Guto Galamba: “Foco no que controlo e ponto”

Professor, empresário, palestrante e advisor, Guto Galamba transformou conhecimento em conteúdo, conteúdo em autoridade e autoridade em negócios, e hoje ensina empresários a fazerem o mesmo

01 set, 2026

Antes de construir uma audiência de milhões de pessoas, participar de grandes entrevistas e transformar sua própria imagem em um ativo de negócios, Guto Galamba precisou enfrentar uma ambição que, durante muito tempo, esteve à frente de suas próprias realizações.

Ao olhar para o passado, ele se define como “um cara totalmente arrogante e prepotente”, movido pelo desejo de ser conhecido e reconhecido como um homem grandioso antes mesmo de, segundo ele, ter construído as evidências para sustentar essa percepção.

Com o tempo, a busca por reconhecimento deu lugar a outra obsessão: tornar-se, de fato, o homem que desejava ser percebido como.

Professor, empresário, palestrante, comunicador e advisor, Guto construiu sua trajetória inicialmente no mercado de saúde e comportamento. Criador do movimento Anti-Obesity, que já impactou mais de 150 mil pessoas e recebeu reconhecimento internacional, ele encontrou na internet uma maneira de fazer o conhecimento ultrapassar os limites de uma sala de aula ou de um consultório.

Mas foi quando deixou de falar apenas sobre aquilo que sabia, e passou a comunicar também quem era e como pensava, que sua presença digital ganhou outra dimensão.

Saúde, comportamento, família, trabalho, dinheiro, relacionamentos, responsabilidade, performance e negócios passaram a dividir espaço em uma comunicação marcada por posições claras e pela disposição de sustentar suas convicções mesmo quando isso significa desagradar parte da audiência.

Para Guto, esse é justamente um dos erros de grande parte dos profissionais e empresários nas redes sociais: querer que o mercado compre aquilo que fazem antes de permitir que o mercado compreenda quem são.

Sua filosofia de comunicação parte de cinco perguntas: quem sou eu? Como penso? Quais problemas resolvo? Como resolvo esses problemas? E por que alguém deveria confiar em mim?

Foi a repetição dessas respostas ao longo dos anos que ajudou a transformar audiência em comunidade, comunidade em confiança e confiança em oportunidades de negócio.

Um dos momentos mais emblemáticos dessa trajetória aconteceu durante sua participação no programa “1 Treinador x 30 Gordos”, do Canal Foco, no YouTube. Diante de opiniões contrárias e sob forte exposição, Guto viu o episódio ultrapassar a discussão sobre obesidade: milhões de pessoas puderam observar não apenas o que ele pensava, mas como pensava, argumentava e sustentava suas convicções sob pressão.

Hoje, essa experiência ganhou aplicação empresarial. Guto atua como advisor de empresários e empresas de diferentes segmentos, ajudando fundadores a transformar conhecimento, reputação e comunicação em ativos capazes de gerar autoridade, aquisição de clientes e crescimento.

A tese que sustenta seu trabalho é simples: competência que o mercado não consegue perceber tem valor comercial limitado.

É nesse ponto que sua trajetória pessoal encontra o Founder-Led Growth: a ideia de que o fundador não precisa ser apenas quem constrói a empresa nos bastidores. Ele pode se tornar um dos seus maiores canais de confiança, distribuição e aquisição.

Para Guto, o objetivo não é transformar empresários em influenciadores.

É fazer com que o tamanho da reputação de quem construiu o negócio se aproxime do tamanho da competência que existe por trás dele.

Nesta entrevista exclusiva à Lorena Magazine, Guto Galamba fala sobre a transformação de sua própria identidade, os princípios que orientam suas decisões, a construção de uma audiência de milhões de pessoas, os bastidores de sua comunicação e a estratégia que hoje aplica para transformar conhecimento em percepção, percepção em confiança e confiança em negócios.



Antes de se tornar uma referência nas redes sociais e na comunicação sobre saúde, quem era o Guto Galamba?

“Um cara totalmente arrogante e prepotente, com um desejo insano de ser conhecido e reconhecido como um homem grandioso que ainda não era, mas acreditava que era.”

Quem acompanha seu trabalho conhece o profissional, mas pouco sabe sobre o lado pessoal de Guto Galamba. O que você poderia nos contar sobre o seu lado pessoal?

“Hoje posso dizer, sem medo de errar, que sou uma pessoa completamente verdadeira, empática e que não consegue ver um potencial sendo desperdiçado. Quero fazer do mundo um lugar melhor e, para isso, entendo que preciso, a todo momento, me tornar uma pessoa melhor. Meu jeito, digamos, peculiar de me comunicar é como o de um irmão mais velho que está vendo o outro fazer merda e não fica calado. Eu sou o amigo intercessor, eu falo na hora o que vejo de errado e incoerente e mostro quais mudanças acredito serem necessárias para evolução do outro.”

Nos últimos anos, você se tornou um dos especialistas mais relevantes nas redes sociais dentro da sua área. Na sua avaliação, qual foi o principal fator que impulsionou esse crescimento?

“Eu me permiti ser eu mesmo, me permiti desagradar um grupo de pessoas. Entenda, eu não sou uma pessoa desagradável, mas estou disposto a desagradar para defender o que acredito ser o correto e verdadeiro com base em Deus, sabedoria, justiça, coragem e temperança, os quais são os valores que regem minha vida.”

