fossem meus e que existissem independentemente da Vivi das redes sociais. E a internet continua sendo uma parte muito importante da minha vida. Eu amo trabalhar com a minha imagem, mas hoje eu sinto que ela não precisa definir tudo que eu faço profissionalmente. Então, eu estou sempre aberta a desenvolver novas ideias.”

Quando olha para a Vivi que começou na internet e para a mulher que está diante de novos projetos hoje, qual foi a principal transformação na maneira de enxergar a própria carreira?

“Eu sinto que fiquei muito menos preocupada em provar algo para as pessoas, porque isso cansa muito e é uma forma de se maltratar. Eu sinto que hoje a Vivi (lado profissional) e a Virgínia (lado pessoal), são diferentes e gosto disso. Quando comecei, eu era muito nova e tinha muita essa preocupação de entender o que as pessoas queriam de mim antes mesmo de eu pensar no que eu gostava e seguir. E acho que isso está bem mais aflorado hoje, para melhor, que foge um pouco de corresponder à expectativa dos outros e sim me agradar e me fazer feliz. Então hoje eu conheço mais e tenho certeza do que eu quero, me permito abrir espaço para as minhas ideias sempre e quando eu entendi que uma carreira não precisa ser uma linha reta, que pode ser um conjunto de coisas, que eu posso ser tudo que eu quiser, a vida teve muito mais cor. As pessoas mudam, eu mudo e hoje em dia não tenho mais medo disso, inclusive fico empolgada para descobrir qual vai ser o novo momento, a nova fase, a nova paixão ou uma nova coisa que eu vou me dedicar. Então, é isso, é poder arriscar sem medo. Esse é o meu momento atual.”

“Aliás, é ir com medo mesmo, porque isso é uma coisa que eu tenho aprendido. Estou com 25 anos agora e eu me vejo muito nessa posição de estar disposta a realizar sonhos, projetos e novas ideias. Acho que o medo é uma coisa que paralisa muita gente e é algo que eu venho perdendo cada vez mais.”

O empreendedorismo trouxe uma dimensão diferente de responsabilidade para você? O que mudou quando suas escolhas passaram a envolver não apenas a sua imagem, mas também negócios, pessoas e projetos?

“Com certeza, porque quando a gente toma uma decisão por si só e de forma sozinha, é necessário lidar com as consequências também sozinha. Mas não é o que acontece neste meu momento atual, já que tem muitas pessoas envolvidas, negócio, time, dinheiro, planejamento, tudo isso muda bastante e, apesar de eu estar num momento em que eu respeito muito a minha intuição, eu penso agora em grupo, porque são muitas pessoas que trabalham comigo. Eu também aprendi a aceitar com carinho que eu não vou acertar sempre, mas que é importante não repetir os mesmos erros. Esse lado do empreendedorismo trouxe um olhar de mais responsabilidade para mim em entender que toda escolha tem a sua consequência.”



Construir algo próprio exige correr riscos e também conviver com a possibilidade de errar. Qual foi a decisão profissional que mais te ensinou justamente porque não saiu como você imaginava?

“É muito engraçado isso, porque eu já tive projetos que eu tinha certeza de que iam funcionar e, na prática, não funcionaram da maneira como eu queria. Precisamos levar menos no “Ai, deu errado” e no pessimismo, e levar mais no “O que eu posso aprender com isso?”. As coisas que já deram errado para mim, em alguns casos, foram mais importantes do que uma que deu certo sem querer, porque me fez entender que vontade muitas vezes não é o suficiente. Teve muitos projetos que tive a certeza de que seriam legais, mas não foram da maneira que eu esperava, e tiveram projetos que não dei tudo de mim, mas que rolaram naturalmente. Então é preciso estudar mesmo, ouvir as pessoas, entender o mercado e sempre estar atualizado e, às vezes, aceitar que uma ideia que você ama não é necessariamente o que você precisa fazer no momento.”

Com a maturidade profissional, você passou a entender que nem toda oportunidade precisa ser aceita. Como que a Vivi, neste novo momento da carreira, leva em conta ao considerar uma proposta de trabalho?

“Primeiro, antes de tudo, eu penso se aquilo tem realmente a ver comigo, com a minha verdade. Antes de qualquer oportunidade eu penso se eu vou gostar de fazer aquilo, seconversa comigo, se eu tenho algo a acrescentar, qual mensagem aquele produto ou marca tem. Também precisa ser uma coisa que eu vou conseguir sustentar depois. Nem tudo precisa acontecer de forma rápida, então eu gosto muito de criar uma relação com a marca em que ela realmente entre no meu dia a dia, isso é muito importante para mim. Então quando vou aceitar uma publicidade, eu gosto realmente de entendê-la e ver se faz sentido, para depois seguir com o trabalho.”

Depois de um intervalo em que outras áreas da sua vida ganharam protagonismo, o que despertou novamente em você a vontade de compor e se expressar por meio da música?

“Eu nunca deixei de gostar de música, mas, em um momento, outras coisas foram acontecendo que despertaram uma prioridade para mim. Eu comecei a escrever de novo, as ideias começaram a aparecer e eu percebi que é uma coisa muito importante para mim ainda. Hoje eu sinto que eu tenho mais coisas para falar, explorar do que eu tinha antes, com toda certeza. Mas eu entendo que música, para mim, é muito mais sobre sentir, então eu tenho que realmente estar a fim e estar com uma ideia fresca na mente. Quando acontece esse momento, é o instante em que eu me sinto à vontade para ir ao estúdio, para compor da maneira que eu quero e que me sinta bem.”

A Vivi que está escrevendo músicas hoje viveu experiências muito diferentes daquela que compunha anos atrás. O que mudou naquilo que você sente necessidade de colocar para fora?

“Eu acho que com certeza é experiência, é viver, e viver muda tudo, vai mudando nossa perspectiva. Hoje eu tenho outras experiências, outras relações, outras inseguranças, outras preocupações e menos necessidade de contar uma história perfeita, e estou mais interessada em falar com coisas que já aconteceram dentro de mim, ou que eu observo em outras pessoas. Então eu acho que é uma experiência de vida mesmo; a vida vai acontecendo e tudo vai mudando.”

Existe alguma coisa que você só consegue dizer através da música e que talvez não conseguisse traduzir em uma entrevista, nas redes sociais ou em um projeto profissional?

“Olha, eu acho que eu mesma não sei explicar exatamente o que eu sinto em todos os momentos, mas eu consigo e faço esse exercício de sempre escrever uma palavra, uma frase, lembrar de uma imagem ou de alguma coisa que me marcou. A música permite a gente falar sobre as coisas sem necessariamente dar um nome para ela. É uma liberdade e hoje eu passei por muitas situações de pensar assim: “Ah, eu quero isso aí na próxima música que eu fizer, e depois eu já não quero mais”. Eu acho que, na vida real, a gente é assim também. Um momento em que a gente quer uma coisa; em outro instante, a gente quer outra.”



Voltar para a música também significa revisitar uma parte da sua própria história. Existe alguma pressão ou receio de reencontrar expectativas criadas sobre você no passado?

“Receio que não, porque é uma coisa que eu já espero. Eu acho que é muito natural que as pessoas peguem uma memória sua e vivam comparando, porque isso acontece com todo mundo. Isso é uma coisa que realmente me assombrou por um tempo, porque eu acho que, no meu primeiro lançamento, a Virgínia (lado pessoal)

não esperava que iria se tornar viral nas redes, como foi de primeiro momento, sabe? Eu sempre pensei, quando comecei essa construção como cantora, que é um dos meus hobbies, que seria um processo. Então, quando foi um boom de primeira, eu confesso que fiquei assustada. Eu não quero voltar nunca a ser a Vivi que fazia música de anos atrás. Então, para quem espera um “Playground 2”, por exemplo, não tem como ser dessa forma, porque aquela Vivi existiu e faz parte da minha história, mas eu já mudei como pessoa em todas as áreas da minha vida. Então, se eu tentar reproduzir aquilo só porque já funcionou antes, eu vou fazer uma coisa que já não sou mais quem eu sou. Acho que a vida é sobre se reinventar e sobre abraçar sempre a sua nova versão. Isso para mim é muito importante.”