Em um ambiente tão competitivo como a internet, como você conseguiu construir uma marca pessoal forte e conquistar a confiança de milhões de pessoas?

“Posicionamento vai além dos problemas que resolvo; é sobre quem eu sou e do que estou disposto a perder para viver dentro desse compromisso. No meu caso, estou disposto a perder dinheiro, amigos, me afastar de familiares e a criar desafetos para defender Deus, justiça, coragem, sabedoria e temperança.”



Guto, você reforça a importância de as pessoas entenderem que a obesidade deve ser tratada como uma doença e não como uma escolha ou estilo de vida. Em que momento percebeu que essa mensagem precisava ultrapassar os consultórios e chegar às redes sociais? Como você fez esse conteúdo ganhar tanta repercussão na mídia?

“Percebi isso desde que ficou clara a dissonância cognitiva das pessoas para defender o conforto, sendo o oposto dos princípios que citei acima e defendo. Menos de 5% das pessoas são obesas devido à carga genética; os mais de 90% restantes são por maus comportamentos, logo, ser gordo é uma escolha.”

Você também criou o movimento Anti-Obsity, que já atendeu mais de 150 mil pessoas, e que te rendeu um prêmio concedido pela ONU. Como foi a construção desse movimento que você destacaria como mais importante?

“O movimento começou comigo devolvendo à sociedade o que meu trabalho me proporcionou. O Brasil é um país escasso, intelectualmente falando, sofrido e o mais ansioso do mundo. Não basta apenas dizer o que as pessoas devem fazer; você precisa elevar seus níveis de consciência para que elas queiram passar pelo processo. O Anti-Obesity é isso, um programa de saúde física, mental e emocional.”

Muitos profissionais investem em redes sociais, mas poucos conseguem criar uma comunidade tão participativa quanto a sua. Qual é o segredo para manter esse relacionamento próximo com os seguidores?

“A maioria das pessoas só fala do que vende; eu falo do que acredito, de quem eu sou e compro briga com quem é contrário aos meus valores. Posicionamento deve ser, a meu ver, dividido em 3 etapas de comunicação: Quem eu sou? Quais problemas eu resolvo? O que eu posso vender como transformação na vida do outro?”.

Como você equilibra produção de conteúdo, rotina profissional e gestão da sua imagem sem comprometer a qualidade de nenhuma dessas frentes?

“A produção de conteúdo faz parte da minha agenda de trabalho. Tudo é conteúdo; qualquer lugar é hora de ensinar algo. Grande parte das pessoas ainda encara a produção de conteúdo como atividade extra e, como toda atividade extra, só a faz quando sobra tempo.”



Qual foi o conteúdo que mais surpreendeu você pelo alcance ou pela repercussão e por quê?

“O vídeo que fiz com o Canal Foco. 01 treinador x 30 gordos. Acredito que, pela postura que tive diante dos ataques, fui maduro, empático e mostrei ciência. Fiz, durante o programa, exatamente o que ensino aos meus mentorados e empresários que sou advisor: mostrei quem sou, mostrei quais problemas consigo resolver e quais transformações causo nas pessoas que compram o Guto.”

Hoje sua influência ultrapassa as redes sociais e chega à imprensa, eventos e outras formas de comunicação. Como essa visibilidade ampliou as oportunidades de negócio?

“De maneira absurda. Hoje sou advisor de grandes empresas, que variam de pharmaceuticals, franquias de clínicas odontológicas, empresários do nicho médico, empresários do ramo do direito. As pessoas querem saber como aumentar o valuation de suas empresas através da educação; é nisso que sou bom. Tirar o conhecimento da pessoa, da cabeça dela, e transformar em dinheiro.”

Com uma audiência cada vez maior. Como você lida com a responsabilidade de influenciar milhares de pessoas todos os dias?

“Meus seguidores, mensurados e empresas que sou advisor dependem da minha melhor performance. Por isso treino todos os dias, me alimento bem, medito, estudo e me mantenho na mais alta performance. O trabalho e minha vida se misturam e são uma coisa só; por isso, é impossível não ter e gerar resultados.”

Você trabalha com a internet e com a exposição pública, como lida com os haters numa publicação, por exemplo?

“Não lido. Não existe hater bonito, bem casado, bem de dinheiro e temente a Deus. Haters são pessoas que detestam a própria vida.”

Você já participou de diversas entrevistas em podcasts e programas, um deles, no canal Foco, no YouTube, com o tema “1 Treinador vs 30 gordos” inclusive um dos vídeos mais assistidos do canal. Como foi essa experiência?

“Foi incrível, pois foi num momento em que eu já queria me posicionar de forma diferente e ali tive a oportunidade de mostrar um Guto que poucos estavam acostumados, então foi um choque para a audiência e uma confirmação para mim de que eu estava me tornando o homem grandioso que decidi que seria.”



Quais foram os maiores desafios enfrentados durante a construção da sua audiência e como conseguiu superá-los?

“O maior desafio nunca foi com a audiência, sempre foi comigo mesmo. Trabalhar com internet mexe muito com o ego, e no bolso só cabe uma coisa: ego ou verdade. Eu escolhi a verdade.”

Se hoje tivesse que começar do zero, sem seguidores e sem reconhecimento, quais estratégias adotaria para construir novamente sua presença digital?

“Seja o FLG do seu CNPJ, tenha um branding forte e venda muito! Ofereça seu conhecimento e cobre por ele.”

Se você pudesse se definir em uma frase, qual seria?

“Foco no que controlo e ponto.”

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