Como está essa nova construção de sonoridades? Você traz algo que já funcionou para que possa agregar, ou segue uma nova forma de experimentação para construir uma narrativa diferente com o novo momento de vida que você vive?

“Confesso que eu venho experimentado bastante; inclusive, no meu EP, eu senti isso. Não quero jogar fora nada do que eu já fiz, porque é experiência e seria negar uma parte da minha história. Então, estou ouvindo muita coisa diferente, testando caminhos diferentes, entendendo o que faz sentido para mim agora e acho que eu ainda estou descobrindo qual é exatamente o som dessa nova fase e estou curtindo isso, porque é o momento que eu vivo agora.”

Você já falou sobre reconhecer os privilégios que fizeram parte da sua trajetória. Em que momento percebeu que reconhecer esses privilégios não diminuía suas conquistas, mas ampliava a responsabilidade sobre o que fazer com a visibilidade que conquistou?

“Então, demorou um pouco para eu entender sobre separar mérito de privilégio. E eu acho que existe uma ideia, sim, formada de que, se você reconhece o privilégio que você tem, você está diminuindo o próprio esforço, e eu sempre fui uma mulher e menina esforçada. Eu sei o quanto trabalhei para chegar onde estou hoje e sei também que tive oportunidades que outras pessoas não tiveram, mas uma coisa é nunca anular a outra. Com o espaço que ocupo, entendo e reconheço isso. É uma parte da nossa responsabilidade.”

Um dos temas que você tem se aprofundado foi sobre desigualdade. O que você descobriu estudando esse tema que foi fundamental para que você compreendesse melhor determinadas situações?

“Eu observo o mundo, pesquiso, estudo e percebo quanto a realidade das mulheres pode ser diferente, dependendo de onde nasceram, da sociedade em que vivem e das oportunidades que tiveram, por exemplo. Eu não quero falar por essas mulheres, porque eu não vivo a realidade delas, mas, se eu tenho um espaço, eu posso ajudar a fazer chegar em mais pessoas para talvez fazer a diferença e mudar, nem que seja a realidade de uma mulher.”



Existe uma diferença entre falar sobre uma pauta porque ela está em evidência e incorporá-la de verdade aos próprios valores. Como você procura fazer com que essa consciência não fique restrita aos momentos em que determinado assunto está em alta?

“Levando isso para a vida e não só na internet. Não acho que falar sobre o assunto uma vez vai mudar alguma coisa. Então é procurar, pesquisar, entender, estudar mais, conversar com pessoas diferentes, prestar atenção nas minhas próprias atitudes. Tudo na vida é um processo. Enquanto eu ainda estou aprendendo, eu vou continuar sempre evoluindo. Eu acho importante ter a liberdade de dizer isso e usar a minha voz para poder ajudar e fazer algo de bom.”

“ Uma coisa que eu acredito ser muito importante é quando a gente fala sobre um assunto que tem pouquíssimas pessoas falando sobre. Realmente é mais fácil a gente falar de assuntos que estão virais, porque tem mais informação. Agora a gente pegar um assunto que não está em alta, pesquisar sobre e ir atrás das informações é muito importante também.”

Ter milhões de pessoas acompanhando o que você diz também significa ter a possibilidade de abrir espaço para outras mulheres. Como você entende hoje o seu papel em muitas dar voz a essas histórias que muitas vezes não conseguem ser ouvidas?

“Eu penso muito mais em abrir espaço do que falar por outra pessoa, porque é uma questão que eu não posso; eu não me aproprio de histórias que não são minhas, mas tento ao máximo que elas sejam ouvidas. Se eu tenho uma audiência grande, eu posso usar isso para apresentar mulheres, trabalhos, histórias, que talvez não chegassem às pessoas daquela maneira. É um uso muito mais interessante da influência do que simplesmente falar sobre mim a todo o tempo.”

Vivi, entendendo que experiências e local de fala é algo muito relativo, como você usa essa influência para ajudar outras mulheres e dar esse espaço para elas sem que suas experiências sejam o centro do assunto?

“Ouvindo as pessoas, colocando-se em um lugar de escuta e de aprendizado. Eu acho que isso é uma coisa que eu aprendo a cada dia. Nem toda pauta precisa passar pela minha experiência, nem toda conversa precisa passar pela minha opinião; o ponto principal é estar num lugar de ouvir.”

Como você lida com as expectativas de que você precisa escolher uma profissão ou uma forma de trabalho, quando na verdade, você pode escolher quantas quiser?

“Eu lido muito melhor hoje, sendo muito sincera, porque eu já me questionei muito sobre isso, principalmente porque existe uma cobrança para você definir, afinal, o que você é. Eu acho que eu descubro a cada dia quem é a Virgínia e quem é a Vivi, porque eu gosto muito de empreender, eu gosto de criar conteúdo, de conversar, de me comunicar, das minhas músicas, de criar projeto, então eu não me vejo precisando escolher uma coisa só, para facilitar minha explicação para os outros. Eu sou tudo que eu quero ser.”

Hoje você transita entre influência, empreendedorismo, projetos criativos e música. Como você mescla todas essas áreas? O que te faz entender que diferentes caminhos podem, na verdade, fazer parte da mesma trajetória?

“Tudo se interliga para mim. Elas acabam se encontrando porque todas têm a ver comigo; tudo sou eu. Não é como se eu acordasse amanhã e quisesse ser uma pessoa diferente; é a mesma criatividade que eu uso para pensar em um projeto, a que eu uso para fazer uma música. Eu acho que o mais importante é que tudo tenha verdade para mim mesma. Isso é o mais importante.”



Você se permite mudar de direção mesmo quando as pessoas já esperam determinada versão sua? O quanto amadurecer profissionalmente também significa aceitar que algumas coisas que faziam sentido antes podem deixar de fazer?

“Hoje, muito mais do que antes, e a cada dia tenho aprendido mais a fazer isso. Eu acho que uma das coisas mais libertadoras de amadurecer, agora que estou com 25 anos, é perceber que eu não preciso continuar sendo aquela pessoa que o público conheceu no início. Eu posso mudar e ser quem eu quiser. Algumas coisas começam a fazer sentido e outras não. Então eu prefiro sempre mudar do que continuar fazendo a mesma coisa só porque as pessoas querem.”

Olhando para essa nova fase, existe alguma coisa que você ainda quer aprender, experimentar ou construir que talvez surpreenda até quem acompanha sua carreira há muitos anos?

“Com certeza, sempre gosto de experimentar coisas novas. Se eu conseguisse prever exatamente o que vai acontecer, talvez não fosse tão bom e tão empolgante, sabe? Eu quero muito me aprofundar mais na música, na composição e continuar criando e testando coisas diferentes. Tenho um sonho de fazer meus próprios produtos e eu tento não transformar tudo em uma obrigação ou um trabalho massivo. Eu gosto muito de experimentar, porque eu sei que eu posso dar vida às minhas ideias.”

Se esta capa pudesse apresentar ao público não apenas a Vivi profissional, mas a mulher que está se tornando, o que você gostaria que as pessoas finalmente entendessem sobre você?

“Que mudei muito e que eu vou mudar muito ainda. Acho que, durante muito tempo, as pessoas conheceram versões minhas em momentos muito específicos, mas eu não sou a mesma de anos atrás, nem a mesma que serei daqui a 10 anos. Eu tenho outras vontades, outras coisas que eu quero descobrir e gosto de não “ter tudo tão definido”.

Se pudesse definir em uma frase, qual seria?

“Eu diria que sou uma pessoa que está descobrindo quem eu posso ser e que não tenho mais pressa de decidir. Estou vivendo, estou feliz.”

 

